domingo, 13 de outubro de 2013

Vinha Paz Reserva 2010




Depois de ter provado recentemente o vinho branco de 2012 e o tinto colheita de 2011, abalancei-me ao Reserva de 2010. Feito com 80% de touriga nacional, estagia dezanove meses em meias pipas de carvalho francês novas. Grande elegância das notas florais da touriga que marcam o conjunto onde também pontuam notas de frutos vermelhos e negros. Está fácil de beber, mas num sentido grave e sério, porque o vinho é muito jovem, mas para quem gosta deles assim, é uma tentação. Tanta qualidade num vinho que custa menos de vinte euros é de louvar. Grande vinho!!!

Vinha Paz Colheita 2011




Vinha Paz colheita tinto 2011. Tenso, telúrico, profundo, é um daqueles vinhos que apetece beber assim novo, sem decantar, a deixar que abra no copo, com uma manga para ir controlando a temperatura, se bem que mesmo com 15º, o álcool está tão bem integrado que só deve incomodar quando o vinho estiver acima dos 18º C. Notável equilíbrio entre a fruta e a madeira, entre a austeridade e a graça, entre a excelente aptidão gastronómica e a igualmente excelente companhia a solo, com musica complexa, como os últimos quartetos de Beethoven. Não sei se é o melhor dos colheitas, mas encantou-me. 

Meti este texto há 3 dias no facebook. Tudo dito, menos a referencia à bela ligação com um naco de vitela estufado e finalizado no forno, acompanhado com uns legumes simplesmente cozidos.



Quinta dos Carvalhais Branco Colheita Seleccionada 2009




O vinho branco Colheita Seleccionada da Quinta dos Carvalhais pode ser um clássico do Dão, mas é um clássico a que apetece voltar sempre. É um vinho com alma, que precisa de tempo. Este 2009 está em excelente forma. Elegante e complexo, é um vinho que acompanha muito bem pratos de peixe com alguma complexidade e gordura, como este bacalhau à Conde da Guarda de que dei nota aqui.


domingo, 6 de outubro de 2013

Arroz de Camarão e Robalo, Feijoada de Chocos, Vinha Paz Branco 2012 e Fuga da Passarela Tinto 2010

Post abrangente, podia ser dividido, mas vai assim...

Esta semana cumpriu-se a trilogia número 152, a do robalo, a mando da Ana. Com algum atraso apresento um arroz quase replicado de um fantástico arroz de camarão e pescada que fiz há pouco tempo e que a súbita morte da bateria da maquina fotográfica me impediu de registar. Fica este, para memória futura dum almoço de domingo.

Um bom arroz feito com peixe e mariscos não é difícil de fazer, mas é intolerante a distracções, simplificações e demais atabalhoamentos que facilmente o transformam numa coisa sensaborona e desinteressante. Será desnecessário referir que a qualidade dos ingredientes será crucial para obter um prato de excelência. Neste caso, com camarões e robalo de aviário, conseguiu-se apenas que ficasse bastante bom.

Comecei por levar um tacho ao lume com água e (pouco) sal e quando levantou fervura, juntei camarões médios descongelados e deixei uns três minutos. Retirei-os e quando a água voltou a ferver, juntei um robalo e deixei cozer estritamente até conseguir separar a carne da espinha do peixe. Retirei-o do lume, limpei-o de pele e espinhas e deitei-as outra vez para a água da cozedura, juntamente com a cabeça e espinha do robalo e os despojos dos camarões. Reservei os camarões descascados e a carne do robalo partida em pedaços pequenos e deixei o caldo a apurar cerca de quarenta minutos. 
Entretanto, piquei uma cebola, dois dentes de alho e uns pés de coentros, reservando as folhas. Cortei um tomate bem maduro (coração de boi, a que retirei a pele) em cubos pequenos e reservei. Deitei um fundo de azeite num tacho, juntei a cebola, o alho e os pés de coentro e deixei em lume médio, mexendo, até a cebola estar translucida. Juntei então um ar de pimenta branca, o tomate e deixei mais uns minutos até o tomate ficar quase em papa. Adicionei uma chávena de bom arroz carolino (gosto do Pato Real, aguenta bem a cozedura), envolvi tudo durante um minuto e juntei o caldo da cozedura do robalo e dos camarões, devidamente coado e no triplo do volume do arroz. Deixei cozer doze minutos, juntei o peixe e o marisco, envolvi, juntei as folhas de coentros picadas grosseiramente, voltei a envolver, deixei um minuto a harmonizar sabores, verifiquei o ponto de sal e servi. Tudo no ponto, tudo a preceito, mas simples e muito bom.



Trilogia cumprida e passamos ao segundo prato, uma feijoada de choco parecida com esta e de que deixo nota apenas para falar dos vinhos bebidos.


O Vinho escolhido para o almoço foi o Vinha Paz branco da colheita de 2012. recentemente notado com 16,5 valores pelo painel da Revista de Vinhos (nº 285, de Agosto deste ano), a mesma nota atribuída a clássicos do Dão, como os Encruzados dos Carvalhais, de Mouraz ou de Santar. Com um PVP de referencia de seis euros é naturalmente de prova obrigatória. Gostei muito do vinho e da forma como acompanhou o arroz, um prato delicado, sem o ofuscar e como se aguentou com a feijoada de chocos, sem se deixar ofuscar. É bem feito, tem elegância e delicadeza, mas também tem garra e uma bela acidez. Belo vinho a que apenas achei que faltou alguma mineralidade para encantar.

A seguir provou-se o Fuga da Passarela tinto 2010. É Um vinho da Casa da Passarela feito para os supermercados Pingo Doce e esteve este fim de semana disponível a metade do preço de referencia que é de quatro euros e meio, logo, saiu a dois euros e vinte e quatro cêntimos. Tem um bom equilíbrio entre a fruta e a madeira (usada, penso) e uma boa aptidão gastronómica. Acompanhou bem a feijoada de chocos e ainda deu luta a um queijito de ovelha de pasta mole da serra da estrela. Simples e bem feito, não cansa como alguns vinhos alentejanos feitos para a mesma cadeia de supermercados. Foi feito para ser simples, barato e agradar a todos. Conseguiu? Acho que sim, há ali Dão :)



Para finalizar o almoço, um bolo de amêndoa e doce de chila, parecido com este e que rematou bem o almoço :)





quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Vinha Grande 2010




A Casa Ferreirinha é uma das mais reputadas no que concerne à produção de bons vinhos do Douro. O Esteva é um clássico, porreiro e barato (quatro euros), o jovem Papa Figos (custa seis euros) foi bem acolhido por críticos, bloguetas e alguns eno-chatos, o Vinha Grande (que é capaz de ser a revelação das pobres feiras de vinhos de 2013, já que se consegue comprar a cinco euritos, metade do preço habitual), o Callabriga (anda ali nos quinze euros, mas não o provo há muito tempo), o Quinta da Leda (que custa cerca de trinta euros) é um clássico que se vai afirmando como um dos vinhos com excelente qualidade/preço. Depois entramos nos topos dos topos, com o mítico Barca Velha a liderar a gama de vinhos onde ainda pontuam o AAF, o Reserva Especial e algumas edições especiais saídas da Quinta da Leda.

Luís Sottomayor é o enólogo responsável por manter e melhorar a qualidade dos vinhos da casa, agora pertencente à Sogrape. O Vinha Grande costumava estagiar nas pipas por onde passavam os Barcas Velhas e saía para o mercado uns seis a sete anos após a colheita. Agora sai mais cedo - o 2010 já está o mercado e logo a bons preços - no Lidl estava a € 5,99 e no Pingo Doce esteve a menos de € 5,00. 

Frutinha vermelha bonita, alguma violeta, madeira no ponto, ligeiramente especiado, bem feito e capaz de agradar a gregos e troianos, cumpre o que dele se espera. A dez euros no supermercado ou garrafeira ou a vinte e cinco ou trinta no restaurante, não desilude. Se se conseguir comprar mais barato, melhor ainda.

Acompanhei-o com um coelho marinado em vinha de alhos, estufado no tacho e finalizado no forno para alourar e com umas batatas cozidas com pele. Ligaram bem, a comida e o vinho.



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pequenos Rebentos 2012




Pequenos Rebentos é o nome que o Eng. Márcio Lopes dá aos seus vinhos. Nesta colheita de 2012 fez vinte mil garrafas do Alvarinho e Trajadura e cinco mil do Alvarinho. O Alvarinho edição limitada não teve edição nesta colheita de 2012.

O Alvarinho e Trajadura 2012 escolha tem um PVP recomendado de quatro euros e é um vinho muito fresco e agradável de beber, quer a solo, quer a acompanhar saladas ou pratos de marisco sem grandes temperos ou ainda peixes bem grelhados. Tem um lado vegetal e algo austero que juntamente com a belíssima acidez e alguma mineralidade, me agradaram particularmente.

Já o Alvarinho extreme tem mais estrutura e mais corpo, mas é igualmente fresco e com uma boa acidez. Bom também para beber a solo, já dá luta a pratos mais elaborados como uma bacalhauzada no forno. O PVP recomendado é de oito euros, mais do que justo, face à qualidade do vinho.


Em síntese, são dois belos vinhos, com boa relação qualidade/preço e que vão sendo, ano após ano, apostas mais que seguras. Estive a provar os vinhos enquanto ia comendo uns bolinhos de bacalhau :)

(vinhos oferecidos pelo produtor)

domingo, 29 de setembro de 2013

Terra a Terra Douro Reserva Branco 2011



Depois do tinto de 2010 que referi no post anterior, apresento o branco de 2011. É feito com uvas das castas gouveio, rabigato e viosinho vinificadas separadamente em inox e madeira usada e com três meses de bâtonnage. Foi engarrafado em abril do ano passado (quatro mil garrafas) e tem um PVP recomendado de oito euros.

Fino e elegante, tem uma excelente aptidão gastronómica. Notas de frutos brancos (melão) e algum tropical (maracujá) compõem um belo ramo de aromas que se aliam a uma acidez granítica (termo do contra rotulo, mais que apropriado) e a um longo final. Um belo branco do Douro que recomendo vivamente. Já agora remeto para este post do João Pedro Carvalho acerca destes Terra a Terra e que me parece merecedor de ser recordado :)


O vinho esteve muito bem a acompanhar umas sardinhas no forno, feitas assim:

Sardinhas frescas, amanhadas, escamadas e decapitadas. Salpiquei-as com um pouco de sal grosso e deixei-as uma hora a descansar. Cortei uma cebola em meias luas bem fininhas, um tomate coração de boi em rodelas bem finas e um pimento vermelho em finas tiras. Estas finuras todas foram para permitir que os vegetais assassem ao mesmo tempo que as sardinhas. Cobri o fundo dum tabuleiro com os vegetais, juntei ainda uns dentes de alho esmagado e picado, as sardinhas e meti umas tiras de cebola e de pimento a cobrir as sardinhas. Reguei com um fio de azeite e levei ao forno pré aquecido a 180º C durante vinte minutos. Acompanhei com batatas cozidas.

(vinho oferecido pelo produtor) 

Terra a Terra Douro Reserva Tinto 2010

Celso Pereira, o enólogo de alguns dos mais distintos espumantes portugueses (Vértice - Caves Transmontanas) juntou-se ao enólogo Jorge Alves no projecto Quanta Terra e rapidamente criaram um vinho duriense de referencia (chamado exactamente Quanta Terra e já referido aqui). Em 2005 lançaram o Terra a Terra Reserva (branco e tinto) e desde então estes vinhos são escolhas obrigatórias no patamar de preços abaixo dos dez euros (o PVP recomendado é de oito euros).   


Este 2010 reserva é feito com 10% de touriga nacional e o restante em partes iguais de touriga franca e tinta roriz. Estagia doze meses em barricas usadas. Muito bem feito e fácil de beber e dá muito prazer à mesa. Gostei muito do trabalho com a madeira, presente mas sem marcar o vinho. Boas notas de frutos negros bem maduros e bosque, bem estruturado e algo guloso (sem comprometer). Pede apenas algum cuidado na temperatura de serviço (tem 14,5º de álcool), bons copos e boa comida para brilhar. Acompanhei-o com um simples cozido e ligaram muito bem. Está numa boa altura para ser provado, mas é sempre aconselhável guardar umas garrafitas para ir bebendo durante uns anos. 


(vinho enviado pelo produtor)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Roupa sem Idade de Bacalhau

Nesta trilogia número cento e cinquenta e um, propus à Ana e ao Luís a milionésima segunda receita feita com o chamado fiel amigo, o bacalhau.  


 
Na verdade, o bacalhau salgado e seco, depois de devidamente demolhado, como gostamos dele em terras lusitanas, presta-se a múltiplas preparações, talvez às mil e uma publicadas e a outras quantas divididas entre variações pessoais, delírios de chefs e adaptações mais ou menos inteligentes, mais ou menos trapalhonas, mais ou menos inspiradas e por aí adiante.
 
A que escolhi até podia ser apelidada de milésima terceira, já que é uma variação duma preparação que apresentei aqui sobre a chamada roupa velha, o maldito prato com que muitas pessoas levam na ressaca do jantar da véspera do natal.
 
A base foi o chamado bacalhau cozido com todos, aqui só com batatas e couves (com uns ovinhos a acolitar). Depois de tudo cozido no ponto, limpei o bacalhau de peles e espinhas, lasquei-o e reservei. Parti as batatas e as couves em pedaços mais pequenos e envolvi tudo, juntamente com uns dentes de alho picados e uma boa quantidade de bom azeite. Deitei a mistura num tabuleiro e levei ao forno pré-aquecido a 100º C durante um quarto de hora. Retirei do forno, voltei a envolver e juntei os ovos descascados e cortados em quartos e umas azeitonas pretas descaroçadas a dar o toque final. Ficou uma meta roupa velha, de sabor ainda mais delicado do que a que linquei acima.
 
Supimpa :)  
 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Trilogia 150 - Açores e o Lajido 2001




Nesta trilogia número 150 fui virtualmente aos Açores com a Ana e o Luís. A Ana recriou uma das mais emblemáticas preparações do arquipélago, a alcatra e o Luís foi ao licor de leite. Eu fico-me por um vinho que qualquer enófilo que se preze terá que provar, nem que seja uma vez. Refiro-me ao Lajido, um vinho licoroso da ilha do Pico. Seco, seco, seco é excelente como aperitivo, assim, sem mais nada, apenas fresco e servido num bom copo (o do Arq. Álvaro Siza para vinho do porto é adequado). Também se pode voltar a ele no fim da refeição, a acompanhar sobremesas pouco doces. Não é barato (€15,50 na Garrafeira Nacional) mas é um daqueles vinhos que nunca se esquecem :)