segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Porto Niepoort LBV 2004

"Este é talvez o mais autêntico dos nossos Portos..." - é assim que começa a apresentação deste vinho no site da Niepoort Vinhos. Feito com uvas provenientes de vinhas velhas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz e outras, é vinificado de forma semelhante ao Vintage e estagia durante quatro anos em Tonéis e Balseiros de Carvalho em Vila Nova de Gaia. Surge muito escuro no copo, quase opaco; pleno de boa fruta, potente e delicado e com um longo e agradável final. Para decantar e servir fresco... Nota pessoal: 16.

sábado, 17 de outubro de 2009

Carne de Porco com Feijão Branco e Monte da Cal 2006

Nem sei se é impressão minha, mas apesar da temperatura durante o dia andar nos 26º C ao fim do dia desce e a vontade é mesmo de provar uns tintos e comer umas comidas assim mais a modos que para o outonal... Deixei entrecosto e pá de porco no sal de um dia para o outro e demolhei as carnes em água fria. Pus a cozer as carnes, juntamente com chouriço de colorau e morcela de arroz. Depois das carnes cozerem, cortei-as em pedaços e reservei a água da cozedura. Noutro tacho, deitei um fundo de azeite, cebola picada e alho esmagado. Deixei a cebola ficar transparente e adicionei as carnes. Juntei feijão branco cozido e água da cozedura das carnes, bem como uma folha de louro e um pouco de cominhos moídos Juntei ainda couve branca cortada fina. Deixei em lume muito baixo a fervinhar durante meia hora. Servi.



Esta feijoada foi feita a partir da Feijoada de Valpaços descrita na Cozinha Tradicional Portuguesa, da Maria de Lourdes Modesto. Para acompanhar o Monte da Cal 2006. Mais um dos vinhos comprados na feira do Continente. Um alentejano feito em Fronteira com Aragonês, Alfrocheiro e Alicante Bouschet e sem passar por madeira. Muito limpo e elegante, nada pesado, foi uma agradável surpresa e será provado mais vezes. Seguramente. Nota pessoal: 16.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Moelas Estufadas para um Cardeal Tourigo

Quanto às moelas, vão aparecendo por aqui... Como faço?

Num tacho, deito banha de porco e cebola picada grosseiramente e deixo a cebola ficar transparente. Junto as moelas e deixo que se envolvam na cebola. Junto sal, alho esmagado, louro, pimentão doce em pó aka colorau, pimenta branca e preta, alguns cravinhos e cominhos em pó e vinho tinto... Deixo estufar em lume brando até as moelas estarem macias.

Na variante "petisco" gosto de as servir com pão torrado e cerveja e na variante "refeição" com batatas cozidas... Estas foram servidas num jantar onde eu queria provar o Dão Cardeal Reserva Touriga Nacional 2007.



Eu tinha provado este Dão Cardeal Reserva Touriga Nacional 2007 há algum tempo e gostei bastante. Foi uma das compras da feira de vinhos do Continente. O caro pantomineiro PadreFrancisco, que colabora no Blog, mas muito raramente escreve/posta provou o vinho e achou que tinha um perfil algo diferente do que se tinha provado. Bem, sugeriu-me que o provasse... Assim fiz, para acompanhar as moelas.

Refrigerei o vinho e decantei-o duas horas antes de servir; quando o decantei estava muito fechado e pouco agradável, com aromas de engaço e lagar e pouco mais, fino na boca... Mas abriu pleno de especiarias, mais cheio e elegante na boca, alguma fruta e melhores notas da barrica e um final médio. Para o preço (cerca de € 5,00) nem está mal. Nota pessoal: 15,5.

Bacalhau dos Enterros e Quinta do Rol Rosé Pinot Noir 2008

O "Bacalhau dos Enterros" é uma receita tradicional da região da Gândara e como o nome indica era servido em dias de funeral. Apesar do nome é uma mais uma das mil e tal formas de preparar o bacalhau. Tradicionalmente é feito assim:

Descascam-se as batatas que se cortam às rodelas que vão a cozer com rodelas de cebola e bacalhau.
Depois de cozidos escorrem-se deixando um pouco de água de cozedura.
Junta-se-lhe alho picado, rega-se de azeite em abundância e vinagre q.b..
Abafa-se e serve-se.

(daqui)

Este foi feito de um modo um pouco diferente. Num tacho, fiz uma cama de cebola, por cima batatas em rodelas finas, bacalhau e outra camada de batatas. Juntei alho esmagado, pimenta preta em grão e uma folha de louro. Deitei azeite e depois água a cobrir as batatas. Levei ao lume brando e deixei cozer sem mexer no tacho. Antes de servir juntei ainda um pouco de vinagre de vinho branco. Na prática é parecido com este...

Esta variante fica deliciosa, com o alho e o louro a aromatizarem o caldo. Convém usar bom azeite e bom vinagre, faz uma grande diferença...



Escolhi o Quinta do Rol Rosé Pinot Noir 2008... Não conhecia este vinho (tirando o que tinha lido na Revista de Vinhos de Setembro sobre uma visita à Quinta) e rosés de Pinot Noir só tinha bebido o Campolargo 2007. Contudo, Pinot Noir, Rosé e € 3,49 no preço (Pingo Doce) eram uma boa desculpa para saltar uma garrafita para o cesto das compras. Bons aromas, algum peso e os 14º de álcool a notarem-se, pouco "rebuçado", mas no essencial um vinho interessante, até pelo preço...

sábado, 10 de outubro de 2009

Quinta do Infantado Vintage 2003

Esta coisa de provar vintages novos não se estranha, mas entranha-se... Depois do 2007 da Niepoort, não resisti a provar este belo vinho. O Vintage 2003 do Infantado é um tinto retinto, cheio de fruta e com um final mais que longo. Com os quatro anos de garrafa que leva, o tempo ainda se está a começar a preparar para passar por ele, de novo que está. Para servir fresco (14º C) e em copos decentes (gosto particularmente do copo de prova desenhado pelo Arq. Álvaro Siza) a acompanhar pensamentos elevados ou uma boa conversa.
De louvar a aposta do João Roseira em comercializar os vinhos da Quinta do Infantado a preços muito cordatos. Este 2003 Vintage encontra-se no Jumbo a € 19,95 (e no folheto da feira aparece o Vintage 2007 ao mesmo preço, mas ainda não o vi por aqui) o que não deixa de ser um tentador convite à compra...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Folhados de Atum e Morgado de Santa Catherina Reserva 2007

Estes folhados foram feitos de uma forma absurdamente simples... Como a minha paciencia para fazer massas em casa é muito pouca e a taxa de sucesso com massas de compra é muito baixa, só de vez em quando é que me aventuro nos folhados e quejandos. Curiosamente, tenho feito algumas experiencias com a massa filo e as coisas nem saem assim tão mal.

Fiz assim:

Abri umas latas de atum em óleo (não se justifica usar atum em azeite e o atum "ao natural" parece que foi lavado... ou deslavado), escorri o óleo, piquei com um garfo e juntei maionese. Reservei. Cortei ao meio as folhas de massa filo e pincelei-as com azeite. Deitei o recheio e fiz umas trouxas um pouco mais pequenas que os pasteis de Chaves. Levei ao forno a 210º C o tempo suficiente para dourar os folhados.



Para acompanhar, um Morgado de Santa Catherina Reserva 2007. Um clássico Arinto de Bucelas que a partir de 2006 começou a ter também a versão "reserva". Feito com Arinto e estagiado em Madeira, aparece elegante e com a madeira bem integrada.

Bacalhau com "alguns" e Ázeo Reserva 2007

Bacalhau com "alguns", porque foi acompanhado apenas com batata, cebola e couve coração sobre cama de azeite e alho (e azeitonas pretas)... A estrela era mesmo o Ázeo Reserva 2007.



Mais um dos vinhos brancos Portugueses de topo. O João Brito e Cunha, depois dos seus "aclamados" Ázeos brancos, lança o Reserva na colheita de 2007. Mais um belo exemplo do que as vinhas velhas do Douro e a sabedoria do JBC podem dar. (Mais aqui)

Porto Niepoort Vintage 2007

Beber um vinho do Porto Vintage não é para todos os dias... nem para todas as semanas e se calhar nem para todos os meses. Beber um Vintage novo é coisa de malucos aka enopedófilos e beber um vintage velho é... coisa de malucos, até pelo preço de alguns vinhos. Este Vintage 2007 da Casa Niepoort foi feito em ano quase perfeito e provado com apenas quatro meses de garrafa. Muitíssimo novo, muitíssimo elegante, muitíssimo desafiador para (todos) os sentidos, um grande vintage.

Croquetes de Carne e Herdade do Meio Garrafeira 2004

Croquetes de carne... Vi umas quantas "receitas" pela blogosfera, umas muito básicas, outras mais cuidadas e algumas mesmo muito boas. Estes croquetes foram feitos de uma forma despreocupada num fim de tarde. Assim:

Tinha sobras de entrecosto de porco assado. Retirei a pele, ossos, gordura e cartilagens e desfiei a carne; juntei ovos e bati com um garfo até desfazer a carne e obter uma massa. Juntei uma cebola picada finamente (normalmente não entra, ou se entra é refogada - eu gosto dela crua e ligeiramente crocante) e um pouco de farinha de trigo para ligar a massa. Temperei com sal e pimenta. Moldei bolinhas e fritei em óleo bem quente.



O aspecto e sabor destes croquetes é muito diferente dos "tradicionais". Não levaram chouriço a puxar os sabores, não foram moldados em pequenos cilindros e não foram passados por ovo e pão ralado. E não ficaram nada maus. Serviram de lanche ajantarado a acompanhar um Herdade do Meio Garrafeira 2004. Os vinhos da Herdade do Meio já tinham feito furor na feira de vinhos do Continente do ano passado, com este garrafeira a sair a € 10,00 enquanto que no Jumbo dos preços baixos estava a ganhar pó e com preços a rondar os € 40,00. Na feira de vinhos deste ano (também do Continente) saia na noite de inauguração/abertura a € 0,77, o que o torna numa das maiores pechinchas de sempre. Curioso foi ter arranjado umas garrafas e ter passado und dias depois no Continente de Matosinhos e andarem algumas pessoas à procura do vinho. Mas este, nem vê-lo; ou as garrafas já tinham sido todas vendidas ou tinham-se escondido com a vergonha de estarem a ser "saldadas" a menos de um Euro enquanto as suas irmãs do Jumbo estão nas prateleiras de cabeça erguida à espera que alguém largue os 40 Euritos para levar uma delas para casa...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Osso Buco

O osso buco é um clássico da cozinha italiana, feito com fatias do chambão de novilho com osso e o tutano e estufadas num delicioso caldo de legumes. O toque final dado pela anchova e pelo vidrado de limão completam a paleta de sabores.

A Receita foi tirada do livro "12 meses de cozinha" (pag. 186).

Resumindo é assim:

Passar as fatias de carne por farinha e alourar em azeite. Reservar. Na gordura de alourar a carne, juntar mais um pouco de azeite, cebola picada, cenoura em rodelas finas, tomate e aipo cortados pequenos. Deixar estufar e quando o tomate se começar a desfazer, introduzir o osso buco no tacho e regar com caldo de carne e vinho branco; temperar com sal e pimenta e deixar cerca de uma hora em lume brando. Juntar um filete de anchova raspado, vidrado da casca de limão e deixar mais meia hora. Rectificar temperos e servir. Pode servir-se simplesmente com tagliatelli cozidos e fatias de pão frito em manteiga. Eu servi com um esparguete com manteiga.