terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Cistus Reserva 2011



 
 
26.718 garrafas de um vinho de Manuel Angel Areal, feito no Douro Superior, com 42% de Tinta Roriz, 38% de Touriga Nacional e 20% de Touriga Franca. Estagiou 14 meses em madeira (carvalho americano e francês), tem 14,5º de álcool e um PVP recomendado de dez euritos. Não é vinho para meninos, apesar dos 3 anos de estágio em garrafa. Taninos ainda bem presentes a denunciar que merece que se espere por ele, mas tem boas notas de fruta a equilibrarem a tosta da madeira e muita frescura. Ao preço, é uma das boas escolhas para acompanhar uma vitela das terras de Miranda feita no púcaro de barro preto, com batatas a murro, bom azeite transmontano e uns grelos a acompanhar.
 
 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Marquês de Borba Reserva 2009 | Arroz de Entrecosto e Pleurotus




 
Já tenho dito muitas vezes aqui no blog que gosto muito da forma como João Portugal Ramos vai redefinindo o perfil dos vinhos alentejanos. Mais frescos, sem fruta compotada, sem serem chatos nem doces.
 
Este Marquês de Borba é o vinho de topo que JPR faz em Estremoz e nesta edição de 2009 foi feito com Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Trincadeira. Nenhuma das castas se sobrepõe às outras, denotando um grande equilíbrio no lote. O estágio em madeira (de luxo, creio) deixou o vinho mais complexo, sem contudo o marcar. Não está muito opaco, como estaria há três anos e meio, quando provado aqui, mas a elegância e a frescura continuam a ser os descritores fundamentais deste vinho que, para mim, continua a ser do melhor que se faz no Alentejo. Apesar dos robustos 14,5º de álcool, basta que se sirva a uma temperatura de 16º C para não se notar. Custa trinta euros, pode-se comprar em novo e beber logo, mas o melhor é mesmo guardar umas garrafas para provar meia dúzia de anos apos a colheita, ou mais, já que é vinho para aguentar muito tempo em cave. Grande vinho, a pedir meças a muitos que custam o dobro ou o triplo...

 
Um arroz malandrinho de entrecosto de porco e pleurotus fez uma bela companhia ao vinho.
 

domingo, 18 de outubro de 2015

Cortes de Cima Petit Verdot 2010 | Lombinho de Vitela




 
Hamilton da Silva Reis é um moço de Miragaia que faz vinho na Vidigueira. Dito assim, não parece nada de especial, mas da Herdade de Cortes de Cima saem alguns dos melhores vinhos do Alentejo e o Hamilton é quem os faz. Este Petit Verdot já tem cinco aninhos e está um vinhão. Surpreende pela frescura, pelo bonito lado vegetal e pela vontade que dá de meter mais um bocadinho no copo. Não é barato (a edição de 2009 custa quarenta euros na Garrafeira Nacional), mas é um daqueles vinhos de prova obrigatória.

 
Deu muito prazer a acompanhar um naco de lombinho de vitela Mirandesa cruzada com a Limousin da frança, com presunto crocante, batatas a murro e uma salada de favas.
 

sábado, 17 de outubro de 2015

Pai Abel Tinto 2009 ! Leitão Bairradino




 
Este vinho é um monstro da Bairrada, saído da mão sábia do Mário Sérgio Alves Nuno, em homenagem ao seu pai. Baga pura e dura, grande equilíbrio e complexidade, como se espera de um vinho de topo das Bágeiras.
Comprado en primeur por vinte e cinco euros a garrafa, agora está a oitenta e cinco euros na Garrafeira Nacional.
Mais elegante e guloso que o Garrafeira do mesmo ano, tem muitos anos de vida pela frente e num dia frio é um excelente companheiro para um leitão assado como deve ser, acompanhado do seu molho e de batatas cozidas com a pele.
Não é barato, mas merece prova atenta por qualquer enófilo que se preze. Vinhos destes, apesar de terem sido feitas apenas 1.700 garrafas, não são para deixar escapar.
 
Nota sobre as fotos: são uma porcaria, mas mesmo assim quis deixar o relato deste vinhão.

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Alvarinho Muros Antigos 2008 | Arroz de Pescada com Camarão

Este é um vinho verde e se faz "distinção" entre verdes e maduros, pode parar de ler e ir ver a CMTV...

 
Anselmo Mendes é um grande senhor do Minho e este Muros Antigos Alvarinho está ali quase na base da oferta do produtor (custa cerca de oito euros). Feito em Monção, não passou por madeira e com sete anos de idade, está focado em aromas de frutas brancas (melão e algumas peras), é fresco e está muito bom para a mesa. Acidez no ponto, porreiro na boca, ganhou com o tempo em cave. Não é um vinhão, mas está em muito boa forma.
 

 
 
Soube muito bem a acompanhar um arroz de pescada e camarão parecido com o que relatei aqui.

 
 
 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CARM Reserva Tinto 2010 | Feijoada de Leitão



 
Já provei muitas vezes este vinho da Casa Agrícola Roboredo Madeira, mas sempre "em novo" e embora seja um belo vinho do Douro Superior, sempre me pareceu muito marcado pela madeira (e com o branco sinto o mesmo). Desta vez guardei uma garrafa da colheita de 2010 (comprada no ECI por oito euros) e deixei-a descansar uns três anos aqui em casa.
 
Resultado? O vinho cresceu, tem a madeira e os taninos bem integrados, belas notas balsâmicas e está num excelente momento de prova. Merece que se espere por ele. Informações adicionais podem ser encontradas no site do Produtor.  


 
Brilhou a acompanhar uma variante da tradicional feijoada de leitão. A original está bem descrita aqui, mas preferi suavizar a coisa, com inclusão de cenoura, couves galega e lombarda. Com arroz agulha cozido a acompanhar.
 

domingo, 27 de setembro de 2015

Reguengos Garrafeira dos Sócios 2011 | Lombinho de Vitela



 
Um clássico alentejano que tem passado ao lado aqui no blog. Teve a sua primeira edição em 1982 e desde então foi consolidando o seu lugar como um dos vinhos de referência da região.

 
Nesta edição, foi feito com 40% de Alicante Bouschet, 30% de Trincadeira e outro tanto de Touriga Nacional, está muito novo, quatro anos após a vindima, a denotar que daqui a uns cinco a seis anos estará no seu auge, mas já se bebe com evidente prazer.
 
Surge com elegantes notas da madeira do estágio (tosta e leve baunilha), outras balsâmicas, notas especiadas e alguma fruta fresca (nada de compotas docinhas). Está com os taninos domados e apesar dos robustos 14,5º de álcool, basta ter algum cuidado em não o servir quente para ele se mostrar. Aliás, recomenda-se que seja servido entre os 16 a 18º C.
Servi o vinho a cerca de 15º C num bom copo e pareceu-me bem. Tem um PVP recomendado de € 17,99, mais que justo face à qualidade do vinho e à sua expectável evolução. Notável o trabalho do Enólogo Rui Veladas. A combinação das castas é muito bem feita, sem que nenhuma sobressaia, dando ao vinho um equilíbrio notável.
 
Para mariadar o vinho, escolhi um prato do norte. Lombinho de vitela de Vimioso com crocante de presunto, molho de espumante e vinagre de vinho do porto, batatas a murro e salada de favas.

 
As batatas, pequenas e novas, foram a assar na cloche com um pouco de sal, durante meia hora e depois levaram o chamado murro e foram servidas com azeite do bom (o Romeu) e alho picado.
 
As favas foram fervidas depois de serem apanhadas e foram congeladas. Deixei-as descongelar e tirei-lhes a casca. Laminei meia cebola, juntei-a às favas e temperei com flor de sal, umas gotas de vinagre branco Oliveira Ramos e azeite Romeu. Adicionei um pouco de salsa picada e folhas de alho e envolvi tudo até ficar quase uma pasta.
 
Já o naco de lombinho de vitela foi feito assim:
 
Deitei um fio de azeite numa frigideira e quando este estava bem quente, adicionei duas finas fatias de bom presunto. Logo que o presunto ficou crocante (depois de o virar duas ou três vezes) reservei-o, adicionei mais um pouco de azeite e selei o lombinho por todos os lados, e temperei-o com pouco sal e mistura de pimentas. Ficou cerca de dois minutos na frigideira, tempo suficiente para dourar por fora e ficar bem rosado por dentro, mas sem deitar sangue.
Retirei o lombinho da frigideira, adicionei um dente de alho esmagado e picado e deixei o alho aromatizar o molho, mas sem o deixar queimar. Refresquei o molho com um pouco de espumante e umas gotas de vinagre de vinho do Porto. Deixei o molho reduzir um pouco, empratei e servi.
 
 

 
Bela ligação :)

(Vinho enviado pelo Produtor)
 

sábado, 26 de setembro de 2015

Morgado de Santa Catherina Reserva 2011


 
2011 foi um grande ano de vinhos. Não será de estranhar que este Arinto de Bucelas, um clássico da região, esteja agora, quatro anos depois da colheita, em grande forma, desafiando quase tudo o que se fez nesse ano. Embora tenha anos de vida pela frente, já tem alguma evolução e começa a mostrar-se. Madeira bem integrada, corpo e volume muito bem conjugados com notas de fruta vária, é um vinho que dá muito prazer a beber, de preferência com boa comida a acompanhar, como uma bacalhauzada no forno. Custa menos de dez euros e ainda se encontra à venda. Para comprar, provar e já agora, guardar. Belo vinho.
 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ribeiro Santo Encruzado 2014 | Lombo de bacalhau confitado, batatas a murro e salada de época...




 
Carlos Lucas não sabe fazer maus vinhos. Parece que tudo em que toca sai bem. Pode-se dizer que os seus vinhos podiam ser menos diretos, menos óbvios, mas da qualidade, ninguém se pode queixar.
É o caso deste Encruzado.
Não deslumbra (se calhar daqui a meia dúzia de anos a conversa será outra), mas tem um preço cordato (pouco acima dos cinco euros) e tem tudo o que se espera de um Encruzado do Dão: boa acidez, frescura, alguma mineralidade aliados a um bouquet interessante, com notas muito ligeiras da madeira e um bom volume de boca.
 
 
 
Acompanhou galhardamente um lombo de bacalhau confitado em azeite, com umas finas tiras de pimento vermelho, alho picado, pimenta preta e um pouco de pimenta de caiena, acompanhado de batatas novas assadas com pele, abertas e regadas com o molho e uma bela salada.
 
A salada foi feita com tomates cereja, de rama e coração da horta do meu pai, sem passarem pelo frio (quanto a isso, deixo o linque para o blog do Luís que melhor explica), pepino e cebola, temperados com flor de sal, vinagre e azeite de Murça (de que deixei nota aqui). Deixa-se tudo a ganhar gosto numa saladeira durante meia horita, mexendo de dez em dez minutos e antes de servir, junta-se alface e envolve-se.
 

domingo, 16 de agosto de 2015

Esporão Reserva 2013 | Pregado no Forno



 
Depois de ter provado o Reserva 2014, abalancei-me ao seu irmão mais velho, da colheita de 2013. Está mais feito, a denotar que ganha se guardado um ou dois anos e tem um excelente equilíbrio.

 
Esteve muito bom a acompanhar um pregado no forno, com as batatas bem douradas e a carne suculenta, no ponto :)

 
Destaco ainda o rotulo, desenhado pelo Prof. Escultor Alberto Carneiro, que foi meu professor de Desenho no 2º ano, ainda na Avenida Rodrigues de Freitas, actual FBAUP.