quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Da Longevidade dos "Vinhos Verdes" e da Bondade do Douro... Notas de um Almoço




 
Cada vez está mais na moda falar de vinhos, mas quem fala, quase nunca sabe bem do que fala. Um clássico é a "diferenciação" entre verdes e maduros (disparate).
 
A região dos Vinhos Verdes oferece-nos neste momento, grandes vinhos.
Um Vinha antiga de 2003 feito de Alvarinho, mostrou-se são, bem evoluído, quase treze anos após a colheita, muito porreiro para acompanhar umas entradas (salmão fumado, melhor com pastas de fígados, por aí).
Outro Alvarinho, saído das sábias mãos de Anselmo Mendes no ano maldito de 2002 ficou para o fim, a acompanhar uns queijinhos. Melhor, mais complexo do que o Vinha Antiga, mantem uma frescura e acidez notáveis ao fim de quase catorze anos.
 
Outro clássico, aqui vindo de quem sabe, é que os vinhos de mesa do Douro não aguentam grande guarda...
Subscrevo, mas provar o primeiro Quinta da Touriga Chã, de 2001 a acompanhar o almoço (um lombo de porco recheado, batatas assadas e legumes salteados) deu-me uma nova visão. Claro que há grandes vinhos no Douro com enorme capacidade de evolução em cave, mas durante anos foram parkerizados, cheios de fruta quase compotada enquanto novos, com as sedutoras notas da madeira nova em que estagiaram. Nada disso se aplica a este vinho... Madeira muito bem integrada, frescura e acidez no ponto, um bouquet de sonho e excelente aptidão para acompanhar comida. Pena é que que não será nada fácil abrir outra garrafa...
Da Quinta do Crasto saem grandes vinhos e o Vinha Maria Teresa de 1998 foi a primeira edição de um dos mais cobiçados vinhos do Douro. Servido no fim do almoço, deu para alimentar uma boa conversa sobre vinhos. Este é outro vinho que não devo voltar a provar...
 
No inicio, como welcome drink, o mais que competente Espumante Quinta do Ortigão Reserva 2010, feito pelo Osvaldo Amado, que é um Senhor no que concerne às bolhinhas. Qualquer dia fica a ser conhecido pelo Sr. Espumante :)
 
E para finalizar, um Gold Label com café e tal. Depois do Vinha Maria Teresa não fazia sentido beber mais vinho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Márcio Lopes, um Vigneron



 
O Márcio é um jovem enólogo (tem 33 anos) que trata a região dos vinhos verdes por tu (trabalhou com Anselmo Mendes) e tem no seu portfolio os Pequenos Rebentos, desde 2010. Alvarinhos, Alvarinhos com Trajadura são a sua imagem de marca já lá vão mais de cinco anos. Mete os vinhos no mercado (muito restrito) a tempo e horas, mas guarda algumas garrafas para lançar mais tarde (caso do Alvarinho 2010 Edição limitada, lançado recentemente e já esgotado) para que se perceba que os grandes vinhos brancos de Portugal precisam de tempo para se mostrarem.
 

 
 
E no Douro também faz belos vinhos, como o Proibido, o Permitido e os Ensaios Soltos, um branco de viozinho de 2011 e um tinto de tourigo de 2010 que deslumbram.
 
Vinhos sem maquilhagem, a mostrar a origem, o terroir, com enorme aptidão gastronómica.
 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Reguengos Licoroso 2010



 
É sempre uma aventura fazer vinhos fortificados fora do Douro, da Península de Setúbal ou da Ilha da Madeira, mas a CARMIN faz este licoroso em Reguengos de Monsaraz. Este vinho da colheita de 2010 ainda está muito marcado pela madeira do estágio, mas tem frescura e não cansa. Porreiro para guardar uns anos ou beber já a acompanhar castanhas assadas ou uma boa conversa. Tem um PVP recomendado de dez euros e merece prova atenta.
 
 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

Vila Santa Reserva 2013




 
João Portugal Ramos é um enólogo com muitos anos de trabalho em quase todas as regiões vinícolas de Portugal, mas o seu Vila Santa continua a ser a principal imagem de marca. Este reserva 2013, feito com Aragonês, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, estagiado durante nove meses em meias pipas, está fantástico para ser bebido agora ou daqui a uns anos. Fresco e com boa acidez, é um vinho que só não agradará a quem não gostar de um belo vinho tinto. Sábia mistura das castas, como é apanágio em JPR, é um dos melhores vinho ao preço (ali pelos dez euros).
 
Acompanhou prazeirosamente um naco de pá de porco, assado no forno, com as mandatórias batatas e uns grelos cozidos.

 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

Cistus Reserva 2011



 
 
26.718 garrafas de um vinho de Manuel Angel Areal, feito no Douro Superior, com 42% de Tinta Roriz, 38% de Touriga Nacional e 20% de Touriga Franca. Estagiou 14 meses em madeira (carvalho americano e francês), tem 14,5º de álcool e um PVP recomendado de dez euritos. Não é vinho para meninos, apesar dos 3 anos de estágio em garrafa. Taninos ainda bem presentes a denunciar que merece que se espere por ele, mas tem boas notas de fruta a equilibrarem a tosta da madeira e muita frescura. Ao preço, é uma das boas escolhas para acompanhar uma vitela das terras de Miranda feita no púcaro de barro preto, com batatas a murro, bom azeite transmontano e uns grelos a acompanhar.
 
 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Marquês de Borba Reserva 2009 | Arroz de Entrecosto e Pleurotus




 
Já tenho dito muitas vezes aqui no blog que gosto muito da forma como João Portugal Ramos vai redefinindo o perfil dos vinhos alentejanos. Mais frescos, sem fruta compotada, sem serem chatos nem doces.
 
Este Marquês de Borba é o vinho de topo que JPR faz em Estremoz e nesta edição de 2009 foi feito com Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Trincadeira. Nenhuma das castas se sobrepõe às outras, denotando um grande equilíbrio no lote. O estágio em madeira (de luxo, creio) deixou o vinho mais complexo, sem contudo o marcar. Não está muito opaco, como estaria há três anos e meio, quando provado aqui, mas a elegância e a frescura continuam a ser os descritores fundamentais deste vinho que, para mim, continua a ser do melhor que se faz no Alentejo. Apesar dos robustos 14,5º de álcool, basta que se sirva a uma temperatura de 16º C para não se notar. Custa trinta euros, pode-se comprar em novo e beber logo, mas o melhor é mesmo guardar umas garrafas para provar meia dúzia de anos apos a colheita, ou mais, já que é vinho para aguentar muito tempo em cave. Grande vinho, a pedir meças a muitos que custam o dobro ou o triplo...

 
Um arroz malandrinho de entrecosto de porco e pleurotus fez uma bela companhia ao vinho.
 

domingo, 18 de outubro de 2015

Cortes de Cima Petit Verdot 2010 | Lombinho de Vitela




 
Hamilton da Silva Reis é um moço de Miragaia que faz vinho na Vidigueira. Dito assim, não parece nada de especial, mas da Herdade de Cortes de Cima saem alguns dos melhores vinhos do Alentejo e o Hamilton é quem os faz. Este Petit Verdot já tem cinco aninhos e está um vinhão. Surpreende pela frescura, pelo bonito lado vegetal e pela vontade que dá de meter mais um bocadinho no copo. Não é barato (a edição de 2009 custa quarenta euros na Garrafeira Nacional), mas é um daqueles vinhos de prova obrigatória.

 
Deu muito prazer a acompanhar um naco de lombinho de vitela Mirandesa cruzada com a Limousin da frança, com presunto crocante, batatas a murro e uma salada de favas.
 

sábado, 17 de outubro de 2015

Pai Abel Tinto 2009 ! Leitão Bairradino




 
Este vinho é um monstro da Bairrada, saído da mão sábia do Mário Sérgio Alves Nuno, em homenagem ao seu pai. Baga pura e dura, grande equilíbrio e complexidade, como se espera de um vinho de topo das Bágeiras.
Comprado en primeur por vinte e cinco euros a garrafa, agora está a oitenta e cinco euros na Garrafeira Nacional.
Mais elegante e guloso que o Garrafeira do mesmo ano, tem muitos anos de vida pela frente e num dia frio é um excelente companheiro para um leitão assado como deve ser, acompanhado do seu molho e de batatas cozidas com a pele.
Não é barato, mas merece prova atenta por qualquer enófilo que se preze. Vinhos destes, apesar de terem sido feitas apenas 1.700 garrafas, não são para deixar escapar.
 
Nota sobre as fotos: são uma porcaria, mas mesmo assim quis deixar o relato deste vinhão.

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Alvarinho Muros Antigos 2008 | Arroz de Pescada com Camarão

Este é um vinho verde e se faz "distinção" entre verdes e maduros, pode parar de ler e ir ver a CMTV...

 
Anselmo Mendes é um grande senhor do Minho e este Muros Antigos Alvarinho está ali quase na base da oferta do produtor (custa cerca de oito euros). Feito em Monção, não passou por madeira e com sete anos de idade, está focado em aromas de frutas brancas (melão e algumas peras), é fresco e está muito bom para a mesa. Acidez no ponto, porreiro na boca, ganhou com o tempo em cave. Não é um vinhão, mas está em muito boa forma.
 

 
 
Soube muito bem a acompanhar um arroz de pescada e camarão parecido com o que relatei aqui.

 
 
 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CARM Reserva Tinto 2010 | Feijoada de Leitão



 
Já provei muitas vezes este vinho da Casa Agrícola Roboredo Madeira, mas sempre "em novo" e embora seja um belo vinho do Douro Superior, sempre me pareceu muito marcado pela madeira (e com o branco sinto o mesmo). Desta vez guardei uma garrafa da colheita de 2010 (comprada no ECI por oito euros) e deixei-a descansar uns três anos aqui em casa.
 
Resultado? O vinho cresceu, tem a madeira e os taninos bem integrados, belas notas balsâmicas e está num excelente momento de prova. Merece que se espere por ele. Informações adicionais podem ser encontradas no site do Produtor.  


 
Brilhou a acompanhar uma variante da tradicional feijoada de leitão. A original está bem descrita aqui, mas preferi suavizar a coisa, com inclusão de cenoura, couves galega e lombarda. Com arroz agulha cozido a acompanhar.