quarta-feira, 19 de abril de 2017

Brancos do Alentejo by João Portugal Ramos




 
Loios, Pouca Roupa, Marquês de Borba e Vila Santa Reserva são os quatro vinhos que saem da adega de João Portugal Ramos em Estremoz.
 
Em prova, o Loios e o Marquês de Borba, brancos e de 2016, acabados de chegar ao mercado.
 
O Loios encontra-se em toda a parte e custa três euros. É feito com Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro vinificado em inox e tem uns cordatos 12,5º de álcool. Fresco, cítrico e mineral, tem tudo para ser comprado às caixas e ter uma garrafa na porta do frigorifico para beber um copo quando apetecer e para acompanhar comidas frescas de verão. Tem das melhores relações qualidade/preço do mercado e ao preço, é um dos meus preferidos.
 
O Marquês de Borba custa cerca de cinco euros e é feito com Arinto, Antão Vaz e Viognier. Tem 12,5º de álcool, é feito em inox e tem boas notas cítricas, algumas notas tropicais e uma complexidade acrescida mas que, IMHO o torna menos interessante do que o Loios, uma vez que ao preço, já se encontram brancos bem porreiros. Mas em casa a acompanhar um bacalhau no forno ou no restaurante, desde que seja vendido a um preço cordato, é uma boa escolha. A culpa não é do vinho, é do Loios que custa metade do preço e anda assustadoramente próximo em qualidade e aptidão gastronómica.
 
Ocorre-me agora que gostava de provar estes vinhos já com alguma idade e aí o Marquês de Borba é bem capaz de se destacar...
 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Provas #7



No provas #7, sete a gosto...

 
 
  • Quintas dos Roques Espumante Bruto Rosé 2010. Um projecto do Luís Lourenço que foi descontinuado. Ainda em muito boa forma, deu muito prazer a beber. Belo bolhas...
  • Salvora Albariño 2013. Feito por Rodrigo Mendez, é um vinho de sonho. Curiosamente, não foi unanime a opinião. Eu gostei e pronto. Grande Vinho;
  • Morgado de Santa Catherina 2011. Arinto de Bucelas, um dos melhores brancos portugueses, em grande forma;
  • Rovisco Garcia Reserva 2013. Porreiro e competente, sem deslumbrar;
  • CR&F Garrafeira Bairrada 1980. Prometia, mas não cumpriu. Mas ao fim de tantos anos, cada garrafa é uma garrafa. Fica a curiosidade;
  • Quinta do Infantado LBV 2009. João Roseira e Fátima Ribas, com o Luís Soares Duarte, fazem dos melhores LBV's do mercado. Tão bom. Para beber e guardar;
  • Quinta das Bágeiras Grande Reserva Espumante Bruto Natural 2011. Um bolhas muito sério, feito pelo Mário Sérgio Alves Nuno. Se ainda o encontrar, compre...
 
 
 

Provas #6



 
Um bolhas e um Porto que estão no mercado, um branco e um tinto que nem por isso, compuseram um almoço...
  • Murganheira Malvasia Fina 2011. Está novo que se farta... Ao preço (cerca de €13,00 nas ditas grandes superfícies) prefiro o Velha Reserva da casa, mas este bebe-se com evidente prazer. Para beber e guardar...
  • Encostas do Enxoé 2008. Um Monocasta de Roupeiro (Síria) alentejano que continua em grande forma. É pena estar a acabar...
  • Luís Pato Vinha Barrosa 2001. Sempre em grande forma, é um dos meus vinhos preferidos dos que são feitos pelo Eng. Luís Pato. Baga e Bairrada a seduzir...
  • Quinta do Infantado LBV 2011. Num ano de sonho, o João Roseira e a Fátima Ribas fizeram um vinho que não exagera nas notas químicas, bebe-se muito bem, embora se deva deixar a repousar umas garrafas durante uns anos. Para comprar às caixas...
 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Trilogia 170 com Português Suave e uma Açorda de Bacalhau


 

Nesta semana, para responder à sugestão do Luís, eu e a Ana fomos a um Português Suave.
 
E lembrei-me dos espigos de couve e de como se dão bem numa açorda de bacalhau; um prato quase sem tempero e a que um bom azeite acrescenta sabor e arranca humms a quem prova...

 
Simples de fazer, cozem-se as partes baixas ou laterais do bacalhau em abundante água. Retira-se o bacalhau, deixa-se arrefecer um bocado e limpa-se de peles e espinhas. Entretanto, escolhe-se um pão "amanhecido" e depois de o desfazer em pedaços pequenos, deixa-se a amolecer na água onde o bacalhau cozeu. Tendo espigos de couve, escolhem-se e escalfam-se. Escorrem-se e reservam-se.
 
Num tacho de fundo grosso, verte-se um fundo de azeite e alho picado a gosto. Quando o azeite começar a borbulhar, adiciona-se o pão e a água de cozer o bacalhau e vai-se mexendo até o pão estar macio. Está na hora de juntar os espigos de couve, remexer e adicionar o bacalhau. Querendo, tempera-se com pimenta a gosto e deixa-se em lume brando a harmonizar sabores. Serve-se com bom azeite e umas azeitonas a enfeitar...
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mix de Receitas na Trilogia 169


Quando a Ana lançou o tema desta trilogia a mim e ao Luís, deu-me vontade de provocar e fazer uma misturada de variações sobre o tema "o porquinho foi à horta... e eu também"...

 
Rojões à moda do Minho, com o sangue de porco cozido, temperado com azeite e alho, como comi há mais de 30 anos em Penacova, servido à parte. Favas a acompanhar, apenas com azeite e alface a compor o ramalhete.

 
Achei piada a esta preparação. Cozinha de fundição...
 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Prego em Bolo do Caco - Trilogia 168

 
Esta semana, coube-me a mim apresentar o tema à Ana e ao Luís e escolhi sandochas.
 
Aproveitei para fazer um prego como costumo fazer, mas aqui com bolo do caco, que um dia destes ainda passa a chamar-se de bolo CR7...
 
Deitei um fio de azeite numa frigideira, levei ao lume forte e juntei um bife com um dedo de espessura, de carne mirandesa. Temperei com sal marinho,  mistura de pimentas e um pouco de molho de malagueta de que tinha falado aqui.

 
Juntei uma folha de louro e deixei alourar o bife, mas preservando a sua suculência.

 
Retirei o bife, juntei um dente de alho esmagado e um pouco de mostarda, refresquei com um pouco de vinho branco e deixei reduzir o molho.

 
Entretanto, depois de deixar a carne repousar, cortei-a em fatias.

 
Quando o molho reduziu, passei o bolo do caco no molho e juntei o bife.

 
Servi assim, sem mais, a acompanhar uma cerveja.

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Trilogia 167 - Arroz de Polvo e Zarate Tras da Viña Albariño 2014



 
Quando o Luís lançou o desafio a mim e à Ana para fazermos "Comeres daqui e dali", achei por bem fazer um prato que normalmente me sai bem. Arroz de Polvo...
 
Comecei por cozer um polvo congelado com pouco mais de um quilo, daqueles que se apanham ali entre Muxia e Camariñas, acima do Cabo Fisterra, na Galiza e que se compram no PD. Para cozer o polvo, limitei-me a meter um fundo de água num tacho, mandei o polvo lá para dentro e fui vigiando a cozedura (cerca de 40 minutos em lume brando, depois de levantar fervura). Reservei a água e cortei o polvo em pedaços.
Piquei uma cebola, dois dentes de alho e umas tiras de pimento vermelho para um tacho, cobri com azeite e deixei a estrugir, com umas rodelas de chouriço, um pouco de molho de malaguetas e pimentas várias grosseiramente esmagadas no almofariz. Juntei um pouco de polpa de tomate, salsa picada a gosto, refresquei com vinho branco e deixei estufar durante cerca de 45 minutos.
Quando o estrugido estava no ponto, adicionei duas chávenas de chá de bom arroz carolino e seis chávenas de água bem quente. Deixei levantar fervura, mexi e juntei mais salsa. Cinco minutos depois, adicionei o polvo, mexi e deixei em lume muito brando durante mais cinco minutos. Desliguei a placa e deixei mais uns três minutos a harmonizar sabores e servi.
 

 
No copo, um Albariño de sonho, o Zarate Tras da Viña 2014. Fresco e mineral, diferente de todos os Alvarinhos daqui do País. Nada de notas de fruta tropical, nada de pau, quase nada de nada. Austero e a precisar de tempo na garrafa, ligou muito bem com o prato. Grande, grande vinho...
 
 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Prova Vertical de Duorum


Duorum, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. João Perry Vidal. Almendra, Vila Nova de Foz Côa. Quinta de Castelo Melhor.


 
Esta é capaz de ter sido a primeira prova vertical dos vinhos Duorum do Eng. José Maria Soares Franco feita fora de portas.
 
O primeiro Duorum foi feito em 2007 e agora temos o 2014 no mercado. Em breve sairá o 2015. Provei todos os vinhos, pouco depois de saírem para o mercado e gosto. Com um PVP de dez euros nos hipermercados, compra-se a menos de oito em garrafeiras ou no Site Grandes Vinhos.
 
No ano passado provei o 2011 e gostei muito. Tinha as colheitas de 2010 a 2014 e pedi à empresa os 2007, 2008 e 2009, que foram prontamente enviados (Obrigado).

Depois de algum tempo, lá fizemos a vertical. Foi cá em casa e o Sérgio Costa Lopes já deu nota de prova no Contra Rótulo...
 
Gostei de ver e provar. O 2014 ainda estava muito novo, mas depois de ser decantado, melhorou muito. Em destaque os 2013 e 2012, excelentes. O 2011 estava a léguas de distância da garrafa que abri o ano passado (em agosto de 2016 estava um vinhão), mas se calhar está numa fase parva e ainda se vai mostrar. O 2010 também não estava na melhor forma. Os mais velhos estavam muito porreiros (embora o 2009 tivesse muito depósito e o 2007 um toque de TCA) e agradaram.
 
São vinhos com carácter, embora estejam feitos para o grande mercado. O PVP é adequado, como se espera dos vinhos produzidos pelo Eng. João Portugal Ramos. Grande Prova...


 
 
 
 

Trilogia 164 - Molho de Malaguetas




"África - Do Atlas à Boa Esperança"

Este foi o tema que o Luís lançou para a nossa aventura nº 164 a 3. O Luís fez um prato inspirado na cozinha de São Tomé e a Ana cruzou referências de Cabo Verde e de Moçambique.
Eu fui menos ambicioso e fui apenas explorar a parte picante da coisa.
Embora o Luís tenha feito um belo post sobre Malaguetas e Goa, já lá vão mais de oito anos, foi em conversa com amigos que estiveram em Africa, com o meu Pai e com algumas recordações do molho de Piri-Piri que acompanhava uma espécie de Jardineira de Galinha que a minha Mãe fazia na panela de pressão, que deram o mote para este "molho"...
 
Malaguetas (vermelhas, com cerca de 4 cm)
Azeite
Whisky (novo)
Sal Marinho
 
Simples e directo. Tirei a parte de cima das malaguetas e enfiei-as num frasco. Juntei sal e um pouco de whisky, mexi e cobri com azeite (de Valpaços, não filtrado, do Pingo Doce). Fechei o frasco e reservei. Dará molho...
 
 
 
 
 
 


Trilogias 165 e 166, Conservas Engalanadas e uma Ida ao Mar para Arranjar o Jantar



 
Este é um prato que cumpre duas Trilogias, das que são feitas comigo, a Ana e o Luís.
 
Na primeira, Bacalhau é conserva e grão de bico compra-se no frasco ou na lata, conservado...
Na segunda é igual, podemos ir ao mar, mas podemos sempre ficar de prevenção e ter algo pronto, caso não se pesque nada...
 
A Meia-Desfeita é um prato fantástico de Lisboa e foi esse que escolhi para cumprir este dois em um...
 
Grão, a gosto;
Bacalhau demolhado e cozido;
Ovo, cozido;
Cebola, alho e salsa picada, bom azeite, vinagre (gosto muito do Oliveira Ramos), sal e pimenta a temperar;
Azeitonas a guarnecer (querendo).
 
Coze-se o bacalhau e o ovo num tacho, sobre cama de grão conservado. Pica-se uma cebola, dois dentes de alho e um raminho de salsa, tempera-se com sal e pimenta e envolve-se com bom azeite. Reserva-se. Faz-se uma base de grão no prato, cobre-se com o bacalhau em lascas e o ovo cortado em rodelas. Deita-se o molho e guarnece-se com azeitonas. (adaptação livre da receita da Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto, pag. 202).
 
 
 
No copo, um Pequenos Rebentos Loureiro 2016. Acabado de engarrafar, precisa de uns meses para se mostrar, mas já proporciona boa prova.