sábado, 11 de julho de 2009

Caranguejo Real e Esporão Reserva 2008 Branco

As patas do caranguejo real vão aparecendo à venda no PD. Não é propriamente muito barato, mas atendendo a que a carne é excelente, às vezes vale a pena. Este foi preparado para um vinho que à partida liga muito bem com uma bacalhauzada no forno num almoço ou jantar ao ar livre e menos com o cangrejo.
Ainda assim, apenas queria provar o vinho...
Separei as partes maiores das patas e grelhei, com um fio de bom azeite e um pouco de flor de sal. Com as partes mais pequenas, desfiz e misturei batata cozida, ovo, cebola picada e um toque de noz moscada para fazer uns bolinhos de caranguejo real.



Este Esporão é curioso... há 10 anos, José António Salvador dizia do Reserva 2007 que era um branco quase tinto; o perfil manteve-se (?, nas castas - arinto, roupeiro e antão vaz) e foi sendo apurado... Surge gordo, floral, baunilhado, austero e cheio, sem se revelar tinto. É um branco a testar com uma bacalhauzada, sem dúvida. Nota pessoal: 16.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dona Berta Reserva Branco Rabigato Vinhas Velhas 2007

O Dona Berta Rabigato é um dos Grandes Brancos Portugueses. Feito pelo Eng. Hernâni Verdelho na Quinta do Carrenho, Freixo de Numão, perto de Vila Nova de Foz Côa, este varietal de Rabigato é produzido desde 2001 e tem vindo, ao longo das vindimas a afinar o estilo. É um vinho muito bem feito, extremamente elegante:

Apresenta uma cor citrina e um aspecto brilhante. O aroma é intenso, com notas florais, lembrando a madressilva e a laranjeira, próprias da casta cultivada em altitude. Na boca, surpreende pela notável acidez, contrabalançada pelo aroma rico e por uma estrutura marcante, que lhe conferem um final longo e atraente. (nota do produtor).

Nota pessoal:17.



Muito boa companhia para uns bolinhos feitos com red-fish e batata em puré com um toque de cebola e pimentos confitados, com pimenta branca e fritos em óleo.

Luís Pargo e Maria Gomes

Pargo no forno...
Um fundo de azeite no tabuleiro de barro, cebola e pimento vermelho em rodelas finas, alho esmagado; levo o tabuleiro ao forno a 130º C a confitar a cebola e o pimento. Cozo batatas novas com pele. Deito as batatas e o pargo no tabuleiro e asso o peixe (deixo ficar apenas o tempo indispensável para o peixe ficar cozido - sabendo que está cozido logo que deixa de estar cru - sem o deixar secar).



Com a companhia de um:

"Vinho espumante da casta Maria Gomes, plantada nos meus vinhedos e vindimada no final de Agosto de 2007. Criado para pessoas de espírito jovem de qualquer idade. Excelente em convívios, namoro ou como aperitivo. Acompanha marisco e peixes grelhados. Embora de safra única, não ostenta data de colheita, para cumprimento do normativo legal" (informação do contra rótulo).

Este espumante do Eng. Luís Pato é um dos meus espumantes preferidos; em edições anteriores tinha cerca de 13º de álcool. Nesta de 2007 fica-se pelos 12º, sem perder a compostura e elegância que o caracterizam. Fresco e equilibrado, a um preço muito interessante (este estava em promoção a € 3,99) é um espumante para beber despreocupadamente. Nota pessoal: 15.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

The Dark Side of the Loon

Tenho para mim uma máxima interessante e que aplico de vez em quando: As pessoas inteligentes discutem ideias, as medianas discutem factos e as outras falam da vida das outras.
Com a vulgarização da internet assiste-se a uma partilha de informação quase em tempo real que nos permite ter acesso a um número infinito de ideias, conhecimentos e de factos.
Mais, a internet permite que criemos pequenas “second lives” onde nos movemos e cujas regras podem ser criadas e recriadas por nós, como é o caso dos Blogues.
Assim, e no contexto da máxima referida, com a internet as pessoas inteligentes continuam a discutir ideias com a vantagem de as poder partilhar com muito mais pessoas, as pessoas médias podem discutir muitos mais factos porque vão buscar muito mais informação e as outras continuam a falar da vida das outras… E aqui é que se geram as confusões.

Falando dos blogues de cozinha…
Temos os blogues feitos por profissionais ou amadores esclarecidos que gostam de cozinha e gostam de partilhar as suas experiências “tout court”, sem trazer mal algum ao mundo. Temos também os blogues “certinhos” – celulazinhas cinzentas, sempre atentas – que num modo de “autoplay” vão ajudando as pessoas a fazer o jantar. Por fim, os outros blogues, essa imensa maioria que apenas não move um qualquer mundo porque ainda não encontrou nesse mundo um fulcro para pousar a alavanca. Esses blogues não partilham ideias (aparecem despidos desse atributo) nem ajudam a fazer um qualquer jantar (pelo contrário, ajudam e muito a perder o apetite). Apresentam jantares… e almoços… e pequenos-almoços… e lanches… e idas à casa de banho… e o furúnculo que se tirou ontem porque estava a incomodar, para não falar da festa da comunhão da criancinha ou da flor que nasceu no jardim ou ainda do robot que vai passar a fazer o jantar.
Estes blogues e o seu conteúdo não são mais que o produto de uma qualquer conversa de um grupo alargado de pessoas ociosas que até se formatam para socializar virtualmente e reproduzir “ad nauseum” o que as mães guardavam num caderno de apontamentos e num livro de cozinha.
Basicamente plasmam o que Pierre Boulle escreve no seu “O planeta dos macacos”:

“O que caracteriza uma civilização? É o génio excepcional? Não; é a vida de todos os dias… (…) Mas tendo sido escrito um livro original – nunca há mais de um ou dois por século – os macacos imitam-no, isto é, recopiam-no, de maneira que são publicadas centenas de milhares de obras tratando exactamente dos mesmos assuntos, com títulos um pouco diferentes e combinações de frases modificadas.”

O que há anos não passava de uma tímida conversa à mesa que acabava com uma troca de receitas para fazer “aquela” sobremesa ou aquele saboroso assado transformou-se, pela blogosfera, num desfile pornográfico de sopinhas, sobremesazinhas, bolinhos e coisinhas, com a assistência a clamar por uma fatiazinha ou por um bocadinho, apesar de não ser sequer hora do almoço e depois a balança reclamar, ao ponto de inviabilizar o uso de biquíni nos próximos cinco anos, mesmo que se ande a água o resto do ano.

E uma página é mesmo o limite que se pode escrever sem correr o risco do resto do texto se perder com a abertura de uma nova janela… Onde se fala de bolos feitos com coca cola, mas parece que com isostar é melhor, mas eu fiz com sumol porque a fanta me faz gases e não tinha frissumo na despensa, mas tirava uma fatia e levava a outra para casa para dar ao papagaio.

Viva a blogosfera… E já agora, a patetice.

E porque este me parece um tema interessante, abro os comentários...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Bolo de Chocolate aka Sava e Niepoort Porto Branco

Um bolo de chocolate feito a partir deste, postado pela Isabel, mas muito alterado (eu não consigo mesmo seguir receitas).

Fiz assim:

Juntei 150 g de açúcar e 150 g de manteiga (à temperatura ambiente) e fiz um creme; fui juntando, um a um, seis ovos e batendo bem. Depois incorporei cerca de 100 g de cacau em pó e 100 g de farinha de trigo; mexi com a colher de pau e levei em forma untada ao forno a 170º C. Cozeu em cerca de 20 minutos.

Retirei o bolo do forno, deixei arrefecer, desenformei e cortei a meio. Recheei com chocolate preto dissolvido em natas. Fiz ainda uma calda de açúcar amarelo com redução de Vinho do Porto Branco e deitei por cima do bolo.

Cobri com um creme feito com chocolate, leite, natas e ovos (quase como uma mousse, mas mais denso).



O bolo ficou muito diferente do "Sava"; pouco doce, mas uma bomba de chocolate...




Ficou muito bem na companhia de Vinho do Porto Branco, do Dirk Niepoort. Um Porto honesto, não aspira a grandes voos, mas muito agradável de beber. Nota pessoal: 15,5.



O bolo foi para comemorar o "ataque" do meu pré-clássico ao meio milhão de quilómetros (passou os 320.000, ou 200.000 milhas)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Porco em Vinho Tinto para Quinta das Bágeiras Espumante Tinto 2004

Não há muita oferta de Espumantes Tintos por cá. E porquê? Porque aparentemente não há procura (ou pelo menos, há pouca procura). Assim, num panorama onde a oferta é relativamente escassa (e nem se percebe bem, porque há inúmeros pratos que vão muito bem com um espumante tinto, desde o leitão à moda da Bairrada, as sardinhas na brasa, alguns pratos da gastronomia do Minho, como os rojões ou a lampreia ou mesmo pratos do Sul como uns pézinhos de porco de coentrada). Ainda assim o Mário Nuno, da Quinta das Bágeiras, engarrafou 14.368 garrafas do seu Espumante Tinto Bruto de 2004.

Para acompanhar este espumante, fiz um estufado de porco em vinho tinto:

Num tacho, deitei banha de porco em lume brando; juntei sal, alho, louro, cravinho e partes do porco (barriga e perna) cortadas em cubos. Deixei apurar a carne a baixa temperatura e juntei vinho tinto; deixei estufar em lume brando e quando a carne estava macia, juntei massa al dente. Esperei pela harmonização dos sabores e servi.



O espumante, feito apenas com Baga (a casta rainha dos tintos da Bairrada) aparece com aromas de lagar e madeira usada (dos tonéis onde o vinho estagiou). Com uma bela cor violácea, não mostra sinais de evolução; na boca surge algo amorfo, apesar da qualidade das bolhinhas e da frescura. Com apenas 12,5º de álcool é um baga apenas honesto, que melhorou com a espumantização. Se o vinho de base fosse melhor podiamos ter um grande espumante tinto. Mas não há procura... Nota pessoal: 15.

domingo, 5 de julho de 2009

Arroz de Mariscos para Altas Quintas Crescendo Branco 2007

Primeiro, arroz de mariscos... porque detesto o termo "arroz de marisco" aplicado a todos os arrozes que levam mariscos (e delícias do mar, blarghhh). Este foi feito com ameijoas, mexilhões e camarão, apenas.



Para um Altas Quintas Crescendo Branco de 2007. É um vinho que já tinha provado algumas vezes, mas que aparece algo prejudicado na relação qualidade/preço. Contudo, a necessária rotação de stocks permitiu que o preço baixasse para os € 5,99 (contra os € 7,89 que custa normalmente) na prateleira de um supermercado. É um vinho interessante, um alentejano feito a 600m de altitude, fresco, com muitas notas de fruta, simples, mas bem feito. Nota pessoal: 15,3. E venha a edição de 2008.

sábado, 4 de julho de 2009

Polvo no Forno para Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2004

O vinho branco Garrafeira da Quinta das Bágeiras é incontornável no universo dos vinhos brancos Portugueses. Aqui no blog, já apareceram as edições de 2001 e 2005.

Um dos melhores acompanhamentos que conheço para este vinho é um Polvo à Lagareiro.



Este foi cozido e levado ao forno num tabuleiro com azeite e alho esmagado, com batatas e feijão verde, com apenas um toque de pimenta preta.



Quanto ao vinho, depois de quatro anos na garrafa e de um estágio em madeira usada (o famoso Tonel 23, referenciado aqui), apresentou-se muito limpo, com um belo tom amarelo médio (gostei - tom definido por Aníbal Coutinho no seu guia de vinhos de 2007), muito bem marcado pela madeira e com uma excelente acidez. Cheio na boca, os 13º de álcool passam despercebidos. Tem um final longo e complexo. Claramente um branco de guarda que só agora se começa a mostrar. Nota pessoal: 17,5.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um Entrecosto de Porco Preto em Reserva na Fraga da Galhofa de 2005

O título do post quase que cheira a repost...

Na verdade, depois de ter provado o Fraga da Galhofa 2006 (nem precisa de link, é o post anterior), tive curiosidade em provar o Fraga da Galhofa Reserva 2005.

Para esse vinho, construí um entrecosto de porco preto no forno. Barrei a peça do entrecosto com alho, azeite, pimenta preta esmagada e vinagre balsâmico. Levei ao forno pré-aquecido a 150º C e deixei alourar/assar/cozinhar (o entrecosto de porco preto tem muita gordura) na companhia de um pouco de vinho branco. Convém ir vigiando o forno, Just In Case).

Para acompanhamento, limitei-me a fazer uns feijões vermelhos já cozidos, que levei ao tacho depois de ter adicionado um pouco do molho do entrecosto e cravinhos.

Quanto ao prato, devo dizer que o entrecosto de porco preto, apesar da gordura é muito saboroso, feito assim; o feijão ficou num belo ponto de cozedura, untuoso e "cravinhoso".



O Fraga da Galhofa Reserva 2005 apresentou-se bem educado no nariz, mais complexo que o colheita 2006. Na boca, a "escorregar", muito fino, mas a não denunciar os 13,5º, graças ao equilíbrio geral deste vinho. Gostei, é um vinho interessante, bem feito. Nota pessoal: 15,8.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um Lombo de Porco na Fraga da Galhofa

O lombo de porco nem é das peças do bácoro que mais gosto. Ainda assim, lembro-me sempre daqueles lombos no forno que muitos restaurantes servem nos almoços de Domingo, feitos no forno e cheios de acompanhamentos...

Este lombo foi feito depois do meu amigo (e virtual contributer deste blog) Gus me ter sugerido que provasse o Fraga da Galhofa 2006 (que amavelmente me ofereceu).

Porquê a associação? Porque o Fraga da Galhofa é um vinho do Douro feito sem grandes pretensões e vendido a um preço muito cordato (presumo que pouco mais de € 3,00 a garrafa), o que o "atira" directamente para uma potencial escolha num almoço de Domingo, com a família.

Assim, num tacho, deitei cebola finamente fatiada, azeite e deixei em lume brando; juntei um pouco de pimento vermelho, sal, bacon em pedaços, pimenta em grão e deixei estufar. Juntei o lombo e fui virando até estar selado. Adicionei um pouco de vinho branco e deixei a cozer lentamente. Noutro tacho deitei batatas e couve branca a cozer. Quando a carne estava macia levei o conteudo do tacho a forno pré-aquecido a 210º C, para alourar o bacon e o lombo...




Quanto ao Fraga da Galhofa, é feito nas encostas da Ribeira Teja, Freguesia de Poço do Canto, na Meda, com Touriga Franca, Tinta Roriz e Bastardo. No nariz tem aromas de lagar e alguma fruta bem madura. Na boca é agradável, mantendo as notas de engaço e lagar; tem um final médio e apenas 12,5º. Um vinho muito bem feito, se se levar em linha de conta o preço. Não suscita grandes reflexões, mas também não deixa ninguêm indiferente. Nota pessoal: 15.