quinta-feira, 11 de junho de 2009

Panga, Peixe Gato - riscado ou a riscar?



O texto que transcrevo abaixo anda por aí a circular:


"O Peixe gato ou panga: a nova aberração da globalização 

O panga é um novo tipo de peixe que encontramos sobretudo sobre a forma de filetes, a um preço muito barato(?).O panga é um peixe de cultura intensiva/industrial no Vietname, mais exactamente no delta do rio Mekong e está a invadir o mercado devido ao seu preço.

Eis o que deve saber sobre o Panga:

Os Pangas estão infestados com elevados níveis de venenos e bactérias. (arsénio dos efluentes industriais e tóxicos e perigosos subprodutos do crescente sector industrial, metais contaminantes, bifenilos poli clorados (PCB), o DDT e seus (DDTs), clorato, compostos relacionados (CHLs), hexaclorocicloexano isómeros (HCHs), e hexaclorobenzeno (HCB)).

O rio Mekong é um dos rios mais poluídos do planeta.

Não há nada de natural nos Pangas - Eles são alimentados com peixes mortos restos e ossos de secas e de solo numa farinha, da América do Sul, a mandioca (mandioca) e resíduo de soja e grãos. Obviamente, este tipo de alimentação não sã não tem nada a ver com a alimentação num ambiente natural.

Ela mais não faz do que assemelhar-se ao método de alimentação das vacas loucas (vacas que foram alimentadas com vacas, lembra-se?) A alimentação dos pangas está completamente desregulada.. O panga cresce 4 vezes mais rápido do que na natureza ...

Além disso os pangas são injetados com PEE -alguns cientistas descobriram que se injectassem as fêmeas pangas com as hormonas femininas derivados de desidratado de urina de mulheres grávidas, a fêmea Panga produziria os seus ovos muito rapidamente e em grande quantidade, o que não aconteceria no ambiente natural (uma Panga passa a produzir assim aproximadamente 500.000 ovos de uma vez). Basicamente, são peixes com hormonas injectáveis (produzidas por uma empresa farmacêutica na China) para acelerar o processo de crescimento e reprodução. Isso não pode ser bom.

Ao comprar pangas estamos a colaborar com empresas gigantes sem escrúpulos e gananciosas que não se preocupam com a saúde e o bem-estar dos seres humanos.

Este comercio está a ser aceite por grandes superfícies que os vendem ao público em geral, sabendo que estão a vender produtos contaminadas.

Nota: devido à prodigiosa quantidade de disponibilidade de Pangas, este irá acabar noutros alimentos: surimi (aquelas coisas com pasta de peixe), peixe terrines e, provavelmente, em alguns alimentos para animais. ( cães e gatos!)"


Depois de ter lido algumas patetices em fóruns e blogues, fui ver do fundamento de algumas afirmações do texto. Parece-me que isto foi começado (ou, pelo menos potenciado) pelos pescadores Galegos que referem ter mandado analisar o peixe num laboratório acreditado.

Na verdade, o Parlamento Europeu, depois de ter sido questionado sobre a eventual toxicidade do peixe gato, pediu o resultado das análises (entretanto passaram-se dois anos). A ASAE, ao ser questionada, apenas refere que não é mais perigoso comer panga do que comer outro qualquer produto de aquacultura.

Pronto, é tudo. Se há pessoas que são ingénuas ao ponto de pensarem que se o peixe fosse mesmo tóxico entrava nos circuitos comerciais, bem que podiam procurar informação nos sítios certos. Eu não consumo, como aliás, deixei de consumir as ameijoas vietnamitas, desde que há algum tempo as preparei e sabiam mal...


Já agora, deixo um link para este artigo do El Pais...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Caldeirada de Borrego para dois Patos (Lewis and Donald)

No receituário tradicional Português, a carne de ovelha aparece em geral, apenas em preparações quase "de circunstância"; num aldrabo da beirã chanfana, num alentejano ensopado (preferencialmente de jovem borrego).
Esta proposta cruza a preparação da "nossa" caldeirada (de peixe, claro) com a adição de whisky (a "receita" original é do meu pai...)

Assim, num tacho, deitei um fundo de azeite, sal marinho, cebola em rodelas, alho esmagado, pimento vermelho em tiras, polpa de tomate, pimenta (branca e preta, passada no almofariz), um pouco de louro em folha, o borrego cortado em pedaços a fazer uma camada, mais cebola e pimento, as batatas (de polpa amarela - Desirée - cortadas em rodelas com um centímetro de espessura) a fazer a camada final... Juntei whisky (meia garrafa=35cl) e levei a lume brando. Quando o conteúdo do tacho levantou fervura, juntei um pouco de água a ferver até cobrir o preparado. Mantive em lume brando, sem mexer (ia só abanando o tacho) até as batatas estarem cozidas e macias, mas sem se desfazerem (a adição de álcool ao preparado, impede que as batatas se desfaçam)...



A caldeirada ficou fantástica, com as costeletas do borrego extremamente macias e sápidas...



e com uma parte da perna, absolutamente deliciosa...



Para acompanhar esta "caldeirada", um vinho de Luís Pato... O Vinha Barrosa 2001.
Já provado algumas vezes e sempre a mostrar-se em grande nível... A rolha, ao fim de oito anos está nova.
O vinho foi decantado, ligeiramente refrigerado (16º C) e servido; apresenta-se muito jovem na cor. No nariz, Baga, Baga, Baga (algumas notas de mentol, BTW) em suprema elegância. Na boca, fino e cheio (um paradoxo para o Eng. Luís Pato explicar) e mais Baga e mais elegância e muita estrutura, e muita complexidade; um final longo, uma enorme apetência gastronómica, a merecer em pleno a nota da Senhora Jancis Robinson (18, assino por baixo).

Ah, e parabéns ao Pato Donald - faz 75 anos, eh eh

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Adega de Pegões Arinto e Antão Vaz 2008 com mais Caril (de Camarão - inho)

Esta harmonização não foi planeada. Andava a ver das novidades no escaparate de vinhos do Jumbo e deparei-me com este Adega de Pegões... Arinto e Antão Vaz 2008 (€ 4,79). Não conhecia. Tinha provado o colheita seleccionada branco 2008 (aqui) e tinha gostado bastante. Este não tinha Chardonnay; presumi que tivesse um perfil um pouco mais austero... Uma garrafa saltou para o cesto das compras.



Como ainda não tinha pensado no jantar, dei uma volta pelo supermercado a pensar o que iria fazer para acompanhar este vinho. Ao passar na zona dos congelados, vejo camarão descascado pequeno... Pensei, porque não? Sabor não tem, mas com caril, apenas há que preservar a textura (isto surgiu porque tenho andado a ensaiar caris e acompanhamentos vínicos para as preparações) - "Era mais um saco de camarão descascado para o cesto, por favor". Num tacho (já em casa) deitei um fundo de azeite, cebola picada e alho esmagado e deixei estufar; juntei vinho branco, mexi e deixei em lume brando a reduzir o molho. Tinha deixado os camarões a descongelar; retirei o tacho do lume, passei o molho com a varinha e levei outra vez a lume brando; juntei caril e os camarões e deixei em lume muito brando.

Acompanhamento, arroz branco. Noutro tacho, deitei um pouco de azeite e arroz carolino; deixei fritar o arroz, mexendo com uma colher de pau, juntei água quente e deixei o arroz cozer. Servi.



Este vinho apresentou-se muito exuberante no nariz, com muitas notas de fruta tropical; na boca, a madeira perfeitamente integrada, com boa acidez e um final medio. Notei que o vinho é muito "guloso" e algo doce - com este caril safou-se bem, mas com outros pratos, nem sei (nota pessoal: 15)

domingo, 7 de junho de 2009

Bolo de Leite Condensado e Amêndoa

Por aqui, os doces não marcam presença de uma forma assídua, nem são nada de muito elaborado; ainda assim, fiz este bolo:

6 ovos
1 lata de leite condensado
150g de açúcar
125g de manteiga
180g de amêndoa moída

Bati os ovos com a manteiga, juntei o leite condensado e as amêndoas e deixei homogeneizar a mistura. Deitei numa forma de fundo removível, untada com manteiga e levei ao forno a 160º C, protegido com pelicula de alumínio.

Depois de frio, cobri com um creme feito com meio pacote de natas e cerca de 150g de chocolate.





Sugestão de acompanhamento, este excelso Moscatel de Setúbal, Superior de 1962, da Casa José Maria da Fonseca. (nota pessoal: 18,5+)

sábado, 6 de junho de 2009

Entrecosto de Porco no Forno com Caril para Pedra Cancela Reserva 2006

Este entrecosto foi feito assim:

_no almofariz esmaguei alguns dentes de alho, uns grãos de pimenta e sal marinho e deitei numa caixa de plástico; juntei o entrecosto e vinho branco a cobrir e deixei a marinar no frigorífico umas horas. Num tabuleiro de barro, deitei o entrecosto e o líquido da marinada, juntei banha de porco e batatas novas sem pele e levei ao forno pré-aquecido a 170º. Fui virando e regando a carne até esta estar macia e com a pele estaladiça.



Reservei a carne e parte do molho e levei as batatas a alourar; deitei o molho num tacho, deixei levantar fervura e juntei caril; baixei o lume e deixei reduzir. Fatiei a carne e servi com as batatas e o molho.



Este prato foi feito a pensar numa harmonização com um Pedra Cancela Reserva 2006, do João Paulo Gouveia. O Pedra Cancela Branco já foi provado algumas vezes, como os Reservas Tintos de Touriga Nacional. Deste Reserva (de blend), só tinha provado o de 2004, pelo que o 2006 era um ilustre desconhecido para mim.

do contra-rótulo:

"Pedra Cancela é uma parcela da Quinta do Vale do Dão localizada em Oliveira de Barreiros, onde a excelência das condições edafo-climáticas proporcionam o esplendor e complexidade das castas recomendadas da Região Demarcada do Dão. Resulta de um lote de três castas: Touriga Nacional, Aragonêz e Alfrocheiro caracterizando-se por uma cor intensa, suportada por uma matriz complexa onde se combinam uma diversidade e concentração aromas, fruto da selecção criteriosa das melhores uvas e de uma avaliação contínua do seu estado de maturação.
Apreciar este vinho a uma temperatura de 18-20º C acompanhado por carnes nobres, peças de caça e queijos é descobrir na plenitude toda a diversidade de aromas de um Dão, onde todo o processo desde o labor da vinha, vinificação, estágio e engarrafamento resume-se à procura incessante da perfeição. Por tratar-se de um produto natural está sujeito a criar depósito com o envelhecimento em garrafa. Trata-se de uma produção exclusiva e limitada de 9.600 garrafas cabendo a esta garrafa o nº 5262."




Bem, que dizer? Uma bela cor quase violácea; muita estrutura, a madeira muito polida, a exuberância do "tourigo" pouco presente. Pleno na boca, com final longo e persistente. Um belo Dão, com uma excelente aptidão gastronómica, ainda muito jovem, a pedir guarda, mas a dar já muito prazer na prova. (nota pessoal: 16,5+)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

2º Aniversário do Blogue... Cabidela de Frango e Altas Quintas 2004

Pois, parece que este é o 2º aniversário deste canto...

Não parece haver grandes motivos para comemoração, mas ainda assim, porque não ir jantar? E foi-se, ao Big Bife, "morfar uma cabidela de frango", bem feita (claro)...



E com um Altas Quintas 2004, que se apresentou em boa forma... Já o provei algumas vezes e sempre lhe vi maiores aptidões gastronómicas que as do seu irmão "reserva", mais caro. (mais informação, aqui) Em síntese, um alentejano a harmonizar muito bem com uma minhota preparação (nota pessoal:17)



God Bless the Blog, eh eh eh

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Chocos e Anti-Chocos de Santar

Depois de ter postado aqui a prova que fiz do Casa de Santar Branco Reserva 2007, vi o "colheita" 2008 à venda e decidi provar o vinho.

Deitei azeite numa frigideira com alho picado e deixei alourar o alho sem deixar queimar... retirei o alho e fui juntando os choquinhos apenas temperados com sal. Salteia e reserva...



À parte, cozi umas batatas...



Servi os chocos salteados com as batatas atacadas de maionese...



O Santar Branco 2008 foi uma bela surpresa; feito com encruzado, cerceal e bical, com apenas 12,5º, revelou-se um vinho muito educado no nariz, a apresentar as castas e pleno de frescura na boca, com final interessante. (Nota Pessoal: 15,5)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Polvo com Molho Verde - Palhada - 1 Rosé

Com este calor ou tosta ou o que seja que tem estado, a vontade é mesmo de comer e beber coisas frescas.
E para fresco, que tal um polvo com molho verde? Coze-se o polvo (não o deixo cozer muito, apenas até ficar macio e trincável), corta-se em pedaços pequenos e verte-se numa saladeira, com cebola picada e muita salsa. Para aromatizar, gosto de azeite aquecido numa frigideira com dentes de alho esmagados (apenas o tempo do azeite ganhar o sabor do alho, sem que este queime) e não deito vinagre nenhum.

(Já agora, deixo aqui um alerta para o azeite aromatizado com alho... Tenho visto muita patetice e embandeiramento em arco por essa blogosfera fora. Leiam isto, por favor).



Claro que o meu acompanhamento natural para este polvo é pão, ou broa de milho (há quem goste de batatas cozidas, o que também me parece bem), mas aqui, quis experimentar uma "palhada by me"... A palhada anda por aí e consiste numa mistura de salada de alface com puré de batata (aqui, a da Isabel). Fui misturando puré de batata (frio) com a salada de polvo... Uma delícia!



Para acompanhar um "Vale do Rico Homem" rosé 2008; feito em exclusivo para o grupo Jerónimo Martins na Adega do Monte dos Perdigões por Pedro Baptista e com oito castas (Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Caiada, Touriga Nacional, Aragonez e Petit Verdot). Quando vi oito castas (8?) pensei que tinham feito o vinho com as sobras, mas não, o vinho é muito interessante, com pouco "rebuçado", muito guloso, muito fresco... para o preço (€ 3,49 no pingo doce) é bem interessante. (Nota Pessoal: 15,5).

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um Bacalhau Armado EnCruzado de Cabriz

Finalmente, o Branco Encruzado 2008 da Quinta de Cabriz chegou à Invicta...

Já tinha provado o 2007 e a expectativa em relação a este 2008 era muito razoável. Não tanto pela qualidade absoluta, apesar dos bons encómios da crítica, mas pela relação qualidade/preço (o 2007 foi comprado a pouco mais de € 5,00 em Viseu e este 2008 a € 5,99 no Jumbo).

Assim, fiz um prato de bacalhau que me pareceu adequado ao perfil do encruzado... (e sem seguir nenhuma das 1001 ou 1002 receitas "canónicas").

Cozi bacalhau, escalfei couve branca e no tabuleiro de barro, deitei azeite, alho, broa de milho, o bacalhau lascado, a couve e levei ao forno; fui virando e deixando harmonizar sabores e dourar...



Quanto ao Encruzado Cabriz 2008, ainda muito novo... algo fechado, a pedir guarda, por alguns meses (nota pessoal: 15,5, para já). Ainda assim, o vinho promete. Um dia destes, provam-se os 2007 e 2008, quanto ao 2007, nota de prova aqui)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Estufado de Coelho para Esporão Reserva 1997

O coelho não é carne que entre muito na minha (des)dieta; efectivamente, a minha preparação preferida é mesmo "à Caçador". Ainda assim, de vez em quando sabe muito bem...

Este foi feito de uma forma mais simples e despretensiosa; parti em pedaços e deixei a marinar com alho, pimentão doce e um pouco de vinho branco por umas horas. No tacho, deitei azeite e cebola, juntei o coelho e o líquido da marinada, vinho tinto a cobrir a carne e deixei estufar lentamente até a carne estar cozida e macia e o molho ter reduzido. Servi com puré de batata aromatizado com noz moscada.



Para acompanhar um Herdade do Esporão Reserva 97. Já provei este vinho algumas vezes e fico sempre surpreendido pela forma como alia o natural desenvolvimento e evolução com uma frescura e complexidade que o tornam um parceiro natural para este estufado.