terça-feira, 17 de outubro de 2017

O Prazer do Vinho e a Arte do Mário Nuno, o Vigneron das Bágeiras




Almoço de convívio com amigos.

Bolhas da Bairrada feito por quem os trata por tu. Falamos do Mário Sérgio Alves Nuno, um dos mais reputados criadores de vinho de Portugal e uma referência incontornável da Bairrada.

Super Reserva em Magnum, duas de 2014 (saíram mil garrafas numeradas) , uma Double Magnum Velha Reserva 2001 (Edição Limitada, saíram apenas 130)

Grande o Super Reserva, mas o 2001 mostrou que na Bairrada se fazem grandes Vinhos Intranquilos ao nível dos melhores do Mundo.



O Vintage 1994 da Ramos Pinto que se bebeu no fim (e é um Tubarão), complementou bem a refeição.



sexta-feira, 13 de outubro de 2017

3 Brancos Baratos e Muito Bons




Foram quatro meses de pausa aqui no Blog.

Tempo para pensar se vale e pena continuar a ser blogueta/enochato e mandar umas postas sobre vinhos que vou provando ou se deixo isso para os profissionais. 
Recentemente, o "chamado" guru dos vinhos portugueses, aka João Paulo Martins, voltou a malhar (ou marrar) nas pessoas que escrevem sobre vinhos (entrevista aqui). Como não compro o seu (dele) Guia de Vinhos há cerca de dez anos nem o conheço pessoalmente, não liguei muito. 
Com estas recentes alterações das Revistas mais vendidas, não se ganhou grande coisa e nem o Fugas ou a revista do Espesso trazem muito de novo.

Aliás, muitas vezes dou comigo a falar com o meu Pai sobre temas relacionados com vinho e as coisas de que ele fala já foram repetidas à exaustão há uns anos atrás, o que bem revela a falta de assunto no que aos vinhos concerne (salvo algumas excepções, naturalmente).

O povo quer é muito e barato, de preferência tinto do Além-Tejo, daqueles que o Tio Belmiro e o sr. Soares dos Santos vendem ao (aparente) preço da uva mijona, bem gulosos e com teores de álcool a rondar os 15º e que o povo bebe em maus copos e à temperatura ambiente, ou, dito de outro modo, bebem uma sopinha de álcool...

Dito isto e com #vinhosdosamigalhaços retomo a demanda de falar de vinhos que muito pouca gente bebe, embora estes três sejam baratos, fáceis de encontrar e podem ser esquecidos e bebidos daqui a dez anos. São obrigatórios para o enochato ter na garrafeira e passam ao lado dos bebedores que compram o puro do lavrador para beber no ano ou vão às pseudo promoções da moderna distribuição a pensar que compram lebre por gato quando na verdade estão a comprar gato por lebre...




No alinhamento, temos o Quinta das Bágeiras branco 2016. Produzido pelo Mário Sérgio Alves Nuno, custa cerca de cinco euros e é um vinho fora de moda, até para apreciadores de vinhos brancos, mas dá um gozo do caraças à mesa, com uma feijoada de samos e línguas de bacalhau, por exemplo. Guardem-se umas garrafas durante uns quatro ou cinco anos e o vinho cresce e pede um bacalhau no forno ou até um frango igualmente forneado (e daqui a uns vinte anos, estará de "estalo"). Grande vinho da Bairrada! A seguir, temos o Quinta dos Roques branco 2015. Feito pelo Luís Lourenço, é um clássico do Dão que não ganha concursos (fica logo afastado do disparate de ser o melhor vinho do mundo), mas que sabe bem a solo ou a acompanhar comida. Afinfe-se-lhe com um arroz de polvo em modos e ele lá estará para mostrar o que vale. Está no Supercor do ECI a uns modestos três euros e setenta e cinco centimos, por isso é para comprar às caixas e ir desfrutando dele nos próximos vinte anos. Por fim, o Marquês de Marialva Arinto Reserva 2016. Feito pelo Osvaldo Amado na Adega de Cantanhede, é o mais consensual. Passa por madeira (em parte), está no Jumbo a cinco euros e bebe-se com qualquer coisa. Acredito que vá evoluir bem em garrafa, mas nesta fase acompanha bem um pregado no forno. Futuramente, veremos como evolui.



terça-feira, 13 de junho de 2017

Pontual, Vinhos do Alandroal - Prova Horizontal





Já conheço estes vinhos há alguns anos e esta nota de prova apenas peca por tardia, uma vez que os vinhos me foram enviados pelo Produtor há cerca de seis meses. Ainda assim, o tempo de guarda não lhes fez mal nenhum. Um colheita, feito com Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot, um blend de Touriga Nacional e Trincadeira, um monocasta de Syrah, todos de 2014 e um reserva de 2013, feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah e com estágio de um ano em madeira, feitos pelo enólogo Paolo Fiuza Nigra acompanharam um cozido, num almoço com amigos.

São vinhos com um PVP simpático, entre os seis e os dez euros, Fáceis de beber (desde que ligeiramente refrigerados e servidos em bons copos) e de gostar, são vinhos para beber com quem não sabe muito de vinho, mas que agradam a enófilos, enochatos e quejandos. Gostei 😊

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tertúlia de Brancos, Mini Vertical de Pequenos Rebentos Alvarinho e uma Apresentação dos Novos Vinhos do Márcio Lopes num Jantar @ Villazur


Conheço o Márcio Lopes há uns anos e considero-o um Enólogo muito competente, sério e assertivo, para além de ser um amigo. Os Pequenos Rebentos começaram com uma edição limitada a 900 garrafas de um Tourigo feito no Douro em 2008, de que deixei nota aqui, mas foi na Região dos Vinhos Verdes que o Márcio consolidou a marca, a partir de 2010. No Douro Superior faz Ensaios Soltos, Permitido e Proibido e sobre os vinhos vou dando conta aqui no blog..


No passado dia 24 de Maio, teve a amabilidade de convidar alguns amigos para uma prova e jantar no Villazur, em Azurara, Vila do Conde. 


À chegada, PR Alvarinho e Trajadura 2016. Neste momento, o 2015 está mais feito, mas curiosamente voltei a provar este vinho de 2016 uns dias depois, confrontei-o com o aclamado Muralhas de Monção do mesmo ano, que até ganhou um Prémio Internacional recentemente (como relatado aqui) e o Pequenos Rebentos deu-lhe uma abada... Não é coisa pouca, por isso, aconselho a que se guardem umas garrafas para daqui a uns anitos.

Na mini-vertical de Alvarinhos, foi apresentado o 2016, muito correcto e a precisar de tempo em garrafa para mostrar o que vale. O 2015 em grande forma, o 2013 excelente e o 2011 a brilhar. Outra novidade foi o Alvarinho Pequenos Rebentos 2016 à Moda Antiga que vai ser um vinhão...

Para matar tudo, um Permitido Vinha Centenária 2016. Depois do 2015, que, para mim, é um dos grandes brancos do Douro, este parece ainda mais focado em ser um vinho de luxo.


Ao jantar, o Pequenos Rebentos Loureiro Vinhas Velhas 2016 com as entradas, fantástico, o Permitido 2015 já referido acima a acompanhar um arroz de polvo com filetes do mesmo e um Pequenos Rebentos Alvarinho Edição Limitada 2015 a acompanhar uma versão da posta mirandesa. Ligou tudo muito bem, a comida estava boa e para a sobremesa, um vinho desconcertante; Loureiro Fortificado 2016. Não sei se vai ser comercializado, mas foi uma bela surpresa.


No fim, a foto. Obrigado ao Márcio e ao Ricardo e aos restantes presentes que ajudaram a que este fosse um jantar memorável.

sábado, 3 de junho de 2017

Prova Vertical Quinta de Arcossó Reserva Branco (2008 a 2015)




Foi um almoço porreiro a provar vinhos muito bons. Um obrigado ao Jorge Neves por ter trazido os vinhos e outro aos que se deram ao trabalho de os vir provar a minha casa, com a minha comida.


Nas entradas, um presunto espanhol da loja do tio belmiro que não deslumbrou, azeitonas com um fio de azeite e orégãos da loja do sr soares dos santos, porreiras, uma bola de carne da Confeitaria Doce Fada, bem boa e um pudim de pescada, feito assim quase como este...

Começámos pelos mais novos e há um Grande Reserva 2015 (quase um welcome drink) que abriu a prova. Muito novo, promete; Já o Reserva do mesmo ano, está porreiro, mas a precisar de tempo em garrafa.


Com o pudim de pescada no prato, ensaiámos o 2014. Mais cordato, mas ainda novo; quando abrimos o 2013, uma desilusão. TCA presente, mas pode ter sido um defeito da garrafa, naturalmente. Ainda assim, deu para perceber que começa a estar no ponto...


Com uma açorda de Gambas, o 2012, porreiro, equilibrado, amigo do copo e do prato. Depois desse abrimos o 2011, talvez o melhor da prova, um vinhão...


Com o empadão de bacalhau, fomos ao 2010, muito correcto (um dos meus preferidos), ao 2009 (muito bom) e ao 2008. Todos em grande forma.

Não vou dar notas, mas deixo a opinião do Sérgio que já falou dos vinhos aqui...

São vinhos que merecem guarda, muito bem feitos e com uma boa relação qualidade preço. Gostei muito desta prova.

Antes da sobremesa, ainda se abriu um Romano Cunha de 2009. Tinto transmontano a merecer prova atenta...



Para sobremesa, um creme de chocolate com pimenta rosa e flor de sal a acompanhar um Quinta do Infantado LBV 2011




No fim da refeição, um Dow's Vintage 2000, de sonho.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Trilogias, as feitas e as que virão - breve reflexão...



Mea Culpa, aliciei a Ana Gomes e o Luís Pontes para um projecto que começou a 10 de Novembro de 2010 a que chamámos de Trilogias; durou apenas três anos, fizemos uma pausa no mesmo dia, em 2013. Foram quase 500 receitas, propostas ou o que quiserem em 158 semanas...
Ainda assim, foram três anos de gozo, de dedicação, de interacção, de algum pasmo. Falhei algumas, louvo o Luís e a Ana por serem mais cumpridores e agradeço a disponibilidade para terem aguentado esse tempo todo. Podíamos ter feito um livro de receitas, mas isso seria demasiado óbvio. Fica a pegada na internet e chega (pelo menos para mim).

Em Janeiro deste ano, realiciei-os e eles prontamente aceitaram o desafio. Retomámos as nossas postagens de quarta feira e somámos 18 no dia 24 de maio passado. São 176 no total e mais uma vez falhei algumas, mas isso, IMHO, não retira o mérito ao projeto.

Ainda assim, ficam as que podia ter feito e publicado a tempo, como a nº 174, a das couves, com uma deliciosa sopa de cozido...


Ou a nº 175, que nem é carne nem é peixe, com uns pimentos de Padron a preceito...


Em relação às Trilogias, voltaremos, penso...








domingo, 30 de abril de 2017

Quinta da Serradinha, os Vinhos do António Marques da Cruz



 
 
Vinhos do António Marques da Cruz, feitos perto de Leiria. Rosé 2015, já referido aqui, continua a apaixonar. O Branco de 2014 é grave e sério, pede um bacalhau no forno e merece guarda. O tinto 2010, de que dei nota aqui, continua em excelente forma. Grande surpresa foi o tinto de 1999, novo novo novo, completamente improvável. Um vinhão...
 
A abrir, um bolhas São Domingos Cuvée Bruto e a fechar, um Late Harvest das Franças e de 2003, fantástico...
 
 

His name is Mendes, Hugo Mendes



 
O Hugo Mendes é enólogo, faz belos vinhos na Quinta da Murta, mas tem uma visão muito própria do que a região de Lisboa pode dar no que concerne aos vinhos brancos. Arinto e Fernão Pires (a Maria Gomes da Bairrada) deram o mote para uma aventura, em nome pessoal e com Lisboa no rótulo. Não é coisa pouca... 

 
Depois de uma pré venda ou en primeur, se preferirem, o Hugo enviou garrafas a alguns enochatos para provarem o vinho. Eu convidei o meu amigo Jorge Romualdo para almoçar, fiz uma variação do Bacalhau à Conde da Guarda, abri um Quinta da Murta 2012 (que está muito bom) e depois abri a garrafa do vinho do Hugo, ainda a acompanhar a refeição e a deixar um bocadinho para o fim. Seco, austero e mineral, é capaz de precisar de uns anos na garrafa para mostrar o que realmente vale. Gostámos muito do vinho, é mais ou menos o que eu esperava deste bebé do Hugo. Quando sair para o mercado, vai ter muita procura, por isso, não será fácil de encontrar. Terá um PVP recomendado de € 15,00, plenamente justificado. Grande vinho, ainda de gatas, mas vai ter pernas para andar e correr...

 
 
(esta foto foi "roubada" no Fakebook do Hugo, para se ver o rótulo)
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Trutas de Baião em Escabeche | Collares Branco 2012 (Trilogia 172)


Nesta trilogia nº 172, a Ana deu o mote a mim e ao Luís: Meti na cesta um(a), a evocar piqueniques ou quejandos e que me apeteceu desconstruir e apresentar duas coisas que vieram parar cá a casa, mas trazidas por amigos que até as podiam ter metido num cesto e que embora não tenham tido o privilégio de terem maridado juntas, ligaram com outras coisas mais ou menos boas. Mas acredito que esta ligação da comida e do vinho ia dar enorme prazer...


 
Provaram-se umas trutas de Baião feitas em escabeche, que funcionaram lindamente como entrada num almoço. Carne firme, muito boa execução, a pedirem um vinho fresco e com acidez vibrante, como um Collares Branco de 2012 da Viúva Gomes. Dois clássicos de outros tempos, que agora ganharam o estatuto de quase raridade.

 
Claro que não me importava de levar um cesto assim para um almoço ligeiro...



 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Provas #8


Dão, Douro, Bairrada e Alentejo num almoço...

 
  • Quinta do Perdigão Encruzado 2011. Sério, bem feito, desenvolveu umas interessantes notas de tosta, ao fim de quase seis anos após a colheita. Gostei;
  • Quinta da Pedra Escrita 2010. Vinho Regional Duriense proveniente de vinhas situadas em solo granítico a 575 m de altitude, está um branco muito composto. Foi a primeira colheita, feito pelo Rui Roboredo Madeira e esta aí para as curvas. Muito porreiro;
  • Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2004. Para mim, um dos melhores vinhos que o Mário Nuno já fez. Com quase treze anos, continua a espalhar classe e tem anos e anos pela frente. Um monstro da Bairrada;
  • Grou 2004. Predomina aqui o Alicante Bouschet num vinho desenhado pelo Anselmo Mendes no Alentejo. Foi a primeira edição do Vinho e continua em grande forma;
  • Quinta do Infantado Vintage 1985. Saiu para o mercado há 30 anos, ainda o João Roseira e o Luís Soares Duarte eram putos e a Fátima Ribas era um bebé. Não estava na forma esperada, mas ao fim de tanto tempo, cada garrafa é uma garrafa. Fica a curiosidade ☺
 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Creme de Chocolate (Trilogia 171)


Esta semana foi a minha vez de propor o tema à Ana e ao Luís: É fruta ou Chocolate...

 
Apeteceu-se simplificar e fiz um creme de chocolate. Uma tablete de chocolate para culinária (a gosto, com mais ou menos cacau, é ir experimentando) que se derrete em banho maria. Junta-se açúcar a gosto, deixa-se arrefecer um bocado e juntam-se três a quatro ovos. Querendo, pode juntar-se um pouco de casca de laranja ralada. Envolve-se com a batedeira ou com a vara de arames e leva-se ao frigorifico durante um par de horas.
 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Brancos do Alentejo by João Portugal Ramos




 
Loios, Pouca Roupa, Marquês de Borba e Vila Santa Reserva são os quatro vinhos que saem da adega de João Portugal Ramos em Estremoz.
 
Em prova, o Loios e o Marquês de Borba, brancos e de 2016, acabados de chegar ao mercado.
 
O Loios encontra-se em toda a parte e custa três euros. É feito com Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro vinificado em inox e tem uns cordatos 12,5º de álcool. Fresco, cítrico e mineral, tem tudo para ser comprado às caixas e ter uma garrafa na porta do frigorifico para beber um copo quando apetecer e para acompanhar comidas frescas de verão. Tem das melhores relações qualidade/preço do mercado e ao preço, é um dos meus preferidos.
 
O Marquês de Borba custa cerca de cinco euros e é feito com Arinto, Antão Vaz e Viognier. Tem 12,5º de álcool, é feito em inox e tem boas notas cítricas, algumas notas tropicais e uma complexidade acrescida mas que, IMHO o torna menos interessante do que o Loios, uma vez que ao preço, já se encontram brancos bem porreiros. Mas em casa a acompanhar um bacalhau no forno ou no restaurante, desde que seja vendido a um preço cordato, é uma boa escolha. A culpa não é do vinho, é do Loios que custa metade do preço e anda assustadoramente próximo em qualidade e aptidão gastronómica.
 
Ocorre-me agora que gostava de provar estes vinhos já com alguma idade e aí o Marquês de Borba é bem capaz de se destacar...
 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Provas #7



No provas #7, sete a gosto...

 
 
  • Quintas dos Roques Espumante Bruto Rosé 2010. Um projecto do Luís Lourenço que foi descontinuado. Ainda em muito boa forma, deu muito prazer a beber. Belo bolhas...
  • Salvora Albariño 2013. Feito por Rodrigo Mendez, é um vinho de sonho. Curiosamente, não foi unanime a opinião. Eu gostei e pronto. Grande Vinho;
  • Morgado de Santa Catherina 2011. Arinto de Bucelas, um dos melhores brancos portugueses, em grande forma;
  • Rovisco Garcia Reserva 2013. Porreiro e competente, sem deslumbrar;
  • CR&F Garrafeira Bairrada 1980. Prometia, mas não cumpriu. Mas ao fim de tantos anos, cada garrafa é uma garrafa. Fica a curiosidade;
  • Quinta do Infantado LBV 2009. João Roseira e Fátima Ribas, com o Luís Soares Duarte, fazem dos melhores LBV's do mercado. Tão bom. Para beber e guardar;
  • Quinta das Bágeiras Grande Reserva Espumante Bruto Natural 2011. Um bolhas muito sério, feito pelo Mário Sérgio Alves Nuno. Se ainda o encontrar, compre...
 
 
 

Provas #6



 
Um bolhas e um Porto que estão no mercado, um branco e um tinto que nem por isso, compuseram um almoço...
  • Murganheira Malvasia Fina 2011. Está novo que se farta... Ao preço (cerca de €13,00 nas ditas grandes superfícies) prefiro o Velha Reserva da casa, mas este bebe-se com evidente prazer. Para beber e guardar...
  • Encostas do Enxoé 2008. Um Monocasta de Roupeiro (Síria) alentejano que continua em grande forma. É pena estar a acabar...
  • Luís Pato Vinha Barrosa 2001. Sempre em grande forma, é um dos meus vinhos preferidos dos que são feitos pelo Eng. Luís Pato. Baga e Bairrada a seduzir...
  • Quinta do Infantado LBV 2011. Num ano de sonho, o João Roseira e a Fátima Ribas fizeram um vinho que não exagera nas notas químicas, bebe-se muito bem, embora se deva deixar a repousar umas garrafas durante uns anos. Para comprar às caixas...
 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Trilogia 170 com Português Suave e uma Açorda de Bacalhau


 

Nesta semana, para responder à sugestão do Luís, eu e a Ana fomos a um Português Suave.
 
E lembrei-me dos espigos de couve e de como se dão bem numa açorda de bacalhau; um prato quase sem tempero e a que um bom azeite acrescenta sabor e arranca humms a quem prova...

 
Simples de fazer, cozem-se as partes baixas ou laterais do bacalhau em abundante água. Retira-se o bacalhau, deixa-se arrefecer um bocado e limpa-se de peles e espinhas. Entretanto, escolhe-se um pão "amanhecido" e depois de o desfazer em pedaços pequenos, deixa-se a amolecer na água onde o bacalhau cozeu. Tendo espigos de couve, escolhem-se e escalfam-se. Escorrem-se e reservam-se.
 
Num tacho de fundo grosso, verte-se um fundo de azeite e alho picado a gosto. Quando o azeite começar a borbulhar, adiciona-se o pão e a água de cozer o bacalhau e vai-se mexendo até o pão estar macio. Está na hora de juntar os espigos de couve, remexer e adicionar o bacalhau. Querendo, tempera-se com pimenta a gosto e deixa-se em lume brando a harmonizar sabores. Serve-se com bom azeite e umas azeitonas a enfeitar...
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mix de Receitas na Trilogia 169


Quando a Ana lançou o tema desta trilogia a mim e ao Luís, deu-me vontade de provocar e fazer uma misturada de variações sobre o tema "o porquinho foi à horta... e eu também"...

 
Rojões à moda do Minho, com o sangue de porco cozido, temperado com azeite e alho, como comi há mais de 30 anos em Penacova, servido à parte. Favas a acompanhar, apenas com azeite e alface a compor o ramalhete.

 
Achei piada a esta preparação. Cozinha de fundição...
 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Prego em Bolo do Caco - Trilogia 168

 
Esta semana, coube-me a mim apresentar o tema à Ana e ao Luís e escolhi sandochas.
 
Aproveitei para fazer um prego como costumo fazer, mas aqui com bolo do caco, que um dia destes ainda passa a chamar-se de bolo CR7...
 
Deitei um fio de azeite numa frigideira, levei ao lume forte e juntei um bife com um dedo de espessura, de carne mirandesa. Temperei com sal marinho,  mistura de pimentas e um pouco de molho de malagueta de que tinha falado aqui.

 
Juntei uma folha de louro e deixei alourar o bife, mas preservando a sua suculência.

 
Retirei o bife, juntei um dente de alho esmagado e um pouco de mostarda, refresquei com um pouco de vinho branco e deixei reduzir o molho.

 
Entretanto, depois de deixar a carne repousar, cortei-a em fatias.

 
Quando o molho reduziu, passei o bolo do caco no molho e juntei o bife.

 
Servi assim, sem mais, a acompanhar uma cerveja.

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Trilogia 167 - Arroz de Polvo e Zarate Tras da Viña Albariño 2014



 
Quando o Luís lançou o desafio a mim e à Ana para fazermos "Comeres daqui e dali", achei por bem fazer um prato que normalmente me sai bem. Arroz de Polvo...
 
Comecei por cozer um polvo congelado com pouco mais de um quilo, daqueles que se apanham ali entre Muxia e Camariñas, acima do Cabo Fisterra, na Galiza e que se compram no PD. Para cozer o polvo, limitei-me a meter um fundo de água num tacho, mandei o polvo lá para dentro e fui vigiando a cozedura (cerca de 40 minutos em lume brando, depois de levantar fervura). Reservei a água e cortei o polvo em pedaços.
Piquei uma cebola, dois dentes de alho e umas tiras de pimento vermelho para um tacho, cobri com azeite e deixei a estrugir, com umas rodelas de chouriço, um pouco de molho de malaguetas e pimentas várias grosseiramente esmagadas no almofariz. Juntei um pouco de polpa de tomate, salsa picada a gosto, refresquei com vinho branco e deixei estufar durante cerca de 45 minutos.
Quando o estrugido estava no ponto, adicionei duas chávenas de chá de bom arroz carolino e seis chávenas de água bem quente. Deixei levantar fervura, mexi e juntei mais salsa. Cinco minutos depois, adicionei o polvo, mexi e deixei em lume muito brando durante mais cinco minutos. Desliguei a placa e deixei mais uns três minutos a harmonizar sabores e servi.
 

 
No copo, um Albariño de sonho, o Zarate Tras da Viña 2014. Fresco e mineral, diferente de todos os Alvarinhos daqui do País. Nada de notas de fruta tropical, nada de pau, quase nada de nada. Austero e a precisar de tempo na garrafa, ligou muito bem com o prato. Grande, grande vinho...
 
 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Prova Vertical de Duorum


Duorum, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. João Perry Vidal. Almendra, Vila Nova de Foz Côa. Quinta de Castelo Melhor.


 
Esta é capaz de ter sido a primeira prova vertical dos vinhos Duorum do Eng. José Maria Soares Franco feita fora de portas.
 
O primeiro Duorum foi feito em 2007 e agora temos o 2014 no mercado. Em breve sairá o 2015. Provei todos os vinhos, pouco depois de saírem para o mercado e gosto. Com um PVP de dez euros nos hipermercados, compra-se a menos de oito em garrafeiras ou no Site Grandes Vinhos.
 
No ano passado provei o 2011 e gostei muito. Tinha as colheitas de 2010 a 2014 e pedi à empresa os 2007, 2008 e 2009, que foram prontamente enviados (Obrigado).

Depois de algum tempo, lá fizemos a vertical. Foi cá em casa e o Sérgio Costa Lopes já deu nota de prova no Contra Rótulo...
 
Gostei de ver e provar. O 2014 ainda estava muito novo, mas depois de ser decantado, melhorou muito. Em destaque os 2013 e 2012, excelentes. O 2011 estava a léguas de distância da garrafa que abri o ano passado (em agosto de 2016 estava um vinhão), mas se calhar está numa fase parva e ainda se vai mostrar. O 2010 também não estava na melhor forma. Os mais velhos estavam muito porreiros (embora o 2009 tivesse muito depósito e o 2007 um toque de TCA) e agradaram.
 
São vinhos com carácter, embora estejam feitos para o grande mercado. O PVP é adequado, como se espera dos vinhos produzidos pelo Eng. João Portugal Ramos. Grande Prova...


 
 
 
 

Trilogia 164 - Molho de Malaguetas




"África - Do Atlas à Boa Esperança"

Este foi o tema que o Luís lançou para a nossa aventura nº 164 a 3. O Luís fez um prato inspirado na cozinha de São Tomé e a Ana cruzou referências de Cabo Verde e de Moçambique.
Eu fui menos ambicioso e fui apenas explorar a parte picante da coisa.
Embora o Luís tenha feito um belo post sobre Malaguetas e Goa, já lá vão mais de oito anos, foi em conversa com amigos que estiveram em Africa, com o meu Pai e com algumas recordações do molho de Piri-Piri que acompanhava uma espécie de Jardineira de Galinha que a minha Mãe fazia na panela de pressão, que deram o mote para este "molho"...
 
Malaguetas (vermelhas, com cerca de 4 cm)
Azeite
Whisky (novo)
Sal Marinho
 
Simples e directo. Tirei a parte de cima das malaguetas e enfiei-as num frasco. Juntei sal e um pouco de whisky, mexi e cobri com azeite (de Valpaços, não filtrado, do Pingo Doce). Fechei o frasco e reservei. Dará molho...
 
 
 
 
 
 


Trilogias 165 e 166, Conservas Engalanadas e uma Ida ao Mar para Arranjar o Jantar



 
Este é um prato que cumpre duas Trilogias, das que são feitas comigo, a Ana e o Luís.
 
Na primeira, Bacalhau é conserva e grão de bico compra-se no frasco ou na lata, conservado...
Na segunda é igual, podemos ir ao mar, mas podemos sempre ficar de prevenção e ter algo pronto, caso não se pesque nada...
 
A Meia-Desfeita é um prato fantástico de Lisboa e foi esse que escolhi para cumprir este dois em um...
 
Grão, a gosto;
Bacalhau demolhado e cozido;
Ovo, cozido;
Cebola, alho e salsa picada, bom azeite, vinagre (gosto muito do Oliveira Ramos), sal e pimenta a temperar;
Azeitonas a guarnecer (querendo).
 
Coze-se o bacalhau e o ovo num tacho, sobre cama de grão conservado. Pica-se uma cebola, dois dentes de alho e um raminho de salsa, tempera-se com sal e pimenta e envolve-se com bom azeite. Reserva-se. Faz-se uma base de grão no prato, cobre-se com o bacalhau em lascas e o ovo cortado em rodelas. Deita-se o molho e guarnece-se com azeitonas. (adaptação livre da receita da Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto, pag. 202).
 
 
 
No copo, um Pequenos Rebentos Loureiro 2016. Acabado de engarrafar, precisa de uns meses para se mostrar, mas já proporciona boa prova.

 
 
 
 
 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tiago Cabaço e uma mini Vertical dos .beb

 
Prova sugerida pelo Sérgio, Autor do Blog Contra Rótulo e que já falou aqui dos vinhos, pelo que não tenho quase nada a acrescentar.

 
Jantar porreiro e boa comida no Big Bife, onde somos sempre bem recebidos pelo Vítor. Os .beb estão acima dos .com e abaixo dos blog, custam cerca de sete euros e meio a garrafa e são vinhos que precisam de algum tempo para se mostrarem. Unanimemente, gostámos dos mais velhos. São vinhos bem feitos, frescos e amigos da mesa.

 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Provas #5



 
Tenho lido muitos escritos acerca da vantagem de provar vinhos novos ou vinhos velhos e fui retendo que é com o tempo que se começa a gostar de vinhos velhos. Em relação a brancos, sejam  tranquilos ou bolhas, cada vez gosto mais; já os tintos, ainda me vão fazendo alguma confusão e se há alguns anos atrás, os preferia beber em novos, agora, cada vez gosto mais de lhes dar tempo para se mostrarem.
 
Num almoço recente, abri um Cava (é o que os espanhóis chamam aos bolhas) chamado Codorniu Reserva Raventós, um Bruto com apenas 11,5º de álcool da colheita de 1997. É daqueles vinhos que não se esquecem. Parece que tem menos quinze anos, tal é a vitalidade do vinho. Fantástico.
Depois, a "aperitivar", um Prova Régia Reserva 2010. Arinto e Bucelas pedem tempo e este, embora ainda esteja aí para as curvas, já está um vinhão...
Passando a uns bifes da vazia feitos quase como estes, uma Calda Bordaleza 2008 da Casa Campolargo. Um dos bons vinhos da Bairrada, embora feito com castas de fora, naturalmente. Em excelente forma...
Já depois do café, uma coisa muito especial. Murganheira tinto Garrafeira 1970. Um vinho quase da minha idade, ainda com algum vigor. Para ir beberricando a acompanhar uma conversa.
 
 

 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Salada de Orelha de Porco (Trilogia 162)

Nesta Trilogia que publico com um algum atraso (espero que desculpável) fui eu a sugerir o tema à Ana e ao Luís:
 
"Economia a todo o custo sem poupar na qualidade da comida"


 
Aproveitei para fazer um dos meus pratos favoritos. A orelha de porco é das peças mais baratas do bácoro e depois de devidamente limpa e cozida em água e sal, fatiada a gosto e metida numa saladeira com abundante azeite, cebola e salsa picada (a que se pode juntar um fiozinho de vinagre de vinho branco e um pouco de pimenta de caiena, querendo), deixa-se um par de horas num local fresco e come-se assim, com boa broa, até lamber os dedos.
 
Love It...
 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Provas #4


Esta foi uma épica prova...
 
Para tentar acompanhar a excelência dos vinhos, tive a responsabilidade de fazer uma entrada (um polvo parecido com este), estufar dois rabos de boi vindos de Espanha (eram quase sete quilos de chicha e que foram preparados mais ou menos assim, tirando o facto de terem precisado de quase quatro horas de tacho) e para a sobremesa fazer um clássico bolo de amêndoa e chila (uma derivação deste) que tem cativado quase toda a gente que vai partilhando comigo almoços e jantares. E se em relação à cozinha, nada de novo, dos sete vinhos em prova, só conhecia o Espumante das Caves São João, o 91 Anos de História. Todos os outros foram muito agradáveis surpresas.
 
 
 
  • Para começar, um Quinta do Encontro Special Cuvée 2013, ainda com a cápsula e com o degorgement a ser feito aqui em casa, pelo José Carneiro Pinto, Grande bolhas do Osvaldo Amado, que trata o Arinto na Bairrada como o Hugo Mendes o trata em Bucelas, com o devido respeito. Creio que este 2013 ainda não está no mercado, mas mesmo em novo, encantou;
  • Seguimos com um 91 anos de História, das Caves São João. Outro bolhas de estalo, que me encanta sempre que o provo;
  • Já com o Rabo de Boi, rumámos à Catalunha e ao Priorat. Perinet+ Plus 2004 e 2005, produzidos pelo Joan Manuel Serrat (este, para quem não conhece). Feitos com Cariñena, Garnacha e Syrah de vinhas com mais de oitenta anos, deslumbram pela concentração aliada à elegância. Grandes, grandes vinhos;
  • Ainda se abriu um Clos Martinet 2002, feito com Garnacha, Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. Mais guloso que os Perinet, esteve muito bem no copo, enquanto se acabava o rabo do boi.
  • Da Catalunha rumámos ao Canadá e atacámos um IceWine, o Inniskillin Founder's Reserve Chenin Blanc 1999. Ali entre as cataratas do Niagara e o Lago Ontário, pouco acima da Big Apple, saem vinhos de sonho. Excelente com a sobremesa;
  • Para acabar, um Quinta do Noval Vintage 2014. Tinha saído para o mercado nessa semana e que dizer de um dos mais míticos Portos? Nada (tão bom...)