sábado, 7 de maio de 2011

Prova Colinas de São Lourenço @ Garrafeira Tio Pepe

Carlos Dias comprou as "Colinas de São Lourenço" e está a produzir vinho e azeite nesta propriedade de 65 ha em São Lourenço do Bairro, na Bairrada. Depois de ter feito da marca de relógios Roger Dubuis uma das mais prestigiadas a nível mundial é de esperar que daí saiam grandes vinhos. Para completar o portfólio, tem ainda a Quinta da Pedra, situada perto de Braga, na Região dos Vinhos Verdes. No passado dia 4, Carlos Dias veio à Garrafeira Tio Pepe apresentar os seus vinhos, com Enologia de Marta Ágoas e tendo Anselmo Mendes como Enólogo Consultor.



A prova começou com os vinhos da gama de entrada, os Colinas, na versão branco, rosé e tinto. Simples e bem feitos, serão boas apostas para o dia a dia.


A seguir, uma agradável surpresa, o Royal Palmeira "Sur Lies Fines" Loureiro 2009. Um Loureiro muito bem feito e apresentado num conjunto garrafa/rótulo muito elegante.


Hora de passar à gama Principal. Um Branco de 2009 feito com Chardonnay e Arinto muito bem casados. Elegante e mineral, com boa acidez, é um belo vinho. O Rosé "Tête de Cuvée", também de 2009, é feito com Pinot Noir. Muito elegante e fresco, é um belo rosé. Nos tintos, o Principal reserva 2007, feito com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot, agradável e equilibrado. Destaque para o Grande Reserva 2006. Feito com as mesmas castas do 2007, está um tinto elegante e concentrado, muito apetecível. Nota-se a preocupação em fazer vinhos com baixo teor alcoólico e pouco marcados pela madeira.



Como complemento, ainda se provaram dois brancos de 2010 em amostra de casco, um Loureiro e um Alvarinho da Quinta da Pedra.


Em síntese, um projecto consistente e um portfólio de vinhos bastante interessante.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Quinta da Covada Tinto 2009 | Arroz de Galinha no Forno

Nestes 89.000 quilómetros quadrados que restaram do Império, muito se foi perdendo e não foi só nos idos de 1974 e seguintes. Terá sido em 1985/6 quando virámos as costas à nossa vocação Atlântica e nos virámos para a CEE, como se a Europa nos pudesse dar alguma coisa. Um quarto de século foi suficiente para destroçar as incipientes indústrias, agriculturas e pescas do antigo regime, que foram bem pagas para desaparecerem.
A nova ordem da distribuição alimentar mudou, o comércio tradicional quase desapareceu, absorvido pelas grandes superfícies que foram aparecendo sem regras, nem rei, nem roque.
O Portugal, pequeno e periférico que até tinha piada como destino turístico para alemães e finlandeses (e demais europeus de primeira) foi largamente financiado. Emprestaram-se milhões e milhões de milhões, de ECUS e depois de EUROS para tudo e mais alguma coisa, como auto-estradas e demais infraestruturas. E tudo parecia correr bem, até o rectângulo ter gasto todo o dinheiro. Pavilhões desportivos, piscinas, museus, teatros, bibliotecas e rotundas, muitas...

E a agricultura a definhar. Talvez se tenham salvo dois produtos, desta razia dos subsídios para não produzir: o vinho e o azeite. E o vinho está muito formatado, a pedido dos gestores das grandes superfícies que precisam de assegurar quantidade para abastecer todos os pontos de venda e uma qualidade que agrade ao cliente-tipo. Do azeite, está cada vez melhor, valha-nos isso (e não será de estranhar que no além-tejo os nuestros hermanos já o produzem aos milhões de litros).

Mas nem todo o vinho é formatado e ali para os lados de Tabuaço há uma Quinta, a da Covada, que tem um jovem Enólogo, o João Lopes Pinto que gosta de fazer o vinho do seu gosto, com as vinhas de que dispõe. E para além de dois belos "reservas", o de 2007 e o de 2008, o Desnível e um varietal de Touriga Nacional, lançou um colheita de 2009, feito com uvas provenientes de duas vinhas, uma com 40 anos e outra com 17 e com cepas de Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Amarela, Tinta Barroca e Rufete. Parte do vinho estagia em madeira e o resultado é um vinho pouco marcado pela madeira, com boa fruta e aromas de mato, fresco, genuíno duriense. Ao preço (pouco mais de 3 euros) é uma bela surpresa. É pena quase não se encontrar à venda (esta garrafa foi gentilmente oferecida pelo produtor).      

Para acompanhar este vinho, resolvi ensaiar um arroz de galinha, feito quase como o nosso arroz de pato no forno. Cozi uma galinha numa panela com água, sal, um toco de chouriço, uma cebola, uma folha de louro e um pouco de pimenta preta moída. Quando a galinha estava cozida, limpei-a de peles e ossos e desfiei a carne grosseiramente. Num tacho, deitei um fundo de azeite, cebola picada, alho esmagado e deixei em lume médio até a cebola ficar translúcida. Juntei um pouco de polpa de tomate e deixei mais uns minutos. Acrescentei a galinha, um pouco de vinho tinto e deixei a estufar em lume brando. Juntei arroz carolino e água a ferver (3 partes de água para uma de arroz) e deixei o arroz ficar meio cozido. Passei o conteúdo do tacho para um tabuleiro de barro e guarneci com o chouriço em rodelas. Levei ao forno pré aquecido a 210º C para deixar o arroz acabar de cozer e servi, com uma salada verde à parte. 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

26ª Trilogia e uma Francesinha

Nesta 26ª trilogia, o tema sugerido pelo Luís, foi o pão. E a notícia de que a francesinha tinha sido eleita pelo Aol Travel como uma das dez melhores sanduiches do mundo, foi o mote para a minha contribuição para esta trilogia.


Francesinhas há muitas, desde as tradicionais que levavam carne assada fatiada, passando pelas que levam molho de marisco até às do desenrasca em qualquer café manhoso ou mesmo as que se fazem em casa, com molho de compra. Muitos segredos e muitos mitos tem a francesinha e o seu molho. Esta foi feita honestamente a recriar uma francesinha que se pode comer em qualquer café da Invicta. O molho foi feito com um fundo de azeite num tacho, a que juntei alho e cebola picada. Deixei refogar até a cebola estar macia e juntei polpa de tomate. Deixei mais um pouco em lume médio e juntei cerveja ao molho. Juntei uma folha de louro e também um cubo mágico de carne para não deixar que o molho ficasse muito diferente dos do café ou da cervejaria. Mantive aquele sabor artificial do caldinho. Depois foi temperar com sal, pimenta e malagueta e deixar reduzir em lume brando. Nas carnes usei um escalope de vitela que grelhei rapidamente e salsichas (Nobre, de frasco) que salteei em óleo, para além do incontornável fiambre. Depois foi montar a francesinha. Uma fatia de pão de forma, uma fatia de fiambre, o escalope de vitela, outra fatia de fiambre, as salsichas, outra fatia de fiambre e uma fatia de pão. Depois foi cobrir com queijo flamengo, regar com o molho e levar ao forno uns minutos.


Assim se cumpriu mais uma trilogia, com a Ana e o Luís. Para a semana há mais...

Bacalhau à Conde da Guarda | Aneto Reserva 2009

O Bacalhau à Conde da Guarda não é novidade aqui no blogue. Com efeito, desde que o Prof. João Vasconcelos Costa lhe fez menção, já lá vão quatro anos, que esta preparação se tornou numa das minhas preferidas. Pela execução, simples, pelos ingredientes (ou a falta deles) que espantam e acima de tudo pela delicadeza do resultado final, ou não fosse esta preparação ter saído das mãos sábias de Mestre João Ribeiro. Na verdade a preparação é de uma simplicidade desconcertante e que passo a descrever (com procedimento adaptado e algo diferente do referido pelo Prof. JVC):

Cozem-se 250 gramas de batatas e escalfam-se 350 gramas de bacalhau (creio que será assim uma proporção de 50% de cada, depois de se tirar as peles e as espinhas ao bacalhau). Reduzem-se as batatas a puré num passador, limpa-se o bacalhau de peles e espinhas e pisa-se num almofariz, juntamente com uns dentes de alho (quantidade? não se sabe, mas deverá ser comedida, sob pena de se sobrepor aos restantes sabores). Deita-se uma generosa quantidade de manteiga (duas colheres... serão de café, de sopa? e que manteiga, da mais barata ou valerá a pena usar a fantástica manteiga das Marinhas?) no fundo dum tacho e junta-se o bacalhau alhado e almofarizado (porque esmagado no almofariz) com o alho e as batatas já em "puré" e calmamente incoporpora-se 1/3 de litro de natas (natas mesmo, que os preparados de natas com aromas de qualquer coisa e que se dizem para carne, peixe ou tartarugas só servem mesmo para colmatar as falhas na cozinha e o deficiente sentido do gosto. Quando a mistura se revelar homogénea, é hora de temperar com sal, pimenta e noz moscada (e das quantidades, não se sabe, manda o pobre do sentido do gosto acolitar a gosto, que Mestre João Ribeiro não terá divulgado as quantidades). Transfere-se a mistura para uma assadeira e polvilha-se com queijo. Nas minhas primeiras experiências, rejeitei o queijo, por achar que não iria trazer grande mais valia à preparação, mas posteriormente, ensaiei com queijo ralado de São Jorge (pouco, para não dominar o prato) e com queijo da Serra estrelada (também comedidamente). Falta o parmesão, também denominado por parmigiano reggiano por quem confunde queijo com atum e que foi até  o escolhido pelo Luís numa das nossas trilogias...
Dizer que esta é a milionesima primeira receita de bacalhau é pouco. Por mim, está no top five...       



E um prato delicado como este, merece um grande vinho, de preferência, branco e com madeira. Escolheu-se o Aneto Reserva 2009, uma criação de Francisco Montenegro, Autor do Bétula e dos Anetos.
FM parece ter uma especial vontade de fazer grandes vinhos bancos no Douro e e está a conseguir. Este Aneto custa cerca e € 15 e é bem capaz de ser outro campeão na relação qualidade/preço. Feito com Semillon, Arinto, Viosinho e Gouveio, tem 13,5º de álcool.

Solo fortemente granítico, de fertilidade muito pobre Clima: microclima de transição Mediterrânico - Atlântico. Data da vindima: primeira semana de Setembro Vinificação: vindima manual em caixas de 15 Kg. Triagem em tapete. Esmagamento e prensagem suave. Fermentação muito lenta a baixa temperatura (14ºC) Estágio: metade do lote fermentou em barricas novas e usadas de carvalho francês com posterior agitação das borras, semanalmente. Engarrafado em Maio de 2009.
Cor: citrina com reflexos esverdeados Aroma: exuberante e muito elegante, a sésamo, tropical e mineral, bem casado com a baunilha das barricas Sabores: bom volume na boca, pleno de bons sabores e acentuada acidez; final muito longo e delicado. Temperatura de serviço: 12 ºC  (daqui).


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Another Big Day - Baga Friends @ Quinta de Nápoles


Dia 30 de Abril de 2011 pela manhã. Tempo fresco. De Viseu até à Régua e depois pela estrada ao longo do Douro que liga a Régua ao Pinhão. Logo após a saída para Armamar, aparece a Adega da Quinta de Nápoles de volumetria sóbria, revestida a xisto e muito bem integrada na paisagem envolvente. É estacionar minha gente, que lá dentro, passam-se... coisas. 



Desde logo a sala de recepção, uma recuperação de uma edificação de dois pisos a que se retirou o piso de cima, deixando o volume com um pé-direito duplo onde se distribuiram os dísticos com o nome dos convidados e um copo de prova a cada.


Dessa sala acede-se a duas mini "caves" climatizadas, feitas pela Cave do Vinho e onde repousavam muitas garrafas da Niepoort. Interessante o conceito, para quem quer uma cave em casa e dispõe de pouco espaço. 


Dessa mesma sala de entrada, descem-se umas escadas e acede-se à adega. O corredor de ligação tem um monte de chaves penduradas. Pitoresco...


Já na Adega, as provas começaram pelos Baga Friends.


Filipa Pato, recentemente eleita a "Newcomer of the Year" pela revista Der Feinschmecker, a mais prestigiada publicação alemã na área gourmet. De destacar os brancos Nossa 2009 e o fantástico Nossa 2008 em magnum, bem como o seu espumante 3B.


Logo ao lado, Luís Pato com os seus vinhos. Destaque para o belo espumante Vinha Formal, para o Vinha Formal (branco) 2005 em magnum e para o Vinha Barrosa 2001, de que tinha dado nota aqui.  


Mário Sérgio Alves Nuno, que nos deu a provar o excelso Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2009, um vinho que estará ao nível dos seus irmãos de 2004, 2005 e 2007. Aqui, ao lado do Sr. Simões (à esquerda), o obreiro do magnífico almoço que fizémos nas Bágeiras há um ano atrás. Em muito bom nível, naturalmente, os seus espumantes e a má notícia do dia (do ano?): não vai haver Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto 2007. Depois do fabuloso 2005 e dada a grande qualidade dos tintos de 2007 era de esperar algo de superlativo nas Bágeiras...



A seguir, uma prova, para mim, en primeur. Os vinhos do Buçaco são míticos desde que José dos Santos os começou a lotear (a partir de vinhos comprados a produtores da Bairrada e do Dão) e a guardar nas caves do Palace Hotel do Buçaco. São vinhos que apenas se podem provar no Palace Hotel do Buçaco, no Grande Hotel da Curia e no Hotel Astória em Coimbra. Os brancos em prova, de 2001, 2003 e 2007 surpreenderam pela elegância e pelo potencial de guarda. Feitos com Bical e Maria Gomes da Bairrada e Encruzado do Dão, demarcam-se pela diferença. Os tintos, feitos com Baga e Touriga Nacional não os cheguei a provar, mas mereceram rasgados elogios.

Dos restantes Baga Friends, Kompassus, Quinta da Vacariça e Sidónio de Sousa, acabei por não provar nada, ficando a lamentar ter perdido a oportunidade de provar o Sidónio de Sousa Garrafeira 2005, um dos ícones contemporaneos da Bairrada e que não será reeditado, uma vez que a vinha foi arrancada.

Dos Baga Friends, passei aos Douro Boys (Niepoort, Quinta do Vallado, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão) destacando o Meandro 2009 em amostra de casco e o já mais que aclamado Quinta do Vale Meão 2008 de Xito Olazabal, bem como o Quinta do Vale Dona Maria e o VT de Cristiano Van Zeller.

Hora de passar aos  amigos "estrangeiros" presentes...  


Domaine Rulot e os Mersault, dos melhores brancos da Borgonha. Fantásticos, cativantes.


Jean Marc Rulot, a servir os seus Mersault.


Da Borgonha para a Alemanha e para os Riesling de Mosel, pela mão de Wilhelm Haag.


Vinhos Fritz Haag em prova. É fácil ficar fã e muito, muito difícil deixar de o ser.


De Mosel a Campagne, oportunidade para provar os R&L Legras. Excelentes. 


Schloss Gobelsburg, Austria. Riesling e Gruner Vertliner. A mineralidade que veio do frio. 


O Schloss Gobelsburg by João Roseira: vinde probar, que este tem Goubeio...


Michael Moosbrugger a servir os seus Schloss Gobelsburg.


Ainda de volta à Borgonha, Domaine Rousseau, com Eric Rousseau a dar os seus vinhos a provar.



De Espanha, Telmo Rodriguez. Fiquei fã do Verdejo e do Matallana 2005.


João Rico a dar a provar o vinho da casa.


Para além dos produtores com vinhos em prova, estiveram presentes alguns outros, como o Eng. Mota Capitão, da Herdade de Portocarro.


Jorge Moreira, o Autor do Poeira, aqui em conversa com o Gus acerca do Poeira 2004 que se tinha bebido na véspera, ao jantar.


Álvaro de Castro. Palavras para quê?


Jorge Moreira (again) aqui com Xito Olazabal, enólogo do Vallado e do Vale Meão e enólogo do ano da Revista de Vinhos.

Depois das provas começou a ouvir-se falar em ostras. Uns debandaram outros não...




Os vinhos do almoço estavam a refrigerar.



O Chef Rui Paula já estava na cozinha a maestar o almoço...


As ostras (parece que) desapareceram num ápice (não sei que não as provei).


Assalto à paleta e demais embutidos. Foi pena não haver Navazos para acompanhar.


Primeiro prato do Chef Rui Paula: Açorda de Robalo.


Coxa de pato confitada sobre espargos e puré.


A sobremesa, um cilindro de maçã com crocante de canela e gelado.


No fim do almoço, pausa para descontrair, antes do café e de alguns fortificados (gostei muito do moscatel Niepoort 1977).


Dirk Niepoort, o anfitrião.


Cheers :)


Também há Douro assim. Grande dia.