quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Bacalhau dos Enterros Revisitado


Nesta 144ª semana de trilogias foi a vez do Luís propor o tema a mim e à Ana e sugeriu pratos perdidos. Depois de há quase quatro anos ter falado aqui desta receita tradicional da Gândara, o chamado bacalhau dos enterros, resolvi fazer uma revisita com o rigor que na altura lhe faltou.
Este era um prato que se servia normalmente em ocasiões especiais, quando falecia alguém na família ou quando se fazia uma obra que implicava apoio de familiares e amigos, como a abertura de um poço de rega e seria um prato de fácil aceitação por parte de todos os comensais.


 Basicamente, trata-se de bacalhau cozido com batatas e cebolas às rodelas, em pouca água, juntando apenas sal e uma folha de louro. Depois de cozido, escorria-se a água da cozedura e temperava-se com alho esmagado e picado. Abafava-se e ia à mesa, normalmente numa bacia de porcelana. Era servido e já no prato, era temperado com azeite e vinagre.


Este teve o condão de me fazer reviver esta preparação tal como se fazia há mais de trinta anos e se a escolhi foi apenas porque não me parece que seja um prato que muita gente ainda faça. Na verdade, para os padrões actuais não será muito apelativo, mas pela curiosidade, quer da preparação, com a folha de louro a pontuar o sabor final do prato, quer pela finalização com azeite e vinagre, combinação quase omnipresente na altura (quem não se lembra dos galheteiros que iam à mesa a quase todas as refeições?) que lhe dá um sabor muito especial. Devo ainda referir que este prato foi feito com uma variedade de batatas que pouco se utilizam actualmente, as Arran Banner, inglesas, muito saborosas e de cozedura rápida (ao fim de um quarto de hora de cozedura começam a desfazer-se). O azeite que utilizei foi o Oliveira Ramos, de Estremoz e do Eng. João Portugal Ramos de que já falei e o vinagre é da Gândara, mais propriamente da Fogueira e da Quinta das Bágeiras. Vinagre artesanal, feito com vinhos seleccionados e envelhecido durante cerca de dez anos em cartolas (pipas de 200 litros) de carvalho. É um vinagre de luxo, com 2.500 garrafas de 25 cl actualmente no mercado. Custará cerca de € 12,30 em lojas ditas gourmet e garrafeiras. Este foi oferecido pelo produtor, o Mário Sérgio Alves Nuno, a quem agradeço, naturalmente. Belo vinagre :)


domingo, 4 de agosto de 2013

Vila Santa Reserva Branco 2012



Vinho Regional Alentejano branco de lote de João Portugal Ramos, feito com Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc e com parte do vinho a estagiar em madeira. As castas utilizadas, as mesmas do vinho de 2011 de que tinha dado nota aqui dão frescura e boa acidez ao vinho e a madeira torna o conjunto mais complexo. Notas cítricas e ligeira tosta num conjunto muito elegante e com evidente boa aptidão gastronómica. É um vinho desenhado para ser dos melhores no seu segmento de preço (€ 9,99 no supermercado) e é-o efectivamente. Recomendado para beber já ou guardar, agradece boa temperatura de serviço e bons copos.

Provei-o a acompanhar uma salada feita com batata, cenoura e feijão verde cozidos a que juntei uma cebolinha picada, um tomate em cubos, atum de conserva, ovo cozido e um pouco de salsa picada. Reguei com bom azeite (o Oliveira Ramos, do mesmo produtor e que tinha referido aqui) envolvi e levei uma hora ao frigorífico antes de servir. O vinho ligou muito bem com a simplicidade da comida, que o deixou brilhar. Belo vinho.   


(vinho enviado pelo produtor)

sábado, 3 de agosto de 2013

Caves São João Espumante Bruto Reserva 2010


À beira de completar cem anos, as Caves São João produzem alguns clássicos do panorama vínico português, como os vinhos da Quinta do Poço do Lobo e o Frei João. E este espumante bruto reserva, com um preço a rondar os cinco euros na chamada moderna distribuição, feito com Bical, Chardonnay e Arinto. Fácil de encontrar, com uma boa relação qualidade/preço e com boa aptidão gastronómica, é um vinho de "porta do frigorífico", sem dúvida. Beba-se em flute no início do jantar ou em copo de vinho a acompanhar comida que o vinho está aí para acompanhar de uma forma digna quase tudo o que se lhe meter ao caminho.


Esteve excelente a acompanhar uma caldeirada de bacalhau.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Tapas de Broa de Milho com Beterraba e Sardinha em Tomate em Cama de Alface. Gaspacho de Beterraba




Nesta semana número cento e quarenta e três calhou à Ana a vez de propor o tema a mim e ao Luís e saiu beterraba

Fiz uma entrada, começando por um gaspacho de beterraba, feito assim:

três dentes de alho
uma colher de sopa rasa de sal
azeite qb
uns borrifos de bom vinagre de vinho tinto
um ar de orégãos secos
um tomate coração
meio pepino
pimentos de piquillo em conserva a gosto
beterraba de conserva a gosto
água gelada a gosto

Comecei por fazer uma pasta com os alhos e o sal, no almofariz. Deitei essa pasta num copo, juntei o azeite, o vinagre (vinagre velho da Quinta das Bágeiras, com mais de vinte anos) e os orégãos. Envolvi e juntei o tomate, o pepino, os pimentos e a beterraba. Passei tudo com a varinha e juntei água bem gelada. Reservei.

Fiz depois uma cama de alface no prato, cortada em juliana e temperada com flor de sal e um fio de azeite. Cortei broa de milho em fatias finas (podem ser fritas, querendo), abri sardinhas de conserva em molho de tomate picante, retirei-lhes a espinha e montei as tapas, finalizando com um pedaço de beterraba.


Interessante a beterraba no gaspacho, a dar um sabor mais terroso à bebida e também engraçada a acolitar as sardinhas, estabelecendo um contraste entre a terra e o mar que nem sempre sai bem.

domingo, 28 de julho de 2013

Dão à Mesa, Bolinhos de Red Fish, Bochechas de Porco Estufadas, Folhadinhos de Requeijão com Mel e Nozes e uma Salada de Fruta




Almoço de domingo, com vinhos do Dão a pontificar à mesa. Dois vinhos, um rosé e um tinto que aliam a qualidade intrínseca a uma boa relação qualidade preço. 

Para começar, o rosé 2012 Touriga Nacional da Quinta do Perdigão - garrafa nº 25 das 4.100 produzidas - tenso, floral, com alguma secura, muito porreiro. Só é pena ter 13,5º, embora não se note no copo. Com um PVP recomendado de sete euros, é uma tentação.


Acompanhou uns bolinhos de red-fish, feitos assim:

300 g de red fish cozido, limpo de pele e espinhas
300 g de batatas cozidas
3 ovos
1 raminho de salsa
1 ar de pimenta preta
1 ar de alho em pó
sal qb

Esmagam-se as batatas, junta-se o peixe em pedaços pequenos, envolve-se bem enquanto se juntam os ovos um a um. Junta-se a salsa picada, a pimenta e o alho, volta a envolver-se tudo e tempera-se, caso seja necessário. Moldam-se bolinhos com duas colheres, como os pastéis de bacalhau e fritam-se em óleo bem quente. Quando fritos, escorrem-se sobre papel absorvente.

Estes bolinhos foram servidos sobre salada de feijão frade, com azeite, salsa e cebola picada.



Para acompanhar o prato principal escolhi o Quinta da Pellada tinto 2007. Na gama de vinhos do Álvaro de Castro anda ali acima do Dão Reserva de que tinha falado aqui e logo abaixo do PaPe. Quase seis anos após a colheita ainda está na curva crescente de evolução. No copo, aparece escuro mas não opaco, com um belo equilíbrio entre as notas de frutos negros, das flores do tourigo e da tosta da madeira. Muito sedutor no nariz, prova-se com evidente e equivalente prazer. Taninos presentes a augurar anos em cave, mas macios qb. Muito boa aptidão gastronómica com bom corpo e um longo final. Não é barato (PVP recomendado de vinte e cinco euros) mas vale bem o que custa. Belo vinho!

Acompanhou umas bochechas de porco marinadas e estufadas em vinho tinto. 

Deixei a carne a marinar em vinho tinto e alho, de um dia para o outro. Piquei uma cebola para um tacho de fundo grosso, deitei um fundo de azeite, uma folha de louro, um ar de mistura de pimentas (branca, preta, verde, vermelha, rosa e de caiena) grosseiramente esmagadas no almofariz, uma malagueta seca partida em pedaços e um ar de cominhos. Deixei refogar a cebola uns minutos, juntei as bochechas e deixei-as mais uns minutos, mexendo até alourarem a toda a volta. Juntei então o vinho e os alhos da marinada e quando levantou fervura, baixei o lume para o mínimo. Deixei a estufar em lume muito brando durante um pouco mais de uma hora (convém ir vendo, a carne deve ficar bem macia, mas não a desfazer-se). Servi com puré de batata e uma salada de tomate e alface.


Para a sobremesa, folhadinhos de requeijão com mel e nozes, parecidos com estes 


e uma salada de frutas com chantilly a fechar.




terça-feira, 23 de julho de 2013

Salada de Batata, Cenoura e Ervilhas | Barriga de Atum




Cortei batata e cenoura em pedaços pequenos e cozi com ervilhas. Escorri e envolvi com bom azeite. Servi com as barrigas de atum em conserva da Campos Santos (barriga de atum em óleo vegetal, com cebola, alho e um pouco de piri piri, sal e salsa. Catálogo aqui) e um pouco de salsa a enfeitar :)

Ensopado de Pregado




As açordas e os ensopados são formas básicas e tradicionais de aproveitamento do pão. Este ensopado de pregado é muito simples de fazer e é mais que adequado ao verão, a acompanhar um bom vinho branco.

Corta-se o pregado em postas finas e reserva-se. Cobre-se o fundo dum tacho com cebola em rodelas, junta-se alho esmagado, pimento em tiras, tomate em rodelas finas (no tempo dele e se for de boa qualidade, se não, polpa de tomate), pimenta e sal. Junta-se o peixe e leva-se a lume muito brando até o peixe estar macio. Querendo, junta-se um pouco de vinagre de vinho branco antes de servir. Deitam-se então fatias de pão duro num prato, cobre-se com o molho e com o peixe.

Arroz de Favas e Entrecosto



Comecei por deitar um fio de azeite num tacho de fundo grosso, juntei uma cebola picada grosseiramente, dois dentes de alho, uma folha de louro e um pouco de pimenta preta. Quando começou a ferver, juntei entrecosto de porco com osso cortado em cubos. Deixei a carne alourar de todos os lados e cobri com um pouco de polpa de tomate e vinho branco. Deixei a estufar em lume brando até o entrecosto estar macio. Juntei então favas previamente escaldadas e descascadas e arroz carolino. Envolvi e juntei água a ferver (o dobro do volume do arroz). Deixei a cozer dez minutos em lume brando, desliguei e servi.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Trilogia 132 - Manteiga

Na semana 132, o Luís sugeriu manteiga, fez Areias de Cascais e a Ana fez um Bolo de Ouro. E a manteiga, pese o valor que acrescente na doçaria, brilha a acolitar as minhas torradas matinais.


Pão mais pequeno aberto ao meio ou um maior fatiado, dá sempre garantia de boas torradas. Aqui nada engana, bom pão e boa manteiga com a ajuda da chamada cloche ou "patusca". Pão apenas aquecido do lado do miolo e deixado crocante do lado da côdea, parece muito simples, mas não é sempre. E manteiga da boa, da das marinhas quando há...

trilogia 141, a do Fumeiro

Esta foi a mando do Luís: fumeiro. Apresentou um belo arroz do mesmo e a Ana outro, de galinha e enchidos da vizinha.

Sal, fumo e tempo corporizam uma transformação quase tão dramática como a cozedura, fritura ou assadura nos alimentos. Quando se fala de fumeiro fala-se de técnicas antigas de conservação, muito dos enchidos no sul da europa, mais dos peixes a norte. 

Para cumprir esta trilogia, começo com uma sopa clássica da minha humilde cozinha e que assenta em três coisas: a primeira é uma base de vegetais (aqui, alho francês, cebola, tomate fresco e em polpa) que meto a cozer com um pouco de chouriço e presunto. A segunda é retirar as carnes e passar a varinha. Depois, corto as carnes e junto a couve flor e algumas vezes, uns bagos de arroz ou massinhas.


Continuando, um clássico alternativo ao chouriço assado, uns folhados de chouriço. Cortam-se rodelas de chouriço a gosto, envolvem-se em massa folhada e levem-se ao forno pré aquecido a 210º C. Ao fim de dez minutos, estão prontos :)