Well, não sei por onde começar…
Ontem descobri esta botelha perdida na minha desorganizada garrafeira (consequência da falta de tempo e da ausência de um livrinho de notas).
De uma caixa de seis garrafas adquiridas em 1998, esta era a última que ainda restava.
É um vinho branco feito exclusivamente com a casta Cerceal no terroir da Quinta de Foz de Arouce (Lousã), local onde passei alguns anos da minha infância.
Abri o vinho e fiquei imediatamente extasiado com a sua cor: amarelo – ouro, mas com reflexos ligeiramente acobreados;
No nariz apresentava intensas notas de mel e frutos secos.
Na boca apresentou-se com uma elegância fantástica para a sua idade, ainda algum mineral, fruto seco, chá e mel. Sabor a fruta cristalizada e final melado.
Dava-me a sensação que estava a beber um colheita tardia, sem a dose habitual de açúcar.
Um dos Grandes Vinhos Brancos Portugueses a provar que sabe envelhecer com elegância e com muita afinação.
É preciso não esquecer que nesta idade (14 anos), é preciso ter sorte com cada garrafa.
Foi uma surpresa absolutamente fantástica e é por causa do prazer proporcionado por alguns vinhos envelhecidos que ainda tenho uma garrafeira particular.
Foi um momento único que fica associado a outra mudança na minha vida!