terça-feira, 10 de maio de 2016

Brum Verdelho dos Biscoitos 1992




 
Um tesouro do Atlântico...
 
Quando se fala de vinhos licorosos (ou fortificados), normalmente fala-se de Portos (eventualmente moscatéis do Douro), Moscatéis de Setúbal e Madeiras e esquecem-se os belos vinhos dos Açores. O Verdelho dos Biscoitos, na Ilha Terceira é absolutamente mítico e este 1992 da Casa Agrícola Brum é de sonho!
Em primeiro lugar, porque dificilmente se encontra no Continente (o europeu, não é a loja do tio belmiro que por acaso até tinha um Lagido, da ilha do Pico, mas que não tenho visto à venda e na Garrafeira Nacional, temos apenas estes) e em segundo porque não precisa de comida.
Bebe-se assim, devagarinho, enquanto se espera pelo almoço ou pelo jantar, ou em alternativa, depois da sobremesa, a acompanhar uma boa conversa. Com 17º de álcool e quase vinte e quatro anos em cima, merece decanter, bons copos e ser servido ali pelos 14º C. Um vinho distinto, que precisa de tempo para se mostrar e que não agradará a todos. Sublime...
 
 
(partilho aqui o post do JVC, escrito há mais de dez anos)
 

sábado, 7 de maio de 2016

António Bernardino Paulo da Silva Colares Chitas Reserva 1987



 
Depois da edição de 1990, de que deixei relato aqui, provei o 1987. Pareceu-me em melhor forma, pede decanter e para ser servido em pequenas quantidades, para abrir no copo. Ainda com boa acidez, tem notas de couro e evolui para aromas de tawny com alguns frutos secos à mistura. Porreiro para beber a acompanhar uma conversa, mais do que comida. Com quase 30 anos, ainda está em boa forma.

 
Como complemento, remeto para este linque da Garrafeira Nacional.

 

Periquita Reserva 2013 | Jardineira de Entrecosto de Porco



 
Sobre o vinho, temos toda a informação aqui. Com um preço a rondar os oito euros, vale a pena comprar umas garrafas para beber já ou guardar. Tem boa aptidão gastronómica e acompanhou muito bem uma "jardineira" de entrecosto.

 

Salada de Favas com Morcela da Beira | Prova Régia Arinto de Bucelas Reserva 2013



 
Favas simplesmente escalfadas, a que juntei cebola em rodelas finas, flor de sal, um pouco de vinagre de vinho branco e bom azeite. Deixei a marinar uma hora e servi com morcela da beira salteada e ovo cozido. O ovo cozido pode parecer algo despropositado, mas entra nas favas à moda da Gândara, por isso, também entrou neste prato...

 
Para acompanhar o prato, escolhi um branco feito com Arinto em Bucelas, ali às portas de Lisboa. Tem quase três anos e custa cerca de cinco euros. Merece que se espere mais uns anos por ele, mas já se bebe muito bem. Bucelas tem claramente potencial para fazer dos melhores brancos deste país e é pena, como tenho referido muitas vezes, que não se aposte mais em fazer grandes vinhos na região.
 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Notas de um Almoço



 
O Brum 1992, Verdelho dos Biscoitos e do qual falarei em breve, foi o vinho de entrada, onde pontuaram um Loureiro 2014 da Adega de Ponte de Lima, porreiro, um Encruzado de Cabriz 2013 (para beber idealmente uns quatro a cinco anos após a colheita), um Quinta da Covada Reserva 2011 (a começar a entrar "nos eixos", austero e com a assinatura do João Lopes Pinto, para beber ou guardar), um Grandes Quintas Reserva 2010, feito pelo Luís Soares Duarte, no ponto, um belo vinho do Douro.
O Covada e o Grandes Quintas são dois vinhos com uma relação qualidade/preço excelente, ambos com um PVP recomendado a rondar os quinze euros, mas que estão já há alguns anos ao nível de outros vinhos muito mais caros, como relatei aqui (para os menos atentos, estão no quadro dos que tiveram 17 pontos).
Para finalizar, um Espumante feito de Loureiro em Ponte de Lima, muito fresco, é um daqueles vinhos de "porta do frigorifico", para se abrir e beber uma tacinha (como se diz na Bairrada) desde que haja sede, companhia e qualquer coisa para trincar.
 
 

 

domingo, 1 de maio de 2016

Bola de Bacalhau, Cozido e Pretexto para Beber Bons Brancos (nem todos tranquilos)



Sobre a Bola de Bacalhau, não me alongo. A descrição da que se faz em Lamego aparece na pagina 67 da Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto e eu vou reinventando a preparação à procura de uma de excelência (se lá chegar).
 
Interessante para mim foi a harmonização desta bola com um dos meus brancos preferidos, ainda por cima barato, o Quinta das Bágeiras colheita, aqui numa mini vertical, com o 2013 já porreiro, o 2012 (infelizmente com "rolha") e o 2011 que estava sublime. Uma lança em África (neste caso vinda da Fogueira). Cada vez gosto mais destes vinhos, até mais do que dos topos.
 
Ainda antes do cozido um honesto dão branco 2012, de Álvaro de Castro, muito porreiro.



 
 O Cozido foi feito com coisas normais, como carnes, enchidos, fumados e vegetais, com opção de se meter mais qualquer coisa. Aqui entrou um arroz agulha cozido no caldo das carnes.
Se quiser ir pela via parva pode sempre fazer na termomija, mas não é a mesma coisa...

 
Como o cozido não estava nada mau, justificou um raid por Bucelas, antes de ir ao Minho.
 
 Morgado de Santa Catherina 2008, um Arinto de sonho, fresco, mineral, com a madeira a não chatear, foi um dos melhores vinhos da noite.
 
Depois, duas estrelas de Anselmo Mendes, o Muros de Melgaço 2008 e 2009. Já havia Curtimenta (desde 2005, o vinho de topo), mas estas garrafas tronco-cónicas faziam toda a diferença. O 2008, muito complexo, o 2009, mais fresco e directo e a pedir mais tempo de cave, estiveram brilhantes a acolitar o prato.
 
 
Antes dos bolhinhas [há quem chame champagne a tudo o que tem gás], os tais não tranquilos, tempo para uma raridade, um Casa de Saima Branco 1995. Impressionante para um vinho com 20 anos (é Bairrada, carago).
 
Nos intranquilos (aka bolhinhas), um Caves Primavera Premium 2013, feito com Arinto e Baga e para acabar a noite, um São Domingos Velha Reserva 2003, com o degorgement feito em 2014...
 

 
 
 
 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vinhos que fazem Sorrir ou Pensar (ou Sonhar)


O prazer da prova, a companhia de amigos e a comida podem alterar notas de prova (para quem as tira), mas não nos deixam indiferentes à memória. Estes vinhos foram provados há quase dois meses, num almoço antes do simplesmente vinho 2016...

 
  • Espumante Reserva da Quinta do Ortigão de entrada. Um bolhinhas muito competente;
  • Quinta de Santiago Alvarinho 2014, porreiro para beber já, mas será prudente guardar algumas garrafas para beber daqui a uns anos (e é Berde);
  • Quinta de Arcossó Reserva branco 2013. Pujante, marcante...
  • Quinta da Alameda de Santar Reserva Especial 2012, teve 18 valores na RV e é um grande vinho do Dão;
  • Quinta de Arcossó Syrah 2011, fresco e a mostrar que detrás dos montes saem belos vinhos:
  • Duas Quintas  Reserva 1994, um monstro do Douro, imperdível. Fantástico...
  • Cave do Solar das Francesas 1968... Cortesia do Nuno, estava com a evolução esperada, 1968 não foi bom ano para vinhos, mas este estava porreiro...
  • Deutz 2008, champagne para a despedida :)

 

sábado, 23 de abril de 2016

António Bernardino Paulo da Silva Colares Chitas Reserva 1990


 
Ramisco com 26 anos, feito em Azenhas do Mar. Há 16 anos, João Paulo Martins (no seu guia "Vinhos de Portugal 2000"), deu-lhe uma classificação de 3 em 8 possíveis, referiu que lhe faltava personalidade e questionava-se se Colares era isso e ainda disse que não valia o preço pedido.
 
Confesso que foi a minha primeira prova de um vinho de Colares e até gostei. Tem 11º de álcool, está muito evoluído, mas foi cordato e até simpático a acompanhar uma quiche de alheira com uns grelos saltitados, azeitonas e pickles a compor o prato.

 

Provas (quase) Soltas




 
* O primeiro vinho, o do ponto de interrogação, é um rosado do Márcio Lopes que ainda não está no mercado. Muito pouco carregado na cor, fresco e muito elegante, acho que vai dar que falar...
* O Morgado de Santa Catherina é um clássico de Bucelas e este 2007 estava excelente, a demonstrar (como se fosse preciso) que os bons Arintos de Bucelas precisam de anos para se mostrarem.
* Muros de Melgaço 2005, um clássico de Anselmo Mendes e este estava ainda melhor do que o Morgado, complexo e elegante, com notas de muito boa evolução.
* Proibido 2013, outro vinho do Márcio e que ainda está em casco. Muito diferente do 2012, mais elegante, mas será outro vinho para ir bebendo durante anos.
* Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2005. Gosto muito destes vinhos, até mais do que do Alambre 20 anos, pela diferença e carácter. O 2004 está mais focado nas notas cítricas (casca de tangerina) e este tem mais notas de tosta a denotar que precisa de ser decantado. Ao preço (cerca de vinte euros), não conheço muitos vinhos capazes de dar o prazer que este dá na prova.
 

Tons de Duorum Branco 2015




 
Já muito se falou da parceria de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco (com João Perry Vidal) no Douro Superior, em Vila Nova de Foz Côa, na Quinta de Castelo Melhor, ali a caminho de Almendra.
Quase nove anos depois de lançarem os primeiros vinhos, este Tons de Duorum continua a ser o único branco da marca. Sempre marcado pelos aromas do Moscatel Galego, apesar da casta contribuir em apenas 5% para o lote (o restante é Viosinho - 30% - Rabigato - 25% - Verdelho - 20% - e Arinto - 20%), tem uma boa acidez (as vinhas estão entre os 400 e os 600m de altitude) e bebe-se muito bem, a solo ou a acompanhar comidas simples e frescas. É um vinho distinto, muito bem feito e com um preço muito apelativo (quatro euros e meio), porreiro para o verão.
 
(vinho enviado pelo Produtor)