sexta-feira, 22 de abril de 2016

Vinhos de Reguengos de Monsaraz @ CARMIN e os Vinhos de 2015



 
Vinhos de Rui Veladas, Enólogo da CARMIN. Baratos e porreiros.
 
O Monsaraz Branco, feito com Antão Vaz, Gouveio e Arinto e com PVP de três euritos acompanhou bem umas pataniscas de bacalhau. Simples, fácil de beber, esteve bem.
 
Para os tintos, fiz um cozido e fomos provando e bebendo...
 
O Reguengos, feito com Trincadeira, Aragonês e Castelão é o mais barato da gama e com um PVP de €2,40, pode ser boa companhia para um chouriço assado ainda de entrada (para quem gostar) ou para começar a acompanhar o cozido. Já o Monsaraz, feito com Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet (com PVP de € 3,00), se mostra mais competentente, agradável e simples.
 
Mas o Reserva vale a diferença de preço (cerca de seis euros). Alicante Bouschet, Trincadeira e Touriga Nacional, com nove meses de estágio em madeira e alguma complexidade aromática aliada a uma boa frescura. Tem 15º de álcool, mas não se notam muito. Sirva-se a 16º C em bons copos :)
 
 
(vinho enviado pelo produtor)
 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Proibido Grande Reserva 2012 by Márcio Lopes




 
Vinho proveniente de vinhas velhas do Douro Superior, feito pelo Márcio Lopes. Roxo, concentrado, complexo, tem 14,5º de álcool e taninos bem presentes, notas de lagar, madeira no ponto, muita frescura e ainda está muito novo. Tem alguma rusticidade, apego à terra, como gosto. Daqui a uns dez anos deve estar muito melhor, mas este bebé esteve excelente a acompanhar um estufado de porco com os seus enchidos e pleurotos acolitado por um arroz carolino.

 
 
 

Herdade do Perdigão Reserva 2008



 
Um dos meus vinhos de eleição!
 
Feito com 85% de Trincadeira e com um pouco de Aragonez e Cabernet Sauvignon. Tem aquelas notas fruto/vegetais da Trincadeira, madeira que às vezes parece excessiva, mas decante-se e temos um vinho que respira frescura e que e muito versátil à mesa. Harmonizei este 2008 com um frango na púcara, com batatas e grelos cozidos e esteve fantástico.
 

 
Para beber e guardar, já que depois dos dez anos começa a estar no auge. Custa vinte e cinco euros nas garrafeiras, mas já o apanhei no supermercado do elefante a doze.
 

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2011

 
São pouco mais de seis mil garrafas de um vinho de sonho, de Baga e de 2011.

 
 
Desde 1991, ano da primeira edição do Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto, o vinho foi consistentemente considerado um dos melhores da Bairrada.
Ao contrário de muitas reputadas marcas, este Garrafeira não mantém um perfil pré-definido e quando sai espelha o ano da colheita e o terroir, conceitos bem caros ao Mário Nuno que, com o enólogo Rui Moura Alves, vai redesenhando o perfil dos vinhos.
Na edição de 2005, o vinho levou 20% de TN, nos restantes, apenas Baga. E desde a magna elegância do 2009 (penso eu de que), passando pela concentração "de comer à colher" do 2001, é todo um mundo. Aliás, fazer uma prova vertical destes vinhos é algo de imperdível...
 
Este 2011 está a pender para a elegância, sem contudo perder a concentração e como todos, a revelar uma bondade a acompanhar comidas (aquilo de vinhos gastronómicos, como se diz).
 
Batatinhas a murro, porco marinado, quase como a carne das Mercês e o vinho brilhou. Mas com um leitão a preceito, um cabrito e muitos outros pratos, e o vinho lá está. Para mim, um dos melhores Garrafeiras.
 
 

Vila Santa Reserva 2013




 
Deste clássico de JPR já tinha dado nota aqui... Continua a ser um dos melhores vinhos a rondar os dez euros e tem uma bela aptidão gastronómica. Agrada a toda a gente que goste de um bom vinho tinto e daqui a uns anos vai estar seguramente melhor.
Amigo da mesa, acompanha bem carnes assadas e esteve muito bem a acompanhar uma chamada jardineira de entrecosto de porco marinado e enchidos do mesmo :)

 

Quinta das Bágeiras Avô Fausto 2014 e Bola de Presunto à moda de Lamego


 
Quem gosta à séria de vinhos, conhece de certeza o simpático Mário Sérgio Alves Nuno, o enfant terrible da Bairrada (acho que é a segunda vez que uso esta expressão...) que nos deslumbra com os seus vinhos, feitos à moda antiga (parece), porreiros em novos, mas com enorme capacidade de evolução em cave.
Este Avô Fausto está um menino, mas com (muitas) pernas para andar. Assim novo, acabado de sair para o sempre restrito mercado (parece que já não há mais) é fresco e profundamente mineral, embora denote aromas "de redução" no nariz (o que não é defeito, é feitio). Daqui a uns dez anos é capaz de estar mais cordato e capaz de agradar a mais pessoas, mas terei que confessar que gostei muito do vinho, assim, novo e pujante. Um gigante da Bairrada, a antecipar o Garrafeira e o Pai Abel que serão lançados em breve.
 


 
Embora seja um vinho com enorme aptidão gastronómica, gostei muito da ligação com uma Bola de presunto feita como se faz em Lamego, com uma massa de pão como base (receita na CTP da Maria de Lurdes Modesto, pág. 67), aqui numa versão com presunto, bacon e paio.

 

Marquês de Borba Branco 2015



 
Branco Alentejano, de João Portugal Ramos, é feito com Arinto, Antão Vaz e Viognier. Custa cerca de cinco euros no supermercado e é um vinho muito correto, muito focado em aromas de frutas brancas (melões, peras), com alguma frescura e muito fácil de beber.
Sendo JPR um grande enólogo e um negociante de topo (convém não esquecer que o vinho também é um negócio) que coloca no mercado vinhos com excelentes relações qualidade/preço, esperava outra abordagem a este vinho.
JPR tem o Lóios que custa três euros e lançou o Pouca Roupa recentemente (com um PVP de quatro euros) e no topo da oferta dos brancos que faz em Estremoz, o Vila Santa Reserva.
Seria de esperar mais complexidade, mais ambição e mais arrojo neste vinho, mas se calhar o mercado pede (nesta gama de preço) um vinho assim, fácil.
Apesar disso, gostei do vinho e foi uma bela companhia para um empadão de bacalhau.

 
O vinho foi enviado pelo produtor e será uma excelente escolha para acompanhar pratos de peixe, carnes grelhadas (franguinho de churrasco, costelinha, etc), principalmente em restaurantes, desde que não peçam mais de dez euros por uma garrafa. E já agora, servido a uma temperatura correta e em bons copos. 
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Da Longevidade dos "Vinhos Verdes" e da Bondade do Douro... Notas de um Almoço




 
Cada vez está mais na moda falar de vinhos, mas quem fala, quase nunca sabe bem do que fala. Um clássico é a "diferenciação" entre verdes e maduros (disparate).
 
A região dos Vinhos Verdes oferece-nos neste momento, grandes vinhos.
Um Vinha antiga de 2003 feito de Alvarinho, mostrou-se são, bem evoluído, quase treze anos após a colheita, muito porreiro para acompanhar umas entradas (salmão fumado, melhor com pastas de fígados, por aí).
Outro Alvarinho, saído das sábias mãos de Anselmo Mendes no ano maldito de 2002 ficou para o fim, a acompanhar uns queijinhos. Melhor, mais complexo do que o Vinha Antiga, mantem uma frescura e acidez notáveis ao fim de quase catorze anos.
 
Outro clássico, aqui vindo de quem sabe, é que os vinhos de mesa do Douro não aguentam grande guarda...
Subscrevo, mas provar o primeiro Quinta da Touriga Chã, de 2001 a acompanhar o almoço (um lombo de porco recheado, batatas assadas e legumes salteados) deu-me uma nova visão. Claro que há grandes vinhos no Douro com enorme capacidade de evolução em cave, mas durante anos foram parkerizados, cheios de fruta quase compotada enquanto novos, com as sedutoras notas da madeira nova em que estagiaram. Nada disso se aplica a este vinho... Madeira muito bem integrada, frescura e acidez no ponto, um bouquet de sonho e excelente aptidão para acompanhar comida. Pena é que que não será nada fácil abrir outra garrafa...
Da Quinta do Crasto saem grandes vinhos e o Vinha Maria Teresa de 1998 foi a primeira edição de um dos mais cobiçados vinhos do Douro. Servido no fim do almoço, deu para alimentar uma boa conversa sobre vinhos. Este é outro vinho que não devo voltar a provar...
 
No inicio, como welcome drink, o mais que competente Espumante Quinta do Ortigão Reserva 2010, feito pelo Osvaldo Amado, que é um Senhor no que concerne às bolhinhas. Qualquer dia fica a ser conhecido pelo Sr. Espumante :)
 
E para finalizar, um Gold Label com café e tal. Depois do Vinha Maria Teresa não fazia sentido beber mais vinho.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Márcio Lopes, um Vigneron



 
O Márcio é um jovem enólogo (tem 33 anos) que trata a região dos vinhos verdes por tu (trabalhou com Anselmo Mendes) e tem no seu portfolio os Pequenos Rebentos, desde 2010. Alvarinhos, Alvarinhos com Trajadura são a sua imagem de marca já lá vão mais de cinco anos. Mete os vinhos no mercado (muito restrito) a tempo e horas, mas guarda algumas garrafas para lançar mais tarde (caso do Alvarinho 2010 Edição limitada, lançado recentemente e já esgotado) para que se perceba que os grandes vinhos brancos de Portugal precisam de tempo para se mostrarem.
 

 
 
E no Douro também faz belos vinhos, como o Proibido, o Permitido e os Ensaios Soltos, um branco de viozinho de 2011 e um tinto de tourigo de 2010 que deslumbram.
 
Vinhos sem maquilhagem, a mostrar a origem, o terroir, com enorme aptidão gastronómica.
 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Reguengos Licoroso 2010



 
É sempre uma aventura fazer vinhos fortificados fora do Douro, da Península de Setúbal ou da Ilha da Madeira, mas a CARMIN faz este licoroso em Reguengos de Monsaraz. Este vinho da colheita de 2010 ainda está muito marcado pela madeira do estágio, mas tem frescura e não cansa. Porreiro para guardar uns anos ou beber já a acompanhar castanhas assadas ou uma boa conversa. Tem um PVP recomendado de dez euros e merece prova atenta.
 
 
(vinho enviado pelo Produtor)