quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Tarte Tatin numa Trilogia (a 160)



 
Esta semana, a segunda desta segunda série de Trilogias com a Ana e o Luís, o tema foi sugerido pela Ana: Açúcar, Mel e Compota.
 
Fui buscar um clássico da cozinha francesa, a Tarte Tatin, com uma história cheia de folclore associado e que, resumindo, é uma tarte invertida, feita com maçã e coberta com massa folhada.
 
Deitei um pouco de açúcar refinado e um pouco de açúcar mascavado numa caçarola e levei ao lume. Quando começou a caramelizar, juntei maçãs diversas (Granny Smith, Golden, Starking, Reineta) cortadas grosseiramente e envolvi tudo. Fui juntando manteiga para não torrar e quando as maçãs estavam macias, desliguei o lume e juntei um pouco de mel e canela. Pré-aqueci o forno a 180º C, transferi tudo para uma tarteira e cobri com uma placa de massa folhada. Levei ao forno até a massa folhar e alourar. Para servir, meti um prato em cima da tarteira e virei. Simples...

 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Vinhos, apenas...




 
Estou a gostar de brancos com alguma idade, bolhas de Baga e Portos aloirados.
 
Num almoço recente, abrimos estes vinhos:
 
  • Espumante Rama&Selas BB (Baga Bairrada). Porreiro, mas falta-lhe "punch" ou alma ou qualquer outra coisa. Mas sabe bem; custa uns oito euros e pede copos sérios. Esqueçam as flutes...
  • Arinto Campolargo 2011; está um vinhão. Dá grandes vinhos em Bucelas, mas não fica mal na Bairrada.
  • Quinta do Rol branco 2008. Um branco de Lisboa a precisar de tempo para se mostrar. Não se bebe um branco destes todos os dias...
  • ZOM Reserva 2012. Touriga Nacional, Touriga Franca e outras castas de Vinhas Velhas. Custa cerca de oito euros e não desilude ninguém.
  • Quinta das Bágeiras Garrafeira branco 2004. Vinho de sonho, feito pelo Mário Sérgio Alves Nuno. Um dos melhores vinhos portugueses. Grande, Grande, Grande...
  • Ramos Pinto Quinta da Ervamoira 10 anos. Meia garrafa (375 cl) com estágio de vinte anos na garrafinha (engarrafado em 1996) estava muito decente. Outro vinho que dificilmente se encontra. Vou provando aloirados com algum tempo e garrafa e gosto...
 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Regresso das Trilogias. Empadinhas Bolanheiras

Quando eu, a Ana e o Luís iniciámos este projeto Trilógico, a 10 de Novembro de 2010, não imaginava que ia ser tão "querido".
A ideia nem era má de todo, mas deu enorme gozo a todos, os que cozinharam e os que foram seguindo as nossas abordagens aos desafios que fomos lançando semanalmente.
Nesta segunda série, fui egoísta e não dei a prioridade à senhora; fui eu a lançar o tema e esse foi:

"Empadas, Empadinhas e Empadões"
 
Claro que o próximo tema será lançado pela Ana Gomes.
 
Para esta renovada trilogia, fiz umas empadinhas, da vitela como se faz em Bolonha, cruzada com a nossa alheira (daí o nome Bolanheira)


 
Piquei uma cebola pequena e dois dentes de alho para um tacho. Cobri o fundo com azeite e deixei estrugir.
Adicionei sal, pimentas moídas, uma folha de louro, molho de malagueta e a vitela moída. Deixei uns 3 minutos e juntei uma alheira partida em pedaços pequenos, um bocado de polpa de tomate e fui mexendo. Adicionei salsa picada e deixei a apurar enquanto fui tratar da massa folhada (de compra e do PD).
 

 
Untei o fundo duma forma de "queques" com azeite e cortei pedaços de massa folhada do tamanho da forma. Enchi as bases com a mistura e cobri com mais massa folhada, fazendo uns furinhos para o vapor do recheio sair. Bati um ovo e pincelei as empadas.
 
Levei ao forno pré aquecido a 250º C durante uns sete minutos (tempo para as empadas dourarem) e depois cobri com filme de alumínio e desliguei o forno. Deixei mais uns dez minutos e servi.
 
Com uma salada de alface e tomate e umas azeitonas pretas a compor o ramalhete.

 
No copo, um Prova Régia Reserva 2013. Um Arinto de Bucelas fantástico e barato. Estes vinhos precisam de tempo, mas este já se bebe muito bem.

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Marquês de Borba Espumante Rosé 2013





Depois de ter lançado em 2009 o Espumante Conde de Vimioso, João Portugal Ramos apresenta agora o Marquês de Borba Rosé Bruto Natural de 2013. É feito com Pinot Noir, Touriga Nacional e Aragonez. Tem uma bela cor rosa salmonada, uma bolha fina, elegante e é muito porreiro para beber como welcome drink ou a acompanhar pratos simples e de sabores pouco intensos. Tem um PVP recomendado de € 12,49. Gostei de o provar assim, a solo.
 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Prova Vertical do Tinto da Talha Grande Escolha, by Joana Roque do Vale @ Restaurante Big Bife




 
 Uma prova vertical é uma prova em que se provam (passe o pleonasmo) vinhos da mesma marca, mas de anos diferentes. Quanto mais abrangente melhor, em especial quando se trata de vinhos com potencial de desenvolvimento em cave.
É difícil de fazer, a menos que se guardem os vinhos durante alguns anos, se tenham amigos que também tenham garrafas ou que o Produtor os disponibilize. Depois ainda temos que reunir um grupo de amigos que se queiram sentar para provar os vinhos e organizar a prova. Não é tão simples quanto parece.
 
Aqui falamos do Tinto da Talha Grande Escolha, o topo da gama da Roquevale, feito pela Enóloga Joana Roque do Vale, que teve a amabilidade de enviar as garrafas das colheitas de 2003 a 2010. O PVP recomendado ronda os oito euros e o vinho é feito com castas diferentes, consoante o ano.
 
Ainda sobre as provas verticais, surge sempre a questão de começar pelos vinhos mais antigos e avançar para edições recentes ou começar pelos mais recentes e ir para os mais antigos. Ambas as opções são válidas e dependem de múltiplos fatores, como o tipo de vinho, a expectável evolução em cave e mesmo as preferências pessoais.
Nesta prova em particular, preferimos começar pelo mais recente, o 2010, para lhe tomar o pulso e ir recuando até ao 2003 e devo dizer que foi uma decisão acertada (pelo menos para quem esteve na prova).
Parece-me pertinente referir que estes vinhos foram enviados a vários Bloggers em Dezembro do ano passado e se por um lado lamento não ter feito logo a prova, por outro não me pareceu mal ter esperado estes meses para ver que tal estavam estes vinhos passado quase um ano.
 
Começámos por abrir as garrafas, tarefa que ficou a cargo do Sérgio Lopes do Blog Contra Rótulo (já agora deixo aqui a apreciação que ele fez dos vinhos) e fazer uma prova rápida para avaliar da necessidade de decantação e ver das temperaturas de serviço. De seguida fomos provando e trocando notas, enquanto íamos jantando num ambiente informal.
 
Deixo uma breve descrição dos vinhos e pela primeira vez em alguns anos vou deixar a minha classificação pessoal (avaliação quantitativa), tendo em conta o preço:

 
  • 2003 - Feito com Touriga Nacional e Aragonês, tem 14,5º de álcool e reflete o calor do ano. No entanto, evoluiu muito bem e depois de decantado e servido, foi abrindo e revelou-se um dos vinhos da noite. Treze anos após a colheita, está em muito boa forma. Nota pessoal: 17,0.
  • 2004 - Feito com Syrah e Touriga Nacional. Muito equilibrado, estava a ser o meu vinho da noite, mas depois da refeição caiu um pouco, o que não me impediu de gostar muito. Nota pessoal: 17,0.
 
  • 2005 - Feito com Touriga Nacional e Aragonês, tem apenas 13º de álcool e apresenta um lado mais vegetal e mais fresco. Muito consensual. Nota pessoal: 16,5/17.
 
  • 2006 - Syrah e Touriga Nacional e 13º de álcool. Reflete um ano difícil, é mais direto e está uns furos abaixo dos outros. Nota pessoal: 15,5.
  • 2007 - Syrah e Alicante Bouschet com 13,5º de álcool. Muito equilibrado, fresco e fácil de beber, merece ainda um ou dois anos em garrafa para mostrar tudo o que vale. Nota pessoal: 16,5/17.

 
  • 2008 - Feito com Aragonês e Alicante Bouschet, tem 14,5º de álcool. Leva algum tempo a abrir e está em bom nível, pronto a beber. Nota pessoal: 16,5.
  • 2010 - É a edição que esta atualmente no mercado. Feito com Aragonês e Touriga Nacional, tem notas de fruta bem madura, algum floral e 14º de álcool que se notam, pelo que se deve ter algum cuidado com a temperatura de serviço. Merece alguma guarda para ver como evolui. Nota pessoal: 16,5.
 
Remeto ainda para este artigo, saído no Fugas.
 
 
Para acompanhar os vinhos, para alem das entradas, provámos umas petingas frescas com arroz de legumes,

 
um frango chamado à passarinho e

 
um bife laminado com molho de alho.
 
Comidas simples e bem feitas, do Restaurante Big Bife.
 

 
E mais uns vinhos de entrada e saída a complementar esta prova...

 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Duorum 2014



 
Este vinho nasceu da parceria entre João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco e teve a primeira edição na colheita de 2007. Desde então, afirmou-se como um dos melhores e mais versáteis vinhos tintos do Douro, na gama de preços a rondar os dez euros.
Este 2014 saiu há pouco tempo para o mercado e apesar de ainda estar muito jovem, já da prazer à mesa. Feito com 40% de Touriga Franca e outro tanto de Touriga Nacional, com a Tinta Roriz a completar o lote, tem boas notas de frutos vermelhos bem maduros, algum floral e algumas notas de mato e especiarias. Madeira no ponto e taninos suaves aliados a uma boa acidez, denotam que merece guarda (há pouco tempo provei o 2011 e estava em excelente forma).
 
É um vinho consensual, muito bem feito e a um preço simpático, perante a qualidade. Um valor seguro, com a vantagem de se encontrar à venda em garrafeiras, mas também na chamada moderna distribuição.
 
Acompanhei-o com um galo de capoeira feito no forno, no púcaro de barro preto e o vinho deu muito boa conta de si.

 
(vinho enviado pelo produtor)
 

Quinta da Serradinha Tinto 2010


 
Mais um vinho do António Marques da Cruz (depois do rosé que deixei aqui), um tinto com quase seis anos, feito com Baga (35%), Castelão (30%), Touriga Nacional (20%) e Alfrocheiro (15%), em Barreiros, perto de Leiria. Fermenta em balseiros abertos e estagia em madeira velha. Pelas castas, modo de vinificação e influência Atlântica, faz lembrar um Bairrada feito à moda antiga. Muito boa a articulação entre notas vegetais, frutos vermelhos e da madeira, muito boa acidez e uns taninos médios fazem adivinhar muitos anos pela frente. Tem apenas 12,5º de álcool e é um vinho obrigatório para qualquer enófilo. Gostei muito do vinho e ligou bem com uma feijoada.

 

Serradinha Rosé 2015



 
 Este é um vinho improvável, completamente fora do baralho, como diria o Sérgio, do Blog Contra-Rótulo. É feito perto de Leiria pelo António Marques da Cruz a partir de uvas de Castelão e em talha de barro.
O resultado é um vinho muito fresco, terroso, com apenas 11º de álcool e com uma excelente aptidão gastronómica. Diferente, marcante e imperdível. (mais informação aqui).

 
Acompanhou um lombo de bacalhau confitado, com batatas a murro, salada, uns espinafres salteados e umas azeitonas.
 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Papa Figos Tinto 2014



 
Este Papa Figos veio colmatar um vazio que existia nos vinhos tintos da Casa Ferreirinha, entre o mais que conhecido Esteva (que custa cerca de quatro euros) e o Vinha Grande (com PVP a rondar os dez euros). Tem um PVP recomendado de cerca de seis euros e é feito com castas "naturais" no Douro, a saber, a Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Touriga Nacional e Tinta Barroca. Com assinatura de Luís Sottomayor, enólogo da Casa, é um vinho bem feito, equilibrado, com boas notas de fruta bem madura, mas sem ser compotada e ligeiro cacau. A passagem por madeira vem dar alguma complexidade a este vinho que é fácil de beber e bastante amigo da mesa.
Fácil de beber e fácil de encontrar (em garrafeiras e supermercados) é uma das boas opções ao preço, sobretudo pela aptidão gastronómica que demonstra.  

 
Provei-o com um naco de pá de porco marinada em vinho tinto e alhos e estufada, com um arroz de legumes e uma salada a acompanhar. Gostei.
 
(vinho enviado pelo produtor)
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Os Sossegos da Vidigueira e da Sogrape



 
A Herdade do Peso, ali na Vidigueira, propriedade da Sogrape, lançou uma nova gama de vinhos chamados de Sossego e assinados pelo enólogo Luís Cabral de Almeida. Com um PVP recomendado de € 4,99, ficam ali entre os Vinha do Monte e os Herdade do Peso colheita e o Trinca Bolotas.
 
O Rosado, feito de Touriga Nacional é fresco e descomplexado, amigo de conversa se servido como welcome drink e da mesa a acompanhar entradas várias. Tem boa aptidão gastronómica, por isso vai bem com saladas, pataniscas de bacalhau e coisas assim. Porreiro.
O Branco, feito com Arinto, Roupeiro e Antão Vaz e ao contrário do que referem na press release, não parece Alentejano; nada pesado, fresco, com boa acidez, fica muito bem na mesa a acompanhar uma alheira grelhada ou peixes gordos no forno.
Já o Tinto, feito com Touriga Nacional, Aragonez e Syrah, com leve estágio em madeira, pede um ensopado de borrego.
 
Vinhos com boa aptidão gastronómica, baratos e fáceis de beber, agradam.

 
(vinhos enviados pelo produtor)