Nesta trilogia número cento e trinta (são quasi quasi dois anos e meio, caramba) foi a minha vez de sugerir o tema à Ana e ao Luís: comida de tacho. E a minha proposta é um coelho estufado, entre o que se faz nas terras transmontanas (com cebola, salsa e vinho branco) e o da região saloia, chamado à caçadora e que leva o sangue do bicho. Não será arquetípico como a bela dobrada que o Luís apresentou, mas é sem dúvida um dos grandes pratos de tacho deste rectângulo à beira mar plantado (e ainda temos um fantástico que se chama à capitão mor, da beira alta, mais todos os personalizados estufados feitos por quem gosta de caçar e cozinhar - um mundo, portanto).
Usou-se um coelho bom (criado em casa, algo entre os excelentes de caça e os esponjosos da moderna distribuição) que ficou a marinar em alho e vinho branco de um dia para o outro.
Pica-se uma cebola para um tacho de fundo espesso, junta-se um fundo de bom azeite e leva-se a lume esperto a puxar a cebola. Tempera-se com sal, pimenta e uma malagueta, junta-se o coelho, em pedaços e escorrido da marinada e deixa-se selar e alourar a carne. Refresca-se com o líquido e os alhos da marinada mais um pouco de vinho branco, baixa-se o lume para o mínimo, junta-se um raminho de tomilho e uma folha de louro e deixa-se estufar até a carne estar bem macia, mas sem se desfazer. Para completar o prato, batatas e grelos cozidos, ficam muito bem.
Acompanhei este belo prato com um espumante bairradino, da Quinta do Encontro e feito com Touriga Nacional. Custou pouco mais de cinco euros no continente e não tem data de colheita, mas estava fresco e jovem, porreiro. Será um dos últimos de Carlos Lucas ou um dos primeiros de Osvaldo Amado. Gostei.

























