segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vale Sagrado 1997

Este texto foi escrito pelo padrefrancisco que me pediu para postar aqui... (tudo eu?)

Foi há uma semana que bebi, em casa de um amigo, a duas milésima sexagésima terceira de um primeiro lote de cinco mil garrafas do vinho Vale Sagrado 1997, da Adega Cooperativa de Vila Nova de Foz Côa, que estiveram mergulhadas no fundo do rio Côa, entre 2 de Setembro de 1999 e 29 de Abril de 2001.

Tratava-se da primeira experiência no mundo, soube agora, de envelhecimento de vinho em meio aquático. A estratégia, face ao que é aconselhado para a guarda de vinho e que nós nunca dispomos em nossas casas, salvo muito raras excepções, parece ser irrepreensível. Ausência de luz e ar e uma temperatura constante, não fosse a presença constante de água em permanente ameaça a exigir um vedante a toda a prova.

Assim parece ter sido. Aberta a garrafa, a rolha, debaixo de uma camada espessa de lacre, apresentava-se imaculada. O rótulo, em homenagem aos povos da Idade da Pedra, é artístico e de forte e bela expressão cromática.

O vinho, servido cerca de 45 minutos depois de aberto, apresentou-se com coloração rubi atijolada, adquirida ao longo dos seus já onze anos de vida, quase dois em cama de lodo no rio Côa. Já sem notas primárias (nem sequer de H2O, bem pelo contrário!), mostrou-se de corpo médio, muito elegante, macio e muito vivo e complexo, prometendo mais alguns anos em forma (eu sei lá quantos mais) e acompanhou um belíssimo fondue de carne, ambos sem “espinhas”.

Coisas fantásticas que o Homem e a Natureza fazem juntos. No DOURO.



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