quinta-feira, 27 de abril de 2017

Trutas de Baião em Escabeche | Collares Branco 2012 (Trilogia 172)


Nesta trilogia nº 172, a Ana deu o mote a mim e ao Luís: Meti na cesta um(a), a evocar piqueniques ou quejandos e que me apeteceu desconstruir e apresentar duas coisas que vieram parar cá a casa, mas trazidas por amigos que até as podiam ter metido num cesto e que embora não tenham tido o privilégio de terem maridado juntas, ligaram com outras coisas mais ou menos boas. Mas acredito que esta ligação da comida e do vinho ia dar enorme prazer...


 
Provaram-se umas trutas de Baião feitas em escabeche, que funcionaram lindamente como entrada num almoço. Carne firme, muito boa execução, a pedirem um vinho fresco e com acidez vibrante, como um Collares Branco de 2012 da Viúva Gomes. Dois clássicos de outros tempos, que agora ganharam o estatuto de quase raridade.

 
Claro que não me importava de levar um cesto assim para um almoço ligeiro...



 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Provas #8


Dão, Douro, Bairrada e Alentejo num almoço...

 
  • Quinta do Perdigão Encruzado 2011. Sério, bem feito, desenvolveu umas interessantes notas de tosta, ao fim de quase seis anos após a colheita. Gostei;
  • Quinta da Pedra Escrita 2010. Vinho Regional Duriense proveniente de vinhas situadas em solo granítico a 575 m de altitude, está um branco muito composto. Foi a primeira colheita, feito pelo Rui Roboredo Madeira e esta aí para as curvas. Muito porreiro;
  • Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2004. Para mim, um dos melhores vinhos que o Mário Nuno já fez. Com quase treze anos, continua a espalhar classe e tem anos e anos pela frente. Um monstro da Bairrada;
  • Grou 2004. Predomina aqui o Alicante Bouschet num vinho desenhado pelo Anselmo Mendes no Alentejo. Foi a primeira edição do Vinho e continua em grande forma;
  • Quinta do Infantado Vintage 1985. Saiu para o mercado há 30 anos, ainda o João Roseira e o Luís Soares Duarte eram putos e a Fátima Ribas era um bebé. Não estava na forma esperada, mas ao fim de tanto tempo, cada garrafa é uma garrafa. Fica a curiosidade ☺
 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Creme de Chocolate (Trilogia 171)


Esta semana foi a minha vez de propor o tema à Ana e ao Luís: É fruta ou Chocolate...

 
Apeteceu-se simplificar e fiz um creme de chocolate. Uma tablete de chocolate para culinária (a gosto, com mais ou menos cacau, é ir experimentando) que se derrete em banho maria. Junta-se açúcar a gosto, deixa-se arrefecer um bocado e juntam-se três a quatro ovos. Querendo, pode juntar-se um pouco de casca de laranja ralada. Envolve-se com a batedeira ou com a vara de arames e leva-se ao frigorifico durante um par de horas.
 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Brancos do Alentejo by João Portugal Ramos




 
Loios, Pouca Roupa, Marquês de Borba e Vila Santa Reserva são os quatro vinhos que saem da adega de João Portugal Ramos em Estremoz.
 
Em prova, o Loios e o Marquês de Borba, brancos e de 2016, acabados de chegar ao mercado.
 
O Loios encontra-se em toda a parte e custa três euros. É feito com Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro vinificado em inox e tem uns cordatos 12,5º de álcool. Fresco, cítrico e mineral, tem tudo para ser comprado às caixas e ter uma garrafa na porta do frigorifico para beber um copo quando apetecer e para acompanhar comidas frescas de verão. Tem das melhores relações qualidade/preço do mercado e ao preço, é um dos meus preferidos.
 
O Marquês de Borba custa cerca de cinco euros e é feito com Arinto, Antão Vaz e Viognier. Tem 12,5º de álcool, é feito em inox e tem boas notas cítricas, algumas notas tropicais e uma complexidade acrescida mas que, IMHO o torna menos interessante do que o Loios, uma vez que ao preço, já se encontram brancos bem porreiros. Mas em casa a acompanhar um bacalhau no forno ou no restaurante, desde que seja vendido a um preço cordato, é uma boa escolha. A culpa não é do vinho, é do Loios que custa metade do preço e anda assustadoramente próximo em qualidade e aptidão gastronómica.
 
Ocorre-me agora que gostava de provar estes vinhos já com alguma idade e aí o Marquês de Borba é bem capaz de se destacar...
 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Provas #7



No provas #7, sete a gosto...

 
 
  • Quintas dos Roques Espumante Bruto Rosé 2010. Um projecto do Luís Lourenço que foi descontinuado. Ainda em muito boa forma, deu muito prazer a beber. Belo bolhas...
  • Salvora Albariño 2013. Feito por Rodrigo Mendez, é um vinho de sonho. Curiosamente, não foi unanime a opinião. Eu gostei e pronto. Grande Vinho;
  • Morgado de Santa Catherina 2011. Arinto de Bucelas, um dos melhores brancos portugueses, em grande forma;
  • Rovisco Garcia Reserva 2013. Porreiro e competente, sem deslumbrar;
  • CR&F Garrafeira Bairrada 1980. Prometia, mas não cumpriu. Mas ao fim de tantos anos, cada garrafa é uma garrafa. Fica a curiosidade;
  • Quinta do Infantado LBV 2009. João Roseira e Fátima Ribas, com o Luís Soares Duarte, fazem dos melhores LBV's do mercado. Tão bom. Para beber e guardar;
  • Quinta das Bágeiras Grande Reserva Espumante Bruto Natural 2011. Um bolhas muito sério, feito pelo Mário Sérgio Alves Nuno. Se ainda o encontrar, compre...
 
 
 

Provas #6



 
Um bolhas e um Porto que estão no mercado, um branco e um tinto que nem por isso, compuseram um almoço...
  • Murganheira Malvasia Fina 2011. Está novo que se farta... Ao preço (cerca de €13,00 nas ditas grandes superfícies) prefiro o Velha Reserva da casa, mas este bebe-se com evidente prazer. Para beber e guardar...
  • Encostas do Enxoé 2008. Um Monocasta de Roupeiro (Síria) alentejano que continua em grande forma. É pena estar a acabar...
  • Luís Pato Vinha Barrosa 2001. Sempre em grande forma, é um dos meus vinhos preferidos dos que são feitos pelo Eng. Luís Pato. Baga e Bairrada a seduzir...
  • Quinta do Infantado LBV 2011. Num ano de sonho, o João Roseira e a Fátima Ribas fizeram um vinho que não exagera nas notas químicas, bebe-se muito bem, embora se deva deixar a repousar umas garrafas durante uns anos. Para comprar às caixas...
 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Trilogia 170 com Português Suave e uma Açorda de Bacalhau


 

Nesta semana, para responder à sugestão do Luís, eu e a Ana fomos a um Português Suave.
 
E lembrei-me dos espigos de couve e de como se dão bem numa açorda de bacalhau; um prato quase sem tempero e a que um bom azeite acrescenta sabor e arranca humms a quem prova...

 
Simples de fazer, cozem-se as partes baixas ou laterais do bacalhau em abundante água. Retira-se o bacalhau, deixa-se arrefecer um bocado e limpa-se de peles e espinhas. Entretanto, escolhe-se um pão "amanhecido" e depois de o desfazer em pedaços pequenos, deixa-se a amolecer na água onde o bacalhau cozeu. Tendo espigos de couve, escolhem-se e escalfam-se. Escorrem-se e reservam-se.
 
Num tacho de fundo grosso, verte-se um fundo de azeite e alho picado a gosto. Quando o azeite começar a borbulhar, adiciona-se o pão e a água de cozer o bacalhau e vai-se mexendo até o pão estar macio. Está na hora de juntar os espigos de couve, remexer e adicionar o bacalhau. Querendo, tempera-se com pimenta a gosto e deixa-se em lume brando a harmonizar sabores. Serve-se com bom azeite e umas azeitonas a enfeitar...
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mix de Receitas na Trilogia 169


Quando a Ana lançou o tema desta trilogia a mim e ao Luís, deu-me vontade de provocar e fazer uma misturada de variações sobre o tema "o porquinho foi à horta... e eu também"...

 
Rojões à moda do Minho, com o sangue de porco cozido, temperado com azeite e alho, como comi há mais de 30 anos em Penacova, servido à parte. Favas a acompanhar, apenas com azeite e alface a compor o ramalhete.

 
Achei piada a esta preparação. Cozinha de fundição...
 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Prego em Bolo do Caco - Trilogia 168

 
Esta semana, coube-me a mim apresentar o tema à Ana e ao Luís e escolhi sandochas.
 
Aproveitei para fazer um prego como costumo fazer, mas aqui com bolo do caco, que um dia destes ainda passa a chamar-se de bolo CR7...
 
Deitei um fio de azeite numa frigideira, levei ao lume forte e juntei um bife com um dedo de espessura, de carne mirandesa. Temperei com sal marinho,  mistura de pimentas e um pouco de molho de malagueta de que tinha falado aqui.

 
Juntei uma folha de louro e deixei alourar o bife, mas preservando a sua suculência.

 
Retirei o bife, juntei um dente de alho esmagado e um pouco de mostarda, refresquei com um pouco de vinho branco e deixei reduzir o molho.

 
Entretanto, depois de deixar a carne repousar, cortei-a em fatias.

 
Quando o molho reduziu, passei o bolo do caco no molho e juntei o bife.

 
Servi assim, sem mais, a acompanhar uma cerveja.

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Trilogia 167 - Arroz de Polvo e Zarate Tras da Viña Albariño 2014



 
Quando o Luís lançou o desafio a mim e à Ana para fazermos "Comeres daqui e dali", achei por bem fazer um prato que normalmente me sai bem. Arroz de Polvo...
 
Comecei por cozer um polvo congelado com pouco mais de um quilo, daqueles que se apanham ali entre Muxia e Camariñas, acima do Cabo Fisterra, na Galiza e que se compram no PD. Para cozer o polvo, limitei-me a meter um fundo de água num tacho, mandei o polvo lá para dentro e fui vigiando a cozedura (cerca de 40 minutos em lume brando, depois de levantar fervura). Reservei a água e cortei o polvo em pedaços.
Piquei uma cebola, dois dentes de alho e umas tiras de pimento vermelho para um tacho, cobri com azeite e deixei a estrugir, com umas rodelas de chouriço, um pouco de molho de malaguetas e pimentas várias grosseiramente esmagadas no almofariz. Juntei um pouco de polpa de tomate, salsa picada a gosto, refresquei com vinho branco e deixei estufar durante cerca de 45 minutos.
Quando o estrugido estava no ponto, adicionei duas chávenas de chá de bom arroz carolino e seis chávenas de água bem quente. Deixei levantar fervura, mexi e juntei mais salsa. Cinco minutos depois, adicionei o polvo, mexi e deixei em lume muito brando durante mais cinco minutos. Desliguei a placa e deixei mais uns três minutos a harmonizar sabores e servi.
 

 
No copo, um Albariño de sonho, o Zarate Tras da Viña 2014. Fresco e mineral, diferente de todos os Alvarinhos daqui do País. Nada de notas de fruta tropical, nada de pau, quase nada de nada. Austero e a precisar de tempo na garrafa, ligou muito bem com o prato. Grande, grande vinho...