quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vitela Chanfanada, Arroz de Lombardo e Passas

A vitela (escolhida das partes de estufar), ficou a marinar numa mistura de vinho branco e tinto, alhos esmagados, pimentas várias e uma folha de louro. Deitei cebolinhas cortadas em quartos num púcaro de barro preto, juntei pimento vermelho em tiras e sal. Acondicionei a carne e a marinada no púcaro e levei ao forno pré aquecido a 160º C durante duas horas, com o púcaro tapado com filme de alumínio. Ao fim desse tempo, destapei o púcaro e subi a temperatura do forno para os 170º C com a ventoinha ligada. Deixei a carne alourar e servi.


Com um arroz. Fundo de azeite num tacho, um dente de alho esmagado e picado, passas e couve lombarda finamente fatiada e arroz carolino. Fui envolvendo tudo em lume médio durante uns dois minutos, juntei água a ferver (o dobro do volume do arroz) e deixei cozer durante doze minutos. Envolvi e servi, enformado e com a vitela à volta. 


Arroz no ponto e vitela bem macia. Bela combinação.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Peitos de Frango em Moscatel, Caril e Tomate

Nesta trilogia número 155, foi a vez da Ana lançar o tema a mim e ao Luís: moscatel. O Luís ficou a pensar que eu iria falar dos belos moscatéis do Douro ou dos excelentes de Setúbal, mas preferi fazer uma preparação de fusão utilizando um  humilde moscatel, o da adega de Favaios a acolitar um peito de frango estufado, atomatado e acarilado. 



Comecei por cortar um peito de frango de capoeira em cubos. Deixei-o a marinar de um dia para o outro em alho e moscatel.
Piquei uma cebola para um tacho, adicionei azeite a cobrir o fundo, duas colheres de chá de caril em pó, sal qb e deixei a cebola ficar translucida. Juntei então os pedaços do peito do frango e fui envolvendo até a carne começar a alourar. Juntei polpa de tomate, deixei uns minutos em lume médio e juntei o líquido da marinada. Ficou a estufar em lume brando durante cerca de quarenta minutos.
Entretanto cozi batatas com pele, cortei-as em palitos grossos, descasquei-as e fritei-as em azeite. Escorri-as em papel de cozinha e salpiquei-as com flor de sal. Ficaram macias por dentro e crocantes por fora. Servi com uma salada de tomate.
A doçura do moscatel ligou bem com o tomate e com o caril e deixou-me cheio de vontade de repetir a preparação :)

domingo, 20 de outubro de 2013

Lombo de Bacalhau Confitado, Batatas a Murro e Quinta das Bágeiras Branco 2012




Uma adaptação da tibornada de bacalhau feita na cloche em meia hora. Simples e eficaz. Lavei umas batatas com a pele e reservei. Fiz um invólucro com alumínio de cozinha, do tamanho do lombo de bacalhau, meti lá o lombo, temperei com mistura de pimentas, alho esmagado e picado, uma malagueta seca e cobri com azeite. Fechei o invólucro e meti-o no tabuleiro da cloche juntamente com as batatas. Salpiquei as batatas com um pouco de sal marinho e deixei a assar durante um quarto de hora. Passado esse tempo, virei as batatas, abri o invólucro do bacalhau para dourar a pele e deixei mais um quarto de hora. Lombo no prato, batatas abertas com um murro e temperadas com o azeite do bacalhau e feijão verde cozido. 





Para acompanhar, abri uma garrafa do branco da Quinta das Bágeiras 2012. Maria Gomes, Bical e Cercial vinificadas ao gosto do enólogo Rui Moura Alves e do produtor Mário Sérgio Alves Nuno. Vinho feito para a mesa e para a cave, tenso, longevo, fora de moda, é um dos meus brancos preferidos. Até quase me fez esquecer que também há um Garrafeira Branco e um Pai Abel. Por menos de quatro euros, é uma tentação. E se pensarmos que daqui a dez ou vinte anos ainda temos vinho, melhor ainda :)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Feijoada de Lombinho de Porco

Nesta trilogia nº 154, sugeri um tema à Ana e ao Luís, a que chamei arte de feijoar. Isto dava para muita coisa e a mim deu-me vontade de fazer uma feijoada da nossa tradição, mas aqui num registo mais light, embora usando carne de porco. Abdiquei das partes gordas, gelatinosas e das cartilagens, como o toucinho, as orelhas, os chispes e a panóplia de enchidos e usei apenas lombinho e umas poucas rodelas de chouriço de porco preto.


Comecei por picar uma cebola e dois dentes de alho para um tacho. Cobri com azeite e levei a lume esperto até a cebola começar a ficar translucida. Juntei um lombinho de porco cortado em pedaços e umas rodelas de chouriço de porco preto. Para temperar, sal qb, mistura de pimentas grosseiramente esmagadas no almofariz e uma malagueta seca desfeita à mão. Fui envolvendo tudo com a colher de pau enquanto cortei cenoura em pedaços e couve lombarda em tiras. Quando a carne estava a começar a dourar, adicionei polpa de tomate e deixei mais uns minutos, mexendo sempre, para não se pegar. Adicionei a cenoura e a couve, um pouco de vinho branco e baixei o lume. Deixei em lume brando cerca de meia hora e juntei uma lata das pequenas de feijão branco. Envolvi tudo e deixei a fervilhar durante cinco minutos. Desliguei o lume e deixei outros cinco minutos a harmonizar sabores.


Para acompanhar esta feijoada, um arroz. Carolino, como se gosta. Um dente de alho esmagado e picado, azeite a cobrir o fundo e arroz a fritar levemente. Juntei uma folha de louro, sal qb e água (o dobro do volume do arroz) e deixei cozer os canónicos doze minutos. Servi, com o arroz enformado no centro do prato e a feijoada a envolver.  

domingo, 13 de outubro de 2013

Terras do Demo Bruto Reserva 2009




...o cintilar deste "pata de lebre", Reserva 2009, seria também, no romance de Aquilino Ribeiro, "uma ambrósia que faria morrer de gozo a velha de Esopo.

Isto é o que nos diz o contra rótulo deste novo espumante Terras do Demo Reserva 2009. Aromas de panificação, bolha fina e elegante, frescura mineral, acidez no ponto e alguma austeridade caracterizam o vinho. Está uns furos acima do branco dito normal, é excelente para beber a solo, mas é capaz de brilhar com umas ostras bem frescas. Gostei muito.


Bolo de Nozes, Passas e Cerejas Cristalizadas


Nesta trilogia número 153, o Luís sugeriu a mim a à Ana o tema aguardente. Optei por fazer um bolo com massa de manteiga e frutos secos e cristalizados.


Ingredientes:

100 g de açúcar amarelo
100 g de manteiga
3 ovos médios
uma chávena de chá de passas maceradas em aguardente vínica velha
uma mão mal cheia de nozes descascadas e picadas grosseiramente
10 cerejas cristalizadas cortadas em quartos
100 g de farinha de trigo
uma colher de chá de fermento em pó (rasa)

De véspera, deixam-se as passas a macerar em aguardente vínica velha. Não tem que se desperdiçar excelente aguardente. Pode usar-se uma boa e relativamente barata, como a Aliança Velha
Corta-se a manteiga em fatias finas e incorpora-se no açúcar, trabalhando com as mãos até obter uma bola uniforme. Juntam-se os ovos um a um e vai-se ligando com a vara de arames. Adicionam-se as nozes, as cerejas e as passas, bem como a aguardente onde maceraram e envolve-se tudo com a colher de pau. Junta-se a farinha e o fermento, envolve-se tudo e leva-se ao forno pré-aquecido a 150º C durante trinta e cinco a quarenta minutos. Se necessário, proteger com filme de alumínio. Depois de desenformar, querendo, cobre-se com açúcar em pó.

António Madeira Dão Vinhas Velhas 2011




Sobre a origem e características deste vinho, remeto para a ficha técnica que o António Madeira publicou no blogue. A palavra que melhor o define será elegância. Nada de excessos nem exageros de maturação, extracção, madeira, aromáticos e quejandos que estiveram tão em voga há alguns anos. Bosque, granito, tudo aponta para a terra, para um Dão profundo, terroso. Gostei muito do vinho. Bela estreia do António. Parabéns.


Acompanhei o vinho com um empadão de coelho e uma salada de tomates vários. Bela ligação.

Vinha Paz Reserva 2010




Depois de ter provado recentemente o vinho branco de 2012 e o tinto colheita de 2011, abalancei-me ao Reserva de 2010. Feito com 80% de touriga nacional, estagia dezanove meses em meias pipas de carvalho francês novas. Grande elegância das notas florais da touriga que marcam o conjunto onde também pontuam notas de frutos vermelhos e negros. Está fácil de beber, mas num sentido grave e sério, porque o vinho é muito jovem, mas para quem gosta deles assim, é uma tentação. Tanta qualidade num vinho que custa menos de vinte euros é de louvar. Grande vinho!!!

Vinha Paz Colheita 2011




Vinha Paz colheita tinto 2011. Tenso, telúrico, profundo, é um daqueles vinhos que apetece beber assim novo, sem decantar, a deixar que abra no copo, com uma manga para ir controlando a temperatura, se bem que mesmo com 15º, o álcool está tão bem integrado que só deve incomodar quando o vinho estiver acima dos 18º C. Notável equilíbrio entre a fruta e a madeira, entre a austeridade e a graça, entre a excelente aptidão gastronómica e a igualmente excelente companhia a solo, com musica complexa, como os últimos quartetos de Beethoven. Não sei se é o melhor dos colheitas, mas encantou-me. 

Meti este texto há 3 dias no facebook. Tudo dito, menos a referencia à bela ligação com um naco de vitela estufado e finalizado no forno, acompanhado com uns legumes simplesmente cozidos.



Quinta dos Carvalhais Branco Colheita Seleccionada 2009




O vinho branco Colheita Seleccionada da Quinta dos Carvalhais pode ser um clássico do Dão, mas é um clássico a que apetece voltar sempre. É um vinho com alma, que precisa de tempo. Este 2009 está em excelente forma. Elegante e complexo, é um vinho que acompanha muito bem pratos de peixe com alguma complexidade e gordura, como este bacalhau à Conde da Guarda de que dei nota aqui.