sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quinta das Bágeiras Branco 2005


Este é mais um vinho branco que repousou uns bons anos na cave do Mário Nuno, estando agora disponíveis no mercado algumas garrafas. Vinho branco da colheita de 2005, feito como indicado no contra-rótulo, está um vinho que desafia o tempo. Cor amarelo nada evoluído, muito balsâmico, tem uma excelente acidez para acompanhar pratos de peixe com alguma gordura.   



Esteve sublime a acompanhar um lombo de bacalhau no forno, com batatas, cebolas, pimentos, alho, pimenta preta, louro e azeite.


Adega de Pegões Syrah 2010

Este é bem capaz de ser um daqueles vinhos que os enófilos detestam, de previsível e redondo que é. Ao mesmo tempo teve a triste sina de ser avaliado pela Deco. E qualquer blogueta que se preze jurará a pés juntos que não sabe que vinho é esse. Trata-se do Adega de Pegões Syrah 2010. Cinco anos depois de fazer o melhor vinho do mundo, Jaime Quendera apresenta este. Não é da Casa Ermelinda de Freitas, mas da Adega de Pegões, custa € 4,99 e teve direito a 16 valores na recente prova de tintos de Setúbal feita pelo painel da Revista de Vinhos.  


Cheio de notas de fruta bem madura, quase compota, boa madeira a compor o conjunto, é um vinho redondo e voluptuoso que dá muito prazer a beber. Servido à temperatura correcta (17º C) e em bons copos é capaz de ofuscar muitos vinhos bem mais caros. Eu gosto.


Acompanhei-o com um naco de cachaço de porco no forno com as suas batatas e uns grelos cozidos.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sopa de Grão com Espinafres

Esta sopa é um clássico. Alia a untuosidade do grão à acidez dos espinafres duma forma quase unânime no que ao gosto respeita. Acho que é preciso mesmo não se gostar de sopa para não gostar desta.


E a minha é muito simples. Cortei um alho francês em rodelas e uma couve flor pequena em pedaços e meti-as a cozer numa panela com água temperada com um pouco de sal. Juntei ainda um pedaço de chouriço. Entretanto arranjei um bom molho de espinafres e reservei. Quando os legumes estavam cozidos, retirei o chouriço, juntei algum grão cozido e ralei tudo com a varinha. Juntei mais um pouco de grão, o chouriço reservado e os espinafres arranjados e deixei levantar fervura. Desliguei o lume, deitei um fio de bom azeite e deixei que os espinafres amaciassem uns minutos antes de servir.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lombinho de Porco com Ameixas

Nesta Trilogia número 84 foi a minha vez de sugerir o tema à Ana e ao Luís. Ameixas. E um clássico do receituário com ameixas é a carne de porco com elas, aqui num lombinho.  


Peguei num lombinho de porco e recheei-o com ameixas secas que tinha deixado uma hora a macerar em vinho do porto (aconselho que não se use um banal tawny, mas antes um tawny reserva ou mesmo um de dez anos de marca própria - o do Pingo Doce é porreiro e barato). Deitei um fio de azeite no fundo de um tabuleiro de grés, o lombinho, o vinho do porto da marinada das ameixas, pimentas moídas, sal marinho e alho esmagado. 


Levei ao forno pré-aquecido a 190º C até o lombinho estar dourado por fora, o que levou cerca de quarenta e cinco minutos. Servi com um acompanhamento simples: Arroz carolino simplesmente cozido em água abundante, escorrido e passado por manteiga e tomate de cacho temperado com flor de sal e um fio de bom azeite.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Variações sobre a Sandocha de Atum

Trilogia nº 83. O tema que o Luís sugeriu a mim e à Ana, foi o Atum. E apeteceu-me fazer uma variação sobre o tema da sandes de atum, aqui com broa de milho em fatias finas intercaladas com atum de conserva em azeite e uma salada de alface e tomate, servida à parte, no tomate. E este pode ser o ponto de partida para uma proposta que pode incluir o que se quiser, tal como mais ingredientes na salada, maionese no atum, a broa frita em azeite, azeitonas a decorar, ovos cozidos, etc, etc, etc...





terça-feira, 5 de junho de 2012

Jaquinzinhos Fritos com Arroz de Feijão

Jaquinzinhos, carapaus pequeninos, bons como só eles. Gosto deles assim simples, fritos em azeite, sem sequer os passar por farinha. E com um arroz de feijão a acompanhar.

Arroz de feijão - deito um fundo de azeite no tacho e junto uma cebola picada e uns grãos de pimenta e deixo refogar em lume médio. Junto alho esmagado e picado, umas finas rodelas de bom chouriço e tomate bem maduro (fresco na altura dele, conservado, o resto do ano) e deixo mais uns minutos. Junto feijão vermelho cozido, um pouco de vinho branco e deixo mais uns minutos em lume brando. Depois junto o arroz (carolino, naturalmente) e o triplo do volume deste em água. Depois de levantar fervura, deixo cozer doze a quinze minutos em lume brando. Desligo o lume e sirvo. Com os carapaus.


Empadas de Galinha a partir das de Vila Viçosa

As empadas de galinha à moda de Vila Viçosa são um monumento do nosso receituário tradicional. Estas são baseadas nessa preparação, mas simplificadas, porque feitas com um aproveitamento de galinha e chouriço de um cozido, cortados em pedaços pequenos, bem como um pouco do caldo do cozido. Forrei formas de empadas com massa folhada de compra e recheei com a carne a que juntei um pouco do caldo. Cobri com uma rodela de massa folhada e levei ao forno pré aquecido a 210º C até dourar. São simples de fazer e muito boas. 


Os Vinhos da Quinta da Lixa de 2011

Dos vinhos da Quinta da Lixa e da colheita de 2011 já conhecia o Alvarinho Pouco Comum de que tinha falado aqui, para além dos vinhos vendidos com a marca Pingo Doce e recentemente tive a oportunidade de provar os restantes vinhos (enviados pelo Produtor).


  • Terras do Minho Touriga Nacional Rosé - um rosado de touriga e da região dos vinhos verdes, com apenas 11º de álcool, muito fresco e com alguma secura a dar um vinho bom para beber a solo, mas que gostará mais de acompanhar comidas frescas, como saladas e pratos de peixe sem grandes temperos. Custa € 2,99. Gostei muito, pela frescura e aptidão gastronómica.
  • Quinta da Lixa Branco - feito com Loureiro, Trajadura e Alvarinho, tem boa acidez e boa frescura. Bem feito, com um perfil clássico e bebe-se com prazer, preferencialmente com comida, mariscos, peixes grelhados, por aí. Tem 11,5º de álcool e um PVP recomendado de € 2,99.
  • Alvarinho Trajadura - Aromas das Castas - a combinação destas duas castas costuma dar vinhos interessantes e este é exuberante no nariz, com notas de pêra e pêssego, mas também de ananás e citrinos. Na boca é fresco, bom para beber a solo ou a acompanhar comidas delicadas. Tem 12,5 º de álcool e PVP recomendado de € 3,99.     



São vinhos frescos e bem feitos e propostos a preços cordatos. 

sábado, 2 de junho de 2012

Costeleta de Vitela Mirandesa | Quinta da Alorna Reserva 2009





Uma costeleta de vitela mirandesa na chapa bem quente e com um fio de azeite. Deita-se a costeleta, deixa-se um minuto, vira-se e tempera-se com um pouco de sal marinho e uma mistura de pimentas no almofariz. Passado um minuto, volta-se a virar e tempera-se do outro lado. Baixa-se o lume e deixa-se ficar mais um pouco (a gosto, eu gosto da carne rosada, macia e suculenta). Reserva-se e serve-se passado uns minutos. Assim, sem mais. E para acompanhar, um arroz malandro de carolino com espargos, ervilhas e cenoura. 


Esta bela peça de vitela foi a companhia para o Quinta da Alorna Reserva 2009. Feito de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, é um vinho que nunca desilude. Bem feito, boa a combinação entre as duas castas, aparece sempre marcado pela madeira (não é defeito, é feitio, há quem goste e muito) mas dá muito prazer a beber. Gostava de dizer que começa a afirmar-se como um clássico (até pelo preço, abaixo dos seis euros - bela relação qualidade/preço) mas não o vejo a rodar muito nas prateleiras dos supermercados. E é pena, porque o vinho é bom.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Quinta das Bágeiras Branco 2011

Já muito falei aqui dos vinhos do Mário Sérgio Alves Nuno (se é que se pode falar muito). São bons, escandalosamente bons, quase escandalosamente baratos se comprados na loja (pouco mais caros se comprados nos poucos sítios onde se encontram). 

Se comprados na loja da quinta, há sempre que levar com o sorriso orgulhoso do produtor, sabedor do que faz e sabedor do que faz e muito bem e perdoem-se-me os pleonasmos perdoáveis.

Branco humilde com preço abaixo dos quatro euros (€ 3,70 na Garrafeira Nacional), feito de Maria Gomes, Bical e Cerceal, não nos inunda o nariz de fruta, antes aposta na mineralidade e na boa prestação à mesa. Foram feitas 13129 garrafas, todas numeradas e quase esgotadas.



Não há outro branco como este assim mineral, assim capaz de acompanhar tantos pratos e a custar o que custa e acima de tudo a viver como vive na garrafa, desafiando o tempo. Este 2011 está refinado, fino e elegante, a pedir pratos de peixe com algum apuro, como a "caldeirada de bacalhau" que fiz para o acompanhar. Portou-se muito bem, como se esperava :)