terça-feira, 13 de julho de 2010

Casa Ermelinda de Freitas Touriga Franca 2008 e "Tournedos"


Mais um Produtor de que nunca tinha falado aqui no Blogue... A Casa Ermelinda de Freitas (Península de Setúbal) situa-se em Fernando Pó e comercializa vinhos de todas as gamas, desde vinhos em bag-in-box até ao aristocrático Leo D' Honor. Tem uma ampla gama de varietais da qual o mais conhecido será o Syrah de 2005, que teve honras de "melhor vinho do mundo" no Concurso Vinalies Internationales...
Este vinho de Touriga Franca (uma das castas mais usadas no vinho do Porto) é retinto, escuro e aparece inicialmente especiado, passando para um registo mais vegetal e a parecer querer passar ao lado da fruta. Mas ela está lá. Tem corpo, bom volume de boca e apesar de ainda estar muito novo já proporciona uma boa prova.
Para já será preciso ter algum cuidado com os pratos e com as temperaturas de serviço (o produtor recomenda, e bem, 16º C, é que acima disso, os 14º de álcool começam a mostrar-se), mas daqui a uns meses (depois do verão, quando começarem a apetecer comidas de tacho) deverá estar mais cordato. Muito interessante este Touriga Franca feito em Fernando Pó com assinatura do Eng. Jaime Quendera. Nada se diz quanto ao PVP, mas deverá andar nivelado pelos outros varietais da casa, ou seja, entre os 7 e os 10 €.

Provei este vinho com um tournedos. Um tournedos não é mais do que um naco da ponta do lombo da vaca (ou da vitela, melhor ainda se for do lombinho, ou coelho como lhe chamam no Planalto Mirandês) cortado com um a dois dedos de altura que é envolvido em toucinho de porco e vai à chapa muito quente a caramelizar muito rápidamente dos dois lados, sendo posteriormente guarnecido. Um dos mais famosos tournedos é atribuido a Gioachino Rossini, compositor Italiano do século XIX e reputado gourmet e cozinheiro, que os guarnecia com foie gras e trufas.       


Este foi feito com un naco do jarrete que rodeei com fatias de bacon presas com palitos. Levei ao grelhador muito quente. Selei a carne, baixei o lume e virei. Temperei com um pouco de sal marinho e juntei um pouco de doce de amora. Voltei a virar e repeti o procedimento. O doce que meti na primeira camada ficou caramelizado enquanto que o da segunda ficou apenas bem quente. Servi de imediato com umas batatinhas salteadas em azeite e alho a que juntei no final o resto do doce que ficou no grelhador. Acompanhei ainda com uma salada verde temperada com azeite e flor de sal.


domingo, 11 de julho de 2010

Camarões Suados | Quinta das Bágeiras Espumante Reserva Rosé 2007




Chamei "camarões suados" a esta preparação por me parecer ser a designação mais correcta e porque num dia de final do Campeonato do Mundo não me apeteceu fazer Gambas al ajillo nem beber Cava.  Mas durante parte do jogo o grande Narciso Yepes substituiu-se ao som da televisão.
Comprei uns camarões 10/15 congelados e deixei-os a descongelar numa marinada feita com sumo de limão, alho esmagado e laminado, sal, pimenta branca moída no almofariz, whisky, um pouco de molho tabasco e azeite. Ao fim de cerca de duas horas verti tudo para uma frigideira com tampa e deixei ficar em lume brando (com a tampa) durante cerca de vinte minutos. Desliguei o lume e servi morno, com umas fatias de bom pão. Os camarões estavam absolutamente deliciosos e com um molho mais que próprio para os indefectíveis do pãozinho...

Para acompanhar estes camarões cheios de temperos (apesar de preferir coisas com sabores menos tutti fruti, aqui teve justificação) abri um Espumante Quinta das Bágeiras Rosé Reserva 2007. Tinha sido comprado na loja da quinta a € 3,50 (andará pelos 5/6 € no ECI). Foi feito com Baga e vinificado em bica aberta com prensagem suave. Fermentou em inox e não teve adição de açúcar. Estagiou dois anos em cave antes de ser lançado para o mercado. Foram feitas 10.028 garrafas (abri a nº 3.061). Cor de média intensidade e aromas a denunciar a casta. Impressiona pela frescura e pela capacidade de limpar o palato (daí ter exagerado nos condimentos dos camarões). Um espumante absolutamente cativante. Fiquei fã. Além do mais foi perfeito para brindar o grande golo de Andrés Iniesta...

Da Caldeirada e dos Alvarinhos

Presumo que quando se fala de Caldeirada a maior parte das pessoas associe de imediato raia, tamboril e cação a batatas, cebolas, tomate e pimento e a água ou vinho branco e um fio de azeite. Depois, com mais e diferentes coisas, cada pessoa irá compôr a sua caldeirada. Passando os olhos por aquela que é talvez a mais importante publicação sobre a nossa cozinha, reunindo 800 receitas da nossa cozinha tradicional, que é a Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto, encontrei 14 caldeiradas diferentes, do Minho ao Algarve. Penso que será correcto associar o termo "caldeirada" a "o que cabe na caldeira", focando-me assim mais na preparação do que no conteúdo. Na verdade uma caldeirada pode ser feita com uma ou mais variedades de peixe e incorporar moluscos e crustáceos. Quanto às batatas, não entram em todas as caldeiradas tradicionais. Há também caldeiradas feitas apenas com peixes de rio. Aparecem situações em que a base é um refogado. O vinho aparece também. Vendo a diversidade das nossas preparações, diria que não há uma receita canónica para a caldeirada, mas antes algumas regras básicas.

Esta minha preparação é muito simples e não se compara com a riqueza de sabores texturas e aromas de uma caldeirada de peixe, mas ainda assim constitui uma forma interessante de preparar umas lulas. Num tacho de fundo grosso deitei um fundo de azeite. Juntei as lulas, batatas, cebolinhas novas cortadas ao meio e pimento vermelho em fatias. Cobri com água, juntei um pouco de polpa de tomate (à falta de tomates bem maduros, mais vale usar a polpa), um pouco de pimenta branca, uma folha de louro, um pouco de pimentão doce em pó e dois dentes de alho esmagados. Levei a lume brando até as lulas estarem cozidas e servi. Normalmente as batatas são a ultíma coisa a cozer, mas se cozerem rápido (depende da variedade do tubérculo) pode-se juntar um pouco de vinho branco. As batatas não se desfazem e o resto continua a cozer. 


Já agora, se a caldeirada é tudo menos canónica, o que dizer dos vinhos da casta Alvarinho? Naturalmente associados à Região dos Vinhos Verdes, começam a aparecer um pouco por todo o país. Este veio de Trás-os-Montes, da Quinta de Cidrô, pertença da Real Companhia Velha. Foi lançado na colheita de 2007. Fiel à casta, mas aparece mais encorpado do que os da RVV. Apesar de já ter dois anos desde a sua saida para o mercado, continua fino e elegante, preservando a sua boa acidez. Não será uma referência, muito pelo preço (€ 8,85 na Wine o' Clock) mas é um vinho bem feito e interessante, embora algo intolerante com a temperatura de serviço (nada que uma manga não resolva).  

Quinta de Pancas Selecção do Enólogo 2005 | Picagarfo da Casa

Começo pelo vinho... Um vinho da Quinta de Pancas que foi comprada em 2006 pela Companhia das Quintas, cujo PCA é Miguel Pais do Amaral. Para além desta quinta, a empresa é proprietária da Quinta Cova da Barca (Douro), Quinta do Cardo (Beiras), Caves Borlido (Bairrada), Quinta da Romeira (Bucelas), Quinta de Pegos Claros (Palmela) e Quinta da Farizoa (Alentejo). Este escolha do enólogo é feito com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet e estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês. Muito bom o equilíbrio entre a fruta e a madeira, num conjunto "perigosamente apetecível" como referiu JPM no seu guia de vinhos de 2009. Custou € 5,90 na Wine o' Clock de Matosinhos. Gostei muito.

O vinho foi refrigerado e começou a ser servido enquanto estava a ultimar uma preparação de carne de porco que andava a pensar fazer como contraponto à Carne às Mercês.
A carne das Mercês é um petisco da tradição Lisboeta... Mas não é a única forma (era o que mais faltava) de se petiscar um naco de porco...
Este não tem história, mas estava delicioso. Comprei um bocado de perna de porco e cortei em fatias finas, como se fosse para bifanas. Depois cortei outra vez em pedaços e levei a marinar em alho, sal, uma folha de louro (ressalvo que na minha preparação da carne das Mercês usei muito pouco louro) e um pouco de vinho branco. Deixei umas três horas no frigorífico. Passado esse tempo, deitei um pouco de banha de porco num tacho e juntei a carne. Deixei selar em lume esperto, mexendo sempre, adicionei o líquido da marinada e vinho tinto a cobrir a carne. Deixei a estufar em lume muito brando. Passada que estava uma hora e pouco, a carne estava macia, havia molho e era hora de rectificar/adicionar temperos... Um pouco de pimenta preta e uma colher de chá de mostarda. Mais do que isto, mesmo para petisco, enjoa. Não é um picapau, não é a carne das Mercês, mas não deixa de ser uma forma interessante de preparar um petisco de porco, aqui chamado de picagarfo, porque foi servido no prato. E com bom pão a acompanhar...


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Quinta das Bágeiras Branco 2009


Este é o vinho de entrada da Quinta das Bágeiras. Ainda assim, as garrafas produzidas (8330) foram todas numeradas. Não costumo ver à venda, mas penso que haverá no El Corte Inglês e na Wine' o Clock. É feito em inox com Maria Gomes, Bical e Cercial. Muito bom no aroma, a fugir à exuberância que assalta alguns vinhos da moda. Na boca é fresco, muito fresco. Oferece muito mais do que o seu preço (3 € na Quinta) podia levar a pensar. Um vinho que se bebe com prazer numa esplanada, mas que também tem uma muito boa aptidão gastronómica. Acompanhou um bacalhau cozido com batatas e cebolas em caldo de água, azeite, alho e uma folha de louro.    


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Desnível 2007 | Cachaço de Porco com Massa Frita


O Desnível 2007 é um vinho de João Lopes Pinto, o Enólogo da Quinta da Covada com Viticultura de Luís Pinto dos Santos. É feito com uvas provenientes de duas vinhas diferentes. Uma situa-se no Cima Corgo, a uma altitude de 470 metros, orientada a norte com cerca de oitenta anos de idade e com o Rufete e a Tinta Amarela a serem predominantes. A outra situa-se no Douro Superior, a uma altitude de 350 metros orientada a sudoeste e foi plantada há trinta anos. As castas predominantes são a Touriga Franca e a Touriga Nacional.  A história do Desnível está toda contada no Blogue que o João e o Luís criaram (aqui).

É um vinho acabado de sair para o mercado e com um PVP recomendado de € 8.00. Foi vinificado na Quinta da Covada e estagiou uma parte em quatro pipas diferentes (durante 15 meses) e o restante em inox. É um vinho de garagem, afinal apenas foram feitas duas mil garrafas. Muito focado na fruta, é fresco e tem uma boa aptidão gastronómica. Pede algum cuidado com a temperatura de serviço, porque os 14º de álcool muito facilmente se mostram. Optei por refrigerar a garrafa. Duas horas antes de servir, passei o vinho para o decanter e deixei-o no frigorífico. Antes de servir, passei o vinho para a garrafa. Passado um quarto de hora lá tive que meter uma manga para manter o vinho a 16/17º C. Uma bela proposta abaixo de dez Euros.

Ainda tive a oportunidade de provar um outro vinho desta dupla. Um branco sem madeira da colheita de 2009 que ainda está a afinar. Pela amostra, promete.

Para acompanhar este vinho, fiz um naco de cachaço de porco no tacho. Cortei um pedaço do cachaço em fatias e alourei-as em banha de porco. Juntei vinho branco, alho pisado e pimenta preta e deixei estufar lentamente. Servi sobre cotovelos de massa cozidos al dente e salteados em manteiga.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2004 | Lombinho de Porco em Molho de Leitão

Na sequência da inesquecível prova vertical de vinhos da Quinta das Bágeiras, confesso que tinha ficado com uma pulga atrás da orelha. Tinha provado o Garrafeira tinto 2004 (o último que o Mário Nuno mandou para o mercado, uns meses depois do 2005) entre as edições de 2003 e 2005 que já conhecia e não consegui perceber bem o vinho. Coisas de tirocinante... Para o tentar perceber melhor, decidi voltar a provar o vinho, mas agora em casa e com mais tempo. Reeditei um prato que tinha feito há algum tempo, um singelo lombinho de porco assado em molho de leitão, de que tinha dado nota aqui. O molho de leitão foi o que escorreu dos dois magníficos que o Ricardo do Restaurante Mugasa tinha preparado para o almoço da prova e que eu, com uma enorme e distinta lata, pedi para trazer (um bocadinho, pronto, meio litro...). Forno a 170º C, tabuleiro de alumínio, folha de alumínio, um lombinho regado com o molho, fecho o invólucro, meto o vinho no frigorífico e fui à minha vida. 

Passado uma hora, voltei à cozinha, abri o vinho, enfiei-o no decanter e guardei o decanter no frigorífico. Fui buscar umas batatas novas à despensa, lavei-as e deixei-as a cozer. Passado um bocado, depois das batatas estarem cozidas, retirei o lombinho do forno e servi. Com as batatas e o molho. E uma salada de alface (naturalmente, à parte e apenas com um toque de flor de sal e um fio de azeite).

O vinho é feito integralmente com uvas da casta Baga provenientes de vinhas com mais de 75 anos, situadas nos melhores terrenos de argila e calcário da Região (informação do contra-rótulo) e foram vindimadas em Setembro sem desengace. O vinho fermentou em pequenos lagares e estagiou em tonéis de madeira usada, tendo sido engarrafado sem filtração em Fevereiro de 2006. Teve cerca de quatro anos de estágio em garrafa antes de ser lançado para o Mercado. Quando saiu do frigorífico, estava a uns 16º C e saltou para o copo. Menos clássico da Bairrada que o 2003 e menos superlativo na elegância que o 2005, é um vinho que muito dificilmente causará indiferença. Neste momento vai muito bem com pratos fortes (como o que lhe calhou em sorte), mas não vira as costas a uns anos em cave (como todos). O mais recente trio de Garrafeira Tintos da Quinta das Bágeiras (2003/4/5) é um caso muito sério e a prova de que na Bairrada se fazem grandes, enormes vinhos. Foram feitas 10.223 garrafas a um preço a rondar os 20 € cada. Belo vinho.   


domingo, 4 de julho de 2010

Quinta das Bágeiras | Visita, Almoço e Prova Vertical de Vinhos

Mário Sérgio Alves Nuno é, para mim, um dos mais emblemáticos Produtores Portugueses. Apesar de conhecer relativamente bem os seus vinhos, devo confessar que a perspectiva de os provar numa vertical e na Quinta era uma ideia demasiado tentadora para a deixar escapar. Há pouco mais de um mês deixei a proposta no fórum da Revista de Vinhos e dois dias depois já havia mais de uma dúzia de foristas interessados em participar no Evento. O Mário acedeu em receber o grupo e até propôs que a prova fosse feita na Quinta e que decorresse durante o almoço. Marcou-se o dia 3 de Julho (ontem, sábado) e calmamente fomos combinando o almoço, ordenando a lista dos participantes e verificando a disponibilidade de vinhos das nossas garrafeiras.  

O programa do dia (tal como anunciado no Fórum) previa a chegada à Quinta das Bágeiras, sita na Fogueira, Sangalhos por volta das 11.30, visita à Adega e à Cave, prova informal de espumantes e em seguida o almoço (com pratos de peixe e o belo do Leitão à Moda da Bairrada) e a prova vertical dos vinhos Garrafeira da Quinta. E mais não se disse...


À chegada, a primeira surpresa. Na cozinha, para além do Senhor Simões (do lado esquerdo da foto abaixo a ser ajudado por um dos foristas participantes), que é um excelente cozinheiro e amigo do Mário e que simpaticamente preparou entradas e dois pratos de peixe, estava o Ricardo, do Restaurante Mugasa, entregue às lides do forno. Nunca tive o prazer de ir ao Restaurante Mugasa, mas a avaliar pelo leitão com que o Ricardo nos brindou, merece visita, sem dúvida.


Dois leitões Bágeiras/Mugasa no Forno.


Começámos com o Mário Nuno a guiar-nos numa visita à sua cave, onde vimos os espumantes em estágio.



Ainda tivemos direito a uma explicação acerca da forma de fazer Espumantes na Quinta das Bágeiras.


No fim da visita, voltámos à Adega, onde as mesas já estavam postas para o almoço.


Hora de alinhar as garrafas para a prova. Vinhos Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto de 1991, 1994, 1995, 1997 (em magnum), 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005 (em magnum).


Os Garrafeira Brancos (aqui os de 2001, 2002 e 2004, mas provámos também os 2005, 2006 e 2007, ou seja, todos!)


Antes do almoço e da prova monumental que se avizinhava (sempre eram 15 dos mais distintos vinhos Portugueses) provámos Espumantes das Bágeiras de 1992 e 2001, ambos em muito bom nível. Provámos ainda um Branco Maria Gomes 1994 em magnum que estava excelente. Inesqueciveis, as ovas de peixe preparadas pelo Sr. Simões a deixar adivinhar a excelência das preparações seguintes.


Passando para a sala ao lado, para o almoço e prova, começámos com os Brancos Garrafeira de 2001, 2002 e 2004 a acompanhar uma sopa de peixe que estava absolutamente divinal. Os 3 vinhos estavam em muito boa forma, com o 2001 a mostrar-se muito fino e delicado, o 2002 a mostrar que apesar do ano ter sido difícil merece em pleno a designação de "Garrafeira" e o 2004 a ser um dos mais consensuais. Grande vinho.


A seguir, para os Brancos Garrafeira de 2005, 2006 e 2007, uma big frigideira com petingas preparadas de uma forma parecida com uma caldeirada. O 2005 estava muito bem, gostei muito da aptidão gastronómica. O 2006 perde um tudo nada sem deixar de ser excelente. O 2007 foi o mais elogiado de todos. Poderá vir a ter o estatuto de melhor Garrafeira Branco das Bágeiras. É um vinho já esgotado na loja da Quinta e que merece que se procurem umas garrafas para guardar...


Estava na hora de passar aos tintos e à comida do Ricardo. Começámos com uma cabidela de leitão, que estava muito boa e se revelou muito boa companhia para os Garrafeira Tintos de 1991, 1994 e 1995. O 1997, servido em magnum ajudou a "fazer a ponte" para o leitão. Quatro Garrafeiras do século passado em bom nível e que merecem ser provados a solo.  


Estava na hora de tirar os Leitões do forno e de os trazer para a mesa, para passar à segunda ronda da prova de tintos.


Os leitões, para além de terem sido bem escolhidos e superiormente assados, ainda beneficiaram de um tratamento final que não é muito comum. Efectivamente, tenho-me deparado muitas vezes com leitões de bom tamanho e qualidade que até são bem assados mas que depois são trinchados em pedaços grandes, o que estraga tudo. Leitão que é leitão corta-se em quadrados de quatro a cinco centímetros de lado. Como estes, que estavam excelentes, dos melhores que já provei. 


Ns vinhos seguintes, de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005 (em magnum), destaque para o 2001 pela sua juventude e para o 2005 pela elegância e que foram excelente companhia para o leitão.
À sobremesa foi servido um pão de ló que acompanhou mais uns vinhos, como um Espumante de 1995 da Murganheira, um Champagne Louis Roederer Cristal 2002, um Porto Guimarães 1997 (de que apenas apanhei as borras), um Georg Breuer Auslese 2007 e um Bastardinho de Azeitão 30 anos. Com o café, Aguardente vínica das Bágeiras.


Antes de terminar o almoço (já passava da hora do lanche) ainda houve tempo para uns bons momentos de conversa entre os participantes desta prova memorável. Para além dos vinhos, nota mais que positiva para a comida do Sr. Simões e para o belo Leitão do Mugasa preparado pelo Ricardo e, naturalmente para o Mário Sérgio Alves Nuno, que tão bem nos recebeu. Antes de regressarmos, ainda tivemos direito, en primeur, a uma embalagem do mais recente produto da Quinta, um vinagre, embalado num frasco com um vaporizador. De aroma, promete muito, mas ainda não o provei. Impunha-se também uma passagem pela loja da Quinta, para umas (quase) inevitáveis compras.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

4 Fumados, 4 Vegetais e 4 Castas em 4 Actos

Acto I

No cruzamento das Ruas de Fernandes Tomás e do Bonjardim aqui do Burgo, há a Casa Lourenço, depósito de presuntos e queijos... Na verdade é mais do que isso; tem sempre alheiras excelentes e demais enchidos, para além dos presuntos e queijos (e muitos vinhos interessantes, mas vendidos a preços de/para turista). Para lá chegar, o ideal é ir de metro; indo de carro pode-se em geral parar logo a seguir ao cruzamento, em Fernandes Tomás, do lado esquerdo da rua, onde é proibido parar e estacionar... Mas pode-se parar, digo eu. No limite apanha-se uma multa. 

Acto II

Comprei um chouriço, uma morcela de sangue, uma farinheira e uma fatia de barriga fumada (e mais uma coisa ou outra, como alheiras, queijo, mas não comprei vinho, é caro, muito caro). Com o saco na mão, voltei para o W124 e vi que não tinha multa (menos mal). Arranquei e fui até ao outro lado do Burgo a pensar no que ia fazer com esses enchidos... Um cozido! E um Quanta Terra do Celso Pereira que estava a quase € 22 na Casa Lourenço e que de certeza que compraria a € 18 na Garrafeira Tio Pepe. Afinal, não havia. Comprei uma botella de Soalheiro Primeiras Vinhas 2009 e uma outra de 4 Castas do Esporão 2008 (de Alicante Bouschet, Syrah, Petit Verdot e Alfrocheiro) para acompanhar o cozido que decidi fazer.

Acto III

Quatro fumados e quatro castas! Em casa tinha couve, batata e cenoura. Comprei um nabo no Pingo Doce ao lado de casa para completar o terceiro quarteto. Meti um tacho ao lume com água e juntei o quarteto dos fumados. Deixei cozer e fui picando os enchidos (morcela, chouriça e farinheira) com um garfo. Glória aos enchidos, não se desfizeram. Mas largaram as gorduras e aromas para a água (agora quase caldo) da cozedura. Retirei e reservei os fumados e enfiei os legumes no tacho. Deixei cozer e servi.
Que dizer dos fumados? Excelentes! Os legumes portaram-se muito bem como acólitos. Ainda houve uma bela broa que ajudou à festa (a broa do joão, em calvão, uma das minhas broas de eleição). Um singelo cozido de fumados...


Acto IV

Um vinho da Herdade do Esporão, do Dr. José Roquette... Sou meio_fã dos vinhos do David Baverstock, apesar de já ter tido experiências menos boas com vinhos da Herdade, nomeadamente o Touriga Nacional 2005. Este 4 castas aparece muito marcado pelo Petit Verdot que especia muito o vinho. De resto, é um vinho bem feito, com as castas a jogarem pela equipa. Tinto retinto, quase roxo, pede para ser servido fresco (a uns 16º C) porque os 14,5º  de álcool rapidamente o transformam numa sopa. Para quem gosta de Alentejanos puros e duros será boa opção.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Da Carne das Mercês

Depois do Prof. João Vasconcelos Costa ter escrito aqui sobre os picapaus, o Luís Pontes fez o favor de apresentar uma preparação da Carne às Mercês, no Blogue Outras Comidas. Por me ter parecido uma preparação muito interessante, ensaiei-a. Nada do que diga acrescentará seja o que fôr à descrição do Luís, pelo que nem falo da preparação, ou melhor, digo apenas que segui todas as instruções, embora tenha deixado menos tempo a marinar (ficou apenas umas sete horas, tempo apesar de tudo suficiente para a carne ficar pontuada pelo sabor da marinada). Fiz no tacho de barro e na placa, primeiro com o lume muito brando durante cerca de duas horas e finalizei em lume esperto até evaporar o líquido da marinada. 
Servi assim, com umas fatias de pão e um vinho que me pareceu adequado. Que dizer? Mesmo tendo tido alguma pressa na execução (não matei a preparação, mas também não comi a Carne às Mercês) o resultado final é muito agradável. A carne ficou dourada e muito macia por dentro, deliciosa. 

O vinho escolhido para acompanhar este petisco foi o Couteiro-Mor Colheita Seleccionada de 2008. Um vinho da Herdade do Menir, que também tem o Ouzado, provado há pouco tempo aqui e o topo de gama Vale do Ancho que provei já lá vão quase dois anos (aqui). Este Couteiro-Mor é feito com Aragonês, Trincadeira e Castelão. Estagia 4 meses em madeira. Muito focado na fruta, é um vinho redondo e com uma bela aptidão gastronómica. E custa € 3,50. Nota pessoal: 15,5.