sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Meandro da Quinta do Vale Meão 2007

Na sequência de um anterior post (nem é preciso link, está pouco abaixo), prometi falar do Meandro... Curiosamente, tinha provado as duas primeiras edições aka 1999 e 2000 (ambos com três anos) e na altura gostei; um vinho muito correcto e proposto a um preço cordato (cerca de € 10,00, acho). Depois, lembro-me de ter provado outras colheitas do Meandro, mas foi sempre o Quinta do Vale Meão que brilhou.
No entanto, o primeiro rótulo da casa, o Quinta do Vale Meão 2006 está à venda a € 59.00 e o Meandro 2007 aparece a menos de € 12,00; a tentação é grande e comprei, para provar logo...
Do que me lembrava deste vinho, feito com Touriga Nacional (40%), Tinta Roriz (30%), Touriga Franca (20%), Tinto Cão (5%) e Sousão (5%) seria apenas uma coisa: Vale meão com menos concentração, menos elegância (e se calhar, até mais Douro). Deixei a garrafa a refrigerar, enquanto preparei uma jardineira de vitela com cenouras e feijão verde...



Surgiu no copo, violáceo, com aromas vegetais e de adega; na boca, a 14º C, revela elegância e nem mostra os toques florais do nacional tourigo, antes surge algo bruto e vegetal. Algum tempo depois (estando a 17/18º C) "abre" com aromas de Porto... Estranho, parecia um vinho mais velho (confesso que depois de ter provado o "protótipo" do Vale Meão 2007 (aqui) esperava mais.
Ainda assim, é um vinho bem feito, se calhar a precisar de tempo para mostrar o seu melhor. Nota pessoal: 16.

From Douro with Love

Entre Mesão Frio e a Régua...




Francesinha? Sim, e uma Sagres, por favor...

No outro dia andava a googlar à procura de elementos sobre este snack do Norte e fui parar a uma série de sítios onde se diziam as maiores barbaridades sobre as francesinhas... Por isso, deixo aqui algumas dicas... (e aqui)

A francesinha é um snack simples e que pode ser feito por qualquer pessoa. Não tem segredos.

O molho é uma base de cebola e alho que amacia em azeite (porque não banha de porco?) a que se junta caldo de carne (não, não é a porcaria dos cubos mágicos), polpa de tomate e cerveja. Pode-se juntar outros alcoóis, mas com critério - um mix de cerveja e vinho branco, whisky ou porto; presumo que dependa do gosto pessoal e pouco mais. O molho é aromatizado com louro, malagueta e mistura de pimentas. Claro que a farinha maizena é dispensável. Importante, sim é deixar o molho a fervinhar em lume lento até ter a consistência desejada.

O pão normalmente utilizado é pão de forma; já comi francesinhas feitas com pão da panrico, horrivel. Creio que usar um bom pão de trigo que se possa cortar em fatias é melhor que usar pão de forma.

O recheio - não, não se usa bifanas de porco, salsichas de lata e fiambre, como vi em muitos sítios. A francesinha é feita com um escalope de vitela (originalmente era feita com carne de porco assada e fatiada), salsicha fresca e linguiça, tudo grelhado e fiambre (por mim, prescindo).

O queijo - Flamengo, Edam, Cheddar, vai do gosto pessoal.

E a acompanhar, uma cerveja gelada... A Sagres nem é nada má.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Quinta do Vale Meão e Meandro

Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811 - 1896) é uma das mais míticas figuras do Douro. Comprou em hasta pública em 1877, a actual Quinta do Vale Meão (mais de 67 Ha...) à Câmara de Vila Nova de Foz Coa. Actualmente propriedade do seu trineto, Francisco Olazabal, esta magnífica propriedade, juntamente com a Quinta da Leda, corporizaram um enorme sonho dos anos 40 do século passado, de Fernando Nicolau de Almeida, de produzir um enorme vinho Português, lançado em 1952 - o Barca Velha.
O mais mítico dos portugueses vinhos de mesa incorporou uvas destas duas quintas, até que em 1998, Francisco Olazabal decide romper com a vetusta tradição. Decide não mais fornecer uvas à Sogrape e em 1999 lança a "sua" marca: o Quinta do Vale do Meão.
(aqui)


Desde a sua primeira edição em 1999, o Quinta de Vale Meão sempre teve os melhores elogios da crítica especializada, constituindo este um dos rótulos mais desejados por qualquer enófilo. A segunda marca da Quinta, o Meandro é um vinho com uma relação qualidade/preço excelente, a merecer prova atenta.





Apenas para dizer que é capaz de aparecer uns post' s sobre o Meandro... (Estes 1999 e 2000 foram provados, respectivamente em 2002 e 2003)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Graham´s Porto Tawny 20 Anos

Os vinhos da Graham’s provêm essencialmente das suas propriedades, Quinta dos Malvedos, Quinta do Tua e Quinta das Lages, no Rio Torto. A Quinta da Vila Velha e a Quinta do Vale de Malhadas, propriedade de membros da Família Symington, também fornecem a Graham’s com uvas da mais alta qualidade. Estas cinco quintas encontram-se entre as melhores do vale do Douro. A Graham’s também adquire uvas em produtores seleccionados nos melhores locais da região. Alguns destes viticultores fornecem uvas à Graham’s há gerações.

OS tawnies de idade da Graham’s são produzidos a partir de vinhos da mais alta qualidade que, após cuidadosa selecção, são envelhecidos em cascos de carvalho até ser atingido o auge da maturação. Estes vinhos encontram-se entre os mais exigentes estilos de Porto. Produzi-los requer do enólogo grande perícia e anos de experiência, quer na vinificação quer na elaboração de lotes. É essencial encontrar o equilíbrio correcto entre a delicadeza e a elegância que resultam do prolongado envelhecimento em casco, e simultaneamente transmitir-lhes frescura. Os tawnies de idade da Graham’s revelam um característico carácter de frutos secos e deliciosas uvas passas maduras, e são requintadamente acetinados pelo envelhecimento em cascos de carvalho...

Âmbar, um dourado com reflexos esverdeados, o que denota uma idade considerável. Este vinho tem um suave e requintado “bouquet” de amêndoas e canela. Rico e aveludado no palato, é perfeitamente equilibrado. Tem um final longo, que perdura. O Graham’s 20 Anos representa uma qualidade superior. Os seus principais atributos são a grande complexidade e harmonia. Experimente ligeiramente fresco para apreciar toda a complexidade e volúpia deste vinho. Uma excelente alternativa ao Vintage, em situações menos formais. Após aberto, conserva-se algumas semanas. (aqui)



Este Porto Tawny de 20 anos da Graham´s (PVP: €28,00) foi loteado por Peter Symington e engarrafado em 2005. Foi servido a 15º C. Apresenta uma bela cor ambarina com alguns laivos de castanho. Com aromas profundos a frutos secos, apresenta-se untuoso e envolvente na boca. Muito especiado, com uma boa acidez e um longo final, foi excelente companhia para o jogo de ontem. Nota pessoal: 17.

domingo, 9 de agosto de 2009

Lombinhos de Porco com Morcela de Arroz para Pedra Cancela Touriga Nacional 2006

Lombinhos de porco... Gosto, especialmente grelhados e com molho de manteiga. Estes foram feitos no forno a baixa temperatura num invólucro de alumínio, com um pouco de banha de porco, sal, pimenta e alho e morcela de arroz. Ficaram uma hora a 90º C e depois abri a "embalagem", subi o forno para 150º C e deixei mais um bocado. Servi com massa al dente e alface temperada com flor de sal, azeite e um pouco de vinagre balsâmico.



A acompanhar, um Pedra Cancela Reserva Touriga Nacional 2006. Feito em Silgueiros, perto de Viseu pelo João Paulo Gouveia. É um ilustre representante do que a Touriga Nacional bem vinificada no Dão pode oferecer. Nota pessoal: 17.

sábado, 8 de agosto de 2009

Línguas de Bacalhau by me

"Línguas de bacalhau cozidas em água e colocadas num tabuleiro de ir ao forno com lâminas de alho, uma folha de louro e cobertas de azeite com colorau."

Línguas de bacalhau... já não comia esta iguaria há algum tempo. Do arroz das ditas às ditas panadas com arroz ou à moda de Ilhavo (marinadas em alho, pimenta e azeite e fritas num polme), tudo serve para preparar as ditas. Mas foi uma proposta do Eng. José bento dos Santos que me tentou: Línguas de bacalhau cozidas em água e colocadas num tabuleiro de ir ao forno com lâminas de alho, uma folha de louro e cobertas de azeite com colorau. Claro que não laminei o alho nem fiz no forno (a cloche aka patusca presta-se muito bem a estas preparações). Para acompanhar, um puré de batata cozida em leite e aromatizada com noz moscada, ligado com azeite das tecedeiras e leite da cozedura das batatas.



Para acompanhar, e como alguns pratos de bacalhau ficam muito bem com vinho tinto, um Bágeiras Garrafeira Tinto de 2003 que estava a refrigerar. Um baga da Bairrada, feito pelo Mário Sérgio Alves Nuno (PVP € 27). Recentemente provei o garrafeira 2005 (deve estar a sair para o mercado) que está ainda um bebé... Provarei em breve (a convite do Mário Nuno) o 2004 que ainda está também para sair para o mercado e que se afigura um caso muito sério (ao nível do 1995?). Este 2003 está majestoso... Nota pessoal: 17,5.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Herdade do Perdigão Reserva 2001 e Chanfana de Cabra à Moda da Beira

A cabra, cortada em pedaços, entra no púcaro, com cebola, alho, louro, banha de porco, pimenta, cravinho e cominhos; junta-se bom vinho tinto até cobrir a carne e leva-se ao forno a 200ºC. À medida que vai cozendo, vai-se juntado mais vinho, se necessário; quando está quase pronta, recomendo que se desligue o forno e se deixe o púcaro lá dentro (até ao dia seguinte); uma hora antes de servir, liga-se o forno a 150ºC e aquece-se. Serve-se com batatas cozidas.




Chanfana à moda da Beira para um dos vinhos de topo do Alentejo. Este Herdade do Perdigão Reserva é feito em Monforte pelo Enólogo Paulo Laureano e o contra-rótulo reza assim:

"Herdade do Perdigão Reserva é um vinho que deve figurar em qualquer colecção. Consagrado por diversas vezes como um dos melhores vinhos portugueses, é produzido apenas nos melhores anos, para as grandes experiências e para os grandes momentos. Feito a partir das castas Trincadeira (80%), Aragonês (15%) e Cabernet Sauvignon (5%), encorpado mas com arestas bem limadas é um vinho de guarda, aconselhando-se a decantação antes do serviço a 18ºC. Para melhor preservar as suas características, não foi filtrado, pelo que pode, com a idade, criar depósito em garrafa."



O vinho estagiou 18 meses em barrica e mais um ano em garrafa antes de ser lançado para o mercado (PVP: cerca de € 25). Foi refrigerado e decantado, tendo sido servido a 16º C. Apresentou-se límpido e quase sem depósito, com uma bela cor, quase sem evolução. Muito fresco e elegante, nada pesado, com a madeira muito bem integrada. Em excelente forma. Nota pessoal: 17,5

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Vinha Paz 2007

O Vinha Paz Colheita 2007 é feito no terroir de António Canto Moniz em Silgueiros, perto de Viseu com uvas provenientes de vinhas novas e outras com mais de 40 anos (reestruturadas há 5 anos) das castas Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro Preto e Tinta Roriz. Estagiou em meias pipas de Carvalho Francês e Americano.

Muito escuro na cor, quase retinto. Aromas algo fechados. Um vinho que se apresentou quase novo demais, muito vigoroso e com os taninos muito presentes. Os 14º de álcool estão perfeitamente integrados no conjunto que se afigura vir a ser muito elegante e harmonioso. Temos vinho, mas apenas daqui a uns anos... Para o preço (€ 8,99) é uma escolha mais que segura. Nota pessoal: 16,5.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Bife com Molho de Porto Branco e Pimenta Preta e Alabastro Reserva 2000

Mais um "Bife", não um bife com molho da tradição Lisboeta, como este... Uma peça alta da vazia grelhada e temperada com flor de sal e um molho feito com manteiga que se leva ao lume e vinho do Porto branco que se junta, deixando reduzir. Juntar pimenta preta e servir...



Para acompanhar com um Alabastro Reserva de 2000. Confesso que não esperava grande coisa deste vinho. Razoável, mas sem grande brilho; ainda assim abri a garrafa e decantei o vinho. Deixei em repouso um par de horas e provei... Já na curva descendente, mas ainda assim a dar algum prazer na prova. Nota pessoal: 15.