domingo, 2 de março de 2014

Carolina Douro Branco 2012





Este Carolina é um vinho produzido pelo Luís Cândido da Silva, proprietário da Garrafeira Tio Pepe e com enologia de Jean-Hugues Gros. Feito a partir de uvas de Malvasia Fina da zona da Régua e Viosinho e Rabigato da zona de Tabuaço, é um vinho com estrutura para acompanhar pratos de peixe com alguma complexidade, como esta caldeirada feita com raia, safio, pata roxa e mais alguns peixes. Nesta edição de 2012 pareceu-me mais fresco. Muito bom ao preço (cerca de oito euros) é um vinho que merece prova atenta.


Dona Maria Petit Verdot 2010




Um monocasta de Petit Verdot de Julio Bastos, com enologia da Sandra Gonçalves. Floral e com boas notas de frutos do bosque, madeira muito bem integrada, é um vinho complexo e algo guloso a que apenas falta alguma frescura para brilhar. De qualquer modo, num dia frio e com umas tripas à moda do Porto, bebe-se com muito prazer. Custa cerca de quinze euros, valor justo face à qualidade do vinho.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mouchão 2005




O Mouchão é um dos vinhos míticos do Alentejo. Alicante Bouschet de vinhas velhas e longos estágios em madeira e na garrafa, aliados a uma história centenária, como referi de passagem aqui, fazem deste vinho uma referência incontornável. Uma garrafa custa trinta euros, o dobro do Ponte das Canas e menos de metade do tonel 3-4. Sério e grave e a crescer ainda, quase oito anos após a colheita, surge complexo no copo, balsâmico e fresco, mas cheio de fruta, especiado e com boas notas da madeira, taninos arredondados e um final enorme. Pede comida à altura, como este estufado de tripas e mão de vaca com grão de bico, os espanhóis callos con garbanzos, de que deixei nota aqui, numa saudosa trilogia com a Ana e o Luís.  


Grande vinho :)


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Adega Mãe Alvarinho 2012




Alvarinho de Lisboa, produzido pela Adega Mãe, empresa do grupo Riberalves, com enologia de Anselmo Mendes e Diogo Lopes. Muito bem feito, como seria de esperar de um Alvarinho de Anselmo Mendes, fresco e mineral, mas com corpo e estrutura para se portar muito bem à mesa. Custa sete euros no Continente e esteve brilhante a acompanhar um empadão de bacalhau. Altamente recomendado para beber já e guardar umas garrafas para acompanhar a sua evolução.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quinta do Noval Labrador Syrah 2010




À primeira vista, um vinho feito com Syrah na Quinta do Noval é o equivalente vínico ao Aston Martin Cygnet e decerto muita gente deve ter pensado onde é que estavam com a cabeça quando a empresa produtora do mítico Vintage Nacional se decide a lançar este vinho, mas na verdade foi uma boa ideia. Syrah no Douro, num registo elegante e fresco, é um vinho muito agradável e amigo da mesa. Custa pouco mais de doze euros na Garrafeira Nacional e é uma boa escolha ao preço. Provei-o a acompanhar um frango de capoeira estufado em vinho tinto no tacho de barro e ligaram muito bem.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Massada de Pata Roxa




Pata Roxa é um pequeno tubarão da costa que fica muito bem numa caldeirada, mas que também faz uma bela duma massada. 

Comprei um peixe inteiro, já arranjado e cortei-o às postas. Deitei um fundo de azeite num tacho e juntei cebola picada, alho esmagado, tiras finas de pimento vermelho, sal, pimentas misturadas e uma malagueta seca moída. Deixei refogar uns minutos, juntei polpa de tomate, envolvi e refresquei com um copo de vinho branco. Deixei a estufar um quarto de hora em lume brando e juntei o peixe e água a ferver a cobrir tudo. Mais um quarto de hora em lume brando e estava na hora de juntar a massa e deixar cozer mais doze minutos. No fim, polvilhei com um pouco de salsa picada, envolvi e servi.


E para acompanhar este prato tradicional da Beira Litoral, escolhi o Pai Abel 2011, aka Chumbado, da Quinta das Bágeiras. Quase um ano depois de ter falado dele aqui, noto-o ainda a crescer, naturalmente, mas um bocadinho mais afinado. Um vinho enorme!!!

Quinta do Cardo Reserva Touriga Nacional 2008




Tudo o que me apetecia dizer acerca deste vinho está aqui no site do produtor. Custa cerca de treze euros, promete aguentar uns anos em cave e gostei muito do vinho a acompanhar uma costeleta de vitela mirandesa com batatas a murro e uma couve tronchuda e um nabo cozidos. Altamente recomendado :)


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aphros Vinhão 2011 e o Arroz de Lampreia




Aberta que está a época da lampreia, surge sempre a vontade de fugir aos vinhos verdes tintos que pintam a malga e pedem logo uma pastilha Rennie e embora não se vejam muitas alternativas, este Aphros Vinhão de 2011 é uma delas. É um tinto da região dos vinhos verdes feito com Vinhão e com uma boa acidez que aguenta o ciclóstomo sem dar cabo do estômago. Além disso, tem alguma elegância e muito boa fruta que juntamente com a frescura o torna um excelente acompanhamento para uma arrozada de lampreia. Custa pouco menos de dez euros, preço justo face à qualidade.


Peito de Frango de Caril | Loridos Rosé 2008




Um caril de peito de frango de capoeira quase excessivo, com o vinho tinto a dar alguma complexidade acrescida ao prato... 

Comecei por deitar um fundo de azeite num tacho e juntei uma cebola picada e dois dentes de alho esmagados e picados. Lume médio a deixar a cebola ficar translucida, juntei uma colher de sopa de pó de caril Rajah - Hot Madras. Envolvi tudo e juntei um peito de frango cortado em cubos. Deixei refogar uns minutos, mexendo sempre e adicionei um pouco de polpa de tomate. Mais um pouco em lume médio e refresquei com um cálice de vinho tinto. Cobri com vinho branco e deixei estufar lentamente até o frango ficar macio. Servi com um arroz carolino, levemente frito e aromatizado com uma folha de louro e cozido durante doze minutos.


Acompanhei este prato com um espumante rosado da Bacalhoa, o Loridos de 2008. Boa a ligação, a demonstrar a bondade deste vinho no que toca a aptidão gastronómica. Não é barato (custa cerca de dez euros), mas merece ser provado :)


domingo, 12 de janeiro de 2014

Arroz de Pescada e Camarão

Gosto muito da ligação da pescada com o camarão, seja na versão estufada como a que relatei aqui, seja numa arrozada. Começa-se por cozer camarão e pescada (qualidade e quantidade a gosto). Retiram-se as cascas e as cabeças aos camarões, esmagam-se as cabeças e deitam-se na água da cozedura. Limpa-se a pescada de peles e espinhas e deitam-se as ditas na mesma água da cozedura. Deixa-se em lume brando até reduzir o caldo e ganhar sabores (cerca de meia hora). Reservam-se os camarões, depois de devidamente limpos da tripa e a carne da pescada, partida em pedaços.

Pica-se uma cebola e dois dentes de alho e levam-se a refogar num tacho com um fundo de azeite. Tempera-se com sal e pimenta e quando a cebola ficar translucida, adiciona-se polpa de tomate a gosto (mais ou menos uma colher de sopa por pessoa. Refresca-se com um pouco de vinho branco e deixa-se em lume brando durante cerca de dez a quinze minutos. Adiciona-se então o arroz (carolino, uma chávena de café por pessoa) e o caldo de cozedura do peixe e do marisco (mais ou menos o triplo do volume de arroz). Deixa-se cozer durante doze minutos e junta-se o peixe e marisco reservados e um raminho de salsa picada. Envolve-se e serve-se.  


Este arroz fez muito boa companhia ao Quinta das Bágeiras Garrafeira branco de 2011, um dos meus vinhos brancos preferidos, como já tinha dado nota aqui. Está em grande forma e assim continuará durante muitos anos. Grande vinho!