segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Terras d' El Rei Branco 2008

Depois de ter falado no "teste" aos vinhos brancos do Alentejo, feito pela DECO e publicado na última Proteste, era natural que eu fosse avaliar da bondade desse teste e da mais valia para o consumidor. Tendo a Revista aconselhado o Pêra Manca 2007, o Selecção de Enófilos e o Terras d´El Rei, acabei por comprar este último. O Pêra Manca está a € 25,00 (e não me apetece mesmo comprar), o Selecção dos Enófilos a € 1,89 (mas só nos supermercados Intermarché e, mesmo assim não em todos) e o Terras d'El Rei que encontrei num Pingo Doce a € 1,19.

Um vinho da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (CARMIM) feito com uvas de Antão Vaz, Síria, Rabo de Ovelha e Perrum provenientes de parcelas de vinhas dos sócios da Cooperativa previamente definidas e com vindima manual. Na Adega, os cachos são desengaçados e as uvas esmagadas. Depois são adicionadas enzimas extrativas e as massas são arrefecidas até aos 10º C, repousando durante oito horas. Depois são prensadas e o mosto clarificado por decantação. Após este processo, a temperatura é estabilizada nos 15º C, são adicionadas leveduras seleccionadas e inicia-se a fermentação que dura duas a três semanas. Finda a fermentação, faz-se a transfega e inicia-se o processo de estabilização e clarificação. (transcrição livre da ficha técnica)

O vinho aparece parco de aromas... alguma fruta fresca e confitada. Na boca é fresco, mas curto e algo adstringente. Os 13º de álcool não se notam muito, apesar do vinho parecer ter sido diluído ém água, o que contribui para se confundir com um refresco que não é. Simples, sem defeitos, mas desinteressante. Beneficia com prévia decantação e copos decentes, mas pouco. Ainda assim, o facto de custar apenas € 1,19 e ser bebível, já abona em seu favor. Excelente para sangrias, para marinadas e outras preparações culinárias ou para quem não goste de cerveja... Entre beber meia garrafa deste Terras d'El rei ou um copinho de Pêra Manca, preferia o Pêra Manca.

Entrecosto de Porco Preto no Forno e Quinta de Roriz Reserva 2004

Este Quinta de Roriz Reserva 2004 foi apresentado na última edição da Revista de Vinhos de que falei aqui três post's abaixo e ficou na minha lista de boas relações qualidade/preço. Resolvi prová-lo a acompanhar um entrecosto de porco preto que barrei com uma pasta feita com banha de porco, sal, alho e pimenta. Levei ao forno em tabuleiro de barro com batatas novas com pele. Deitei também um pouco de vinho branco. Foi servido assim, com um esparregado de espinafres a acompanhar.



Quanto ao vinho... A marca "Quinta de Roriz" aparece pela primeira vez no mercado em 1999, com o Quinta de Roriz Tinto 1996, feito por António Agrellos, o Arquitecto dos Vinhos da Quinta do Noval. Entrou na escolha de José António Salvador dos 100 melhores vinhos do ano. Custava 2.820$00 (€ 14,10) em 1999. Este de 2004 foi desenhado por Charles Symington e Pedro Correia e é feito com Touriga Nacional (55%), Touriga Franca (35%), Tinta Roriz e Tinto Cão (5% de cada). Estagiou um ano em pipas novas de Carvalho Francês, tendo sido engarrafado em Outubro de 2005. Com os quatro anos que leva de garrafa, está macio e envolvente e foi um excelente acompanhamento para este entrecosto. O preço... Depois do Reserva 2003 ter sido comercializado a cerca de € 23,00 este 2004 já aparece a € 12,50 (Garrafeira Nacional). Nota pessoal: 17.

Açorda de Camarões e Herdade do Perdigão Reserva Branco 2008

Este Herdade do Perdigão Reserva Branco já há algum tempo que estava na calha para ser provado, depois de ter provado o tinto de 2001 aqui... Na verdade, não me lembrava de ter provado alguma das edições anteriores, embora o 2007 tivesse estado algumas vezes para ir parar ao cesto das compras. Não foi, acabou por ser este 2008 e logo para acompanhar uma açorda de camarões que foi feita assim, baseada numa anteriormente postada aqui:

Cozi camarões com casca em água temperada com um pouco de sal, malagueta e pimenta. Retirei os camarões, reservei a água da cozedura e descasquei-os. Reservei os camarões e e levei de novo ao lume a água da cozedura a que juntei as cabeças e as cascas. Deixei ficar em lume brando, enquanto fatiei pão já um pouco duro (usei o miolo do chamado "pão da padeira", uns pães com cerca de 500 g e parecido com o pão de água). Noutro tacho, deitei um fundo de azeite e alho esmagado; deixei o alho aromatizar o azeite e retirei o alho. Entretanto, coei a água onde cozi o camarão e deitei parte por cima do pão. Levei o pão ao tacho e fui mexendo e adicionando a água aos poucos até obter uma "papa" macia. Juntei os camarões e servi de imediato. Estava para juntar coentros, mas decidi não o fazer, depois de ter provado o vinho.




Este Herdade do Perdigão é feito com uvas da casta Antão Vaz, fermenta em barricas de carvalho Francês e estagia durante seis meses na madeira. Apresentou algumas notas de fruta, mas o pendor era mais vegetal no início. Muito elegante, com a madeira no ponto certo (para mim) de presença, revelou-se pleno na boca e a terminar longo e delicioso. Mais austero que comunicativo, mas a dar uma bela prova. Um belo vinho. (PVP: cerca de € 13). Nota pessoal: 17.

sábado, 28 de novembro de 2009

Mais Patetices da DECO

Há um ano atrás, a DECO brindou os leitores da Proteste com um belo artigo sobre vinhos tintos da Bairrada que tinha referido aqui.



Um ano depois, na última Proteste, a DECO analisou 34 vinhos brancos do Alentejo com indicação geográfica e 16 com denominação de origem.
Claro que mediram em laboratório uma série de coisas, como o título alcoométrico volúmico adquirido, a acidez volátil e total, os açúcares totais, o dióxido de enxofre livre e total e o ácido sórbico. Verificaram se a rotulagem era completa e esclarecedora. Mas a cereja no topo do bolo foi mesmo terem constituído um júri de amadores e profissionais que em prova cega se pronunciaram sobre a limpidez, cor, aroma e sabor de cada vinho, de forma a conhecer a probabilidade de os vinhos agradarem e também, detectar eventuais defeitos, tendo ainda o painel “profissional” determinado o período óptimo de consumo de cada vinho.

Os 50 vinhos escolhidos por tão distinta publicação pertencem (dizem) às marcas mais importantes e colheitas recentes disponíveis no mercado aquando da publicação da revista.

Todo o artigo dá vontade de rir, ou de chorar… Parece que a informação do rótulo e o respeito pelas normativas legais são mais importantes que o produto/vinho. Aliás, quando referem prova cega, não dizem mais nada… Quem provou?
Naturalmente, o Pêra Manca ganhou, nove pontos à frente do Lóios e se se optar por uma das escolhas acertadas deles, o Terras d’el Rei, poupa-se 8,87 € face ao Esporão Reserva…

Mais um péssimo serviço prestado aos consumidores, mas pelo menos este ano não disseram que em vez de se comprar uma garrafa de Pêra Manca se podiam comprar 21 garrafas de Terras d’el Rei…

Deixo apenas o top-ten. Boas compras...




Tanto rigor e nem quiseram ver que os vinhos classificados em 9º e 10º lugar estão trocados (o preço mínimo do Redondo Roquevale é inferior ao Selecção dos enófilos), o que em rigor tiraria o estatuto de escolha acertada que deram ao Selecção dos enófilos. Quem ganha com isto é o Intermarché que vai vender muitas garrafas aos "consumidores esclarecidos" que até vão agradecer pelo "serviço" que lhes foi prestado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vinhos Tintos de Topo do Douro, by RV



Na última edição da Revista de Vinhos foi apresentada uma prova de vinhos tintos de topo do Douro, na sua maioria de 2007. Dos sessenta e nove vinhos provados, cinquenta e dois eram de 2007, dez de 2006, quatro de 2005 e três de 2004). Os preços de referência variam entre os € 8,30 e os € 79,00 e as classificações entre os 16 e os 18.5 (com sete vinhos notados com 16, treze com 16.5, vinte e dois com 17, vinte com 17.5, seis com 18 e apenas um com 18.5).

Vinhos por anos:

2007 – 52
2006 – 10
2005 – 4
2004 - 3

Vinhos por classificações:

18.5 – 1
18 – 6
17.5 – 20
17 – 22
16.5 – 13
16 - 7

Depois de ter lido as notas de prova resolvi fazer uma tabela onde listei os vinhos por grupos, consoante a classificação obtida e ordenei-os por preços.
Foi uma coisa, assim tipo DECO e que até podia ser pateta, mas que na verdade ajudou a perceber que num patamar de qualidade idêntico (decorrente do rigor e isenção das classificações dadas pelo painel de provadores da RV) aparecem propostas com preços a variar e muito (mas isto é só mesmo para dar uma ajudinha nas idas às compras).
Uma das coisas que salta imediatamente à vista é que os vinhos com pontuações mais altas (acima de 18) são todos de 2007 e mesmo no grupo dos vinte notados com 17.5, apenas aparecem dois de 2006, sendo os restantes de 2007.

Fazendo outro desdobramento, o vinho mais bem classificado (18.5) é proposto a € 30,00 e nos grupos seguintes temos valores entre:

18 – Entre os € 22,00 e os € 60,00;
17,5 – Entre os € 12,00 e os € 79,00;
17 – Entre os € 9,00 e os € 70,00;
16.5 – Entre os € 8,30 e os € 45,00;
16 – Entre os € 15.00 e os € 45,00.

Continuando a “brincar”, considerei como razoável o valor de € 30,00 para o vinho classificado com 18.5 valores e fui à procura de vinhos que fossem ficando mais baratos € 5.00 nos grupos seguintes, ou seja:

18.5 - € 30,00;
18 - até € 25,00;
17.5 - até € 20,00;
17 - até € 15,00;
16.5 - até € 10,00;
16 – Não se aplica porque único vinho abaixo dos € 10,00 teve 16.5.

Isto tudo para ver se meio ponto da RV pode valer € 5,00. Claro que isto é manipulação gratuita de números e não se pode tratar assim o vinho, como se fosse um electrodoméstico. Ainda por cima fiz isto sem pensar de que vinhos estaria eu a processar informação nem a que preço aparecem efectivamente no mercado…


Depois disto, fui ver o resultado:




Nada mau. Ainda fico com 14 rótulos dentro dos limites que estabeleci. Se os vou comprar todos? Não! Se penso em comprar outros que não cabem nesta lista? Claro…

Mas é uma bela lista, com:

18.5:
Poeira 2007, do Jorge Moreira.

18:
Quinta das Tecedeiras, Reserva 2007, da Dão Sul;
Quinta do Infantado Reserva 2007, do João Roseira;
Ázeo Reserva 2007, do João Brito e Cunha.

17.5:
Passagem Reserva 2007, da Sandra Bergqvist;
Dados Reserva 2007, da Messias;
Corpus 2007, da Gabriela Canossa;
Quanta Terra 2007, do Celso Pereira;
Tapadinha Grande Reserva 2007, de Domingos Alves de Sousa.

17:
Carm Reserva 2007, da Casa Agrícola Roboredo Madeira;
Curva 2006, da Sogevinus;
Quinta de Roriz Reserva 2004, de Charles Symington;
Quinta da Fronteira, da Companhia das Quintas.

16.5:
Palato do Côa Reserva 2007, de Sampaio e Melo Cabral.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A Demanda da Alheira de Caça e o Pombal do Vesúvio 2007

Mais uma proposta com alheira de caça... Estas foram compradas na Baixa do Porto, numa casa no gaveto da Fernandes Tomás com a Rua do Bonjardim. No meio de todas as alheiras que estavam em exposição, comprei umas de caça de Vinhais que tinham um aspecto óptimo. Ao contrário do que costumo fazer com as alheiras de supermercado, estas foram para uma frigideira com apenas umas gotas de azeite a lume médio e com a pele... Deixei-as fritar na pouca gordura que iam largando e não se desfizeram. Para acompanhar, em vez das batatas cozidas e salteadas e os grelos, optei por fazer um arroz de portobellos, bem malandro. Num tacho, deitei cebola picada e um pouco de azeite. Salteei a cebola e juntei um pouco de polpa de tomate e vinho branco; deixei em lume brando enquanto cortei os cogumelos em pedaços e juntei os cogumelos e arroz carolino, bem como um pouco de água a ferver (aproximadamente o triplo do arroz). Deixei cozer o arroz e servi.



Este prato foi feito a pensar no Pombal do Vesúvio, a segunda marca da Quinta do Vesúvio, da familia Symington e situada em Foz Côa. Feito com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Amarela, é elegante, cheio de fruta e muito bem estruturado. Os 14º de álcool não incomodam nada. Proposto a cerca de 12 €, está muito bem. Nota pessoal: 16,8.

domingo, 22 de novembro de 2009

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2007

1 - Quinta dos Roques

2 - Touriga Nacional

3 - 2007

Esta conjugação de factores é muito séria.

Os vinhos da Quinta dos Roques (e Maias), do Luís Lourenço são dos mais respeitados e venerados do Dão.
O Encruzado consegue, ano após ano, afirmar-se como uma das referências dos brancos Portugueses. Nos tintos, o Touriga Nacional e o Reserva brilham onde quer que apareçam.
Na feira de vinhos de Nelas, comprei uma garrafa deste Touriga Nacional 2007 para cometer mais um crime de infanticídio (o vinho só devia ser aberto daqui a uns dois anos). Resolvi acompanhar com um singelo bife grelhado, batatas novas assadas com a casca e um esparregado de espinafres. Nada de especial ou muito elaborado, porque a idéia era mesmo deixar brilhar o vinho.




E se brilhou... Decantado duas horas antes, ainda estava fechado, com notas vegetais e de lagar; abriu, tímido, mostrando alguma fruta, mas sempre longe dos esperados aromas florais da Touriga Nacional (numa prova cega até passava por blend). Violáceo, pujante e arrebatador. Cheio na boca e com um belo final, longo... Para voltar a provar daqui a uns anos... Não será o melhor dos infantes de 2007, mas nem por isso deixa de ser um caso sério. Nota pessoal:17.
(PVP: cerca de € 25)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Grão com Carne de Porco e Quinta do Carmo 2002

Esta preparação, apesar de ser feita com massa e grão não tem nada a ver com o rancho à Moda de Viseu. Ainda assim é uma forma agradável de harmonizar as partes gordas do porco com a massa e o grão num prato que, embora pesado, nesta altura do ano sabe bem. E este foi feito para provar um Quinta do Carmo de 2002.

No talho pedi para cortarem entrecosto, rabo, orelha e chispe de porco em pedaços pequenos. Deixei em sal de um dia para o outro, demolhei e cozi a carne, juntamente com chouriço de carne e morcela da Beira Baixa. Num tacho, deitei um fundo de azeite, cebola picada grosseiramente e alho esmagado e deixei a cebola ficar transparente; juntei um pouco de pimenta, polpa de tomate e malagueta. Deixei ficar um pouco em lume brando e depois juntei as carnes e grão de bico cozido; voltei a deixar mais um pouco e juntei macarronete riscado. Deixei a massa ficar al dente e servi.



"Os antigos vinhedos deram a notoriedade aos vinhos Quinta do Carmo. Desde 1992, os Domaines Barons de Rotschild (Lafite) e mais tarde o sócio Senhor Comendador José Berardo, levaram à propriedade o seu renascimento, sendo acompanhado de novas plantações e de uma adega renovada.
Plantadas em terrenos argilo-xistosos, as castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Castelão, complementadas agora com Cabernet Sauvignon e Syrah no vinho da Quinta do Carmo, com renome pela sua concentração e elegância.
Os métodos de cultura e vinificação respeitam a tradição, com integração das novas tecnologias que permitem exprimir o melhor da tipicidade do Alentejo.
O vinho passa por um estágio de um ano em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado na Quinta."
(tirado do contra-rótulo).

Este Quinta do Carmo é um clássico do Alentejo. Este 2002 já foi provado algumas vezes e está em muito boa forma. Os seus 14º quase não se notam, a madeira está elegantemente presente; alguma fruta, taninos domados. Dá muito prazer a beber.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ao Encontro do Entrecosto

Há algum tempo atrás, ensaiei uma harmonização de entrecosto de porco com morcelas da Beira Alta/Guarda (aqui) e agora resolvi revisitar esta preparação, com algumas variações. Desta vez fritei entrecosto de porco cortado em cubos, ligeiramente marinado em vinho branco, pimenta e alho, em banha de porco. Fritei as batatas na mesma gordura e salteei em seguida umas rodelas de Morcela da Guarda. Servi com um pouco de salsa picada.



E escolhi um vinho que à partida não será consensual, mas tal como no leitão à Bairrada, este Espumante Bruto da Quinta do Encontro, com a sua acidez e as bolhinhas veio a mostrar-se bela wine-pairing.

Sabores que os vinhos Dão

"Sabores que os vinhos Dão" é o nome de uma publicação patrocinada pela Câmara Municipal de Nelas, com coordenação do Chefe Hélio Loureiro. Apresentada aquando da realização da 18ª Feira de Vinho do Dão, que decorreu de 4 a 6 de Setembro deste ano, apresenta mais de 50 receitas da Cozinha Tradicional da Beira Alta, bem escolhidas e explicadas e uma inteligente e atenta selecção de Vinhos do Dão para as acompanhar. A edição foi de apenas 2.000 exemplares.

Do Prefácio, escrito pelo João Paulo Gouveia (Grão Mestre da Confraria dos Enófilos do Dão), pode ler-se o seguinte:

"As combinações entre comida e vinhos não são rígidas pois as regras são apenas básicas. Também a forma como se cozinham os ingredientes condicionam a escolha do vinho. O melhor para se combinar é conhecer o mais possível tanto o vinho como a comida e saber que os pratos não são estáticos. Não pare de experimentar, pois ao combinar pratos com diferentes vinhos terá dois mundos de surpresas. Não se esqueça de ter atenção às temperaturas de serviço, aos copos e, claro à boa companhia."