sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Frango By Me...

Este frango foi feito em duas etapas.
Na primeira, reservei um supremo, a coxa e a sobrecoxa do frango e deixei a marinar em alho, pimentas e (bastante) vinho branco de um dia para o outro. Depois, no tacho deitei azeite, cebola picada grosseiramente e tomate cortado em pedaços pequenos. Deixei a cebola ficar transparente sempre mexendo com a colher de pau e juntei o frango e o líquido da marinada. Deixei estufar. Na segunda, cozi esparguete al dente e quando o frango estava apurado, rectifiquei temperos, retirei o frango e passei o "molho" com a varinha mágica, tendo obtido um creme bastante aveludado. Servi o frango com compota de laranja, um pickle de couve flor e alcaparras. Juntei o esparguete e deitei o molho por cima.

Este prato não se enquadra em nenhuma tipologia, porque não é massa com frango no sentido literal do termo nem frango estufado com qualquer acompanhamento, por isso o designei por by me...

A acompanhar, revisitei o fantástico Meruge 2003, "desenhado" por Dirk Niepoort para os Lavradores de Feitoria e que é apenas... um pequeno Charme!



terça-feira, 12 de agosto de 2008

Um Porto Muito Especial - Cruz 30 Anos

Não é todos os dias que se tem o prazer de degustar um Porto com 30 anos; este blend é uma maravilha...

Academia dos Livros

Este post começa com um desafio feito pela Ameixa na sequência de uma espécie de intercambio de bloguers. Bem, no essencial a ideia é propor um livro que se esteja a ler ou que se tenha lido e que se considere marcante. Claro que por mero exercicio mental podia desencantar um belo grupo de livros que gostei particularmente de ler, um outro grupo de livros "pour eppáter les bourgeois" e ainda um outro com a Biblia.

Decidi escolher uma modesta Obra de um modesto Autor que até praticava medicina e que nos obrigavam a ler aos doze anos, bem como a interpretar "coisas".
O Autor dispensa apresentações (só não foi apresentado aos tipos do Nobel, infelizmente), a sua Obra é mais que lida e sobretudo, mais que reconhecida. Constitui, no seu todo uma das mais belas heranças do século passado, uma perturbante e às vezes arrepiante cosmogonia que por acaso mora mesmo aqui ao lado, em qualquer das aldeias, dos seus habitantes, dos factos narrados.
É ao mesmo tempo de um absoluto rigor e de uma desconcertante simplicidade (como é que se consegue condensar tanta vida em tão poucas páginas?).

Da Enorme Obra de Miguel Torga escolhi os "Contos da Montanha", publicados em 1941. Porquê? Porque é daqueles livros que sempre que se leem nos mostram um ou outro pormenor descurado em leituras anteriores, porque a sua dimensão física está nos antípodas do que intelectualmente nos dá e porque podemos sempre depois de um conto, fazer uma pausa... mas só depois de ler este prefácio:


Prefácio à Quarta Edição

Depois de muitos anos de desterro, regressam novamente ao torrão natal os heróis deste atribulado livro. Numa época em que tantos portugueses de carne e osso emigraram por fome de pão, exilaram-se eles, lusitanos de papel e tinta, por falta de liberdade. Enfarpelados num duro surrobeco de embarcadiços, lá se foram afoita- mente em demanda do Brasil, o seio sempre acolhedor das nossas aflições. E ali viveram, generosamente acarinhados, assistidos de longe pela ternura correctiva do autor. Voltam agora ao berço, roídos de saudades. E não é sem apreensão que os vejo pisar, já menos toscos de aparência, o amado chão da origem. É que muita água correu sob a ponte desde que se ausentaram. Quatro décadas de opressão desfiguraram completamente a paisagem do país. A humana e a outra. Velhos desamparados, adultos desiludidos, jovens revoltados - num palco de desolação. Almas amarfanhadas e terras em pousio. Que alento poderá receber dum ambiente assim uma esperança de torna-viagem? Mas a pátria é um iman, mesmo quando a universalidade do homem, como neste preciso momento, sai finalmente dos tacanhos limites do planeta. Poucos resistem à sua atracção ao verem-se longe dela, seja qual for a órbita em que se movam. Até os seus filhos de ficção. Por mais fortuna que tenham pelo mundo a cabo, é com o ninho onde nasceram que sonham noite e dia. É que só nele se exprimem correctamente, estão certos nos gestos, são realmente quem são. De maneira que não me atrevi a contrariar a vinda das minhas humildes criaturas, como a prudência talvez aconselhasse. Pelo contrário: favoreci-a. Pode ser que o exemplo seja seguido, e o êxodo, que empobreceu a nação, comece a fazer-se em sentido inverso, e as nossas misérias e tristezas mudem de fisionomia. Portugal necessita urgentemente de ser repovoado.

S. Martinho de Anta, Natal de 1968

Miguel Torga





quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Um Savarin a fugir para o Razoavel...

Há algum tempo tinha feito um savarin que saiu pouco menos que desastroso; nesta segunda tentativa saiu um bocadinho melhor. Se calhar à terceira é de vez...





segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tapada do Chaves Branco 1996

Este post não é da minha Autoria; foi o amigo PadreFrancisco, enófilo atento, que ao ter descoberto um vinho raro, fez este texto, que tenho todo o prazer em postar aqui...



"Nós, os enófilos, vivemos intensamente a caça ao ... tesouro.

As coutadas onde caçamos os nossos tesouros encontram-se dentro de garrafeiras, hipermercados, mercearias, mesmo as de aldeia, adegas e restantes lugares de culto do vinho.

Nunca deixo a caçadeira em casa, não vá aparecer alguma peça a pedi-las.

Há dias parei à porta da mercearia onde a minha mulher costuma comprar uns bons legumes. Nem era para sair do carro, mas lá fui.

- Eia! Prateleiras com vinho? Deixa ver o que por aqui há, pensei eu. É do instinto, do treino e do aperfeiçoamento, nada a fazer! Coloquei-me em posição de ataque!

Deparo-me com uma garrafa de Tapada do Chaves Branco 1996, ao preço de...2,50 €. Inevitável (também há um bom vinho com este nome), tive de a trazer. O risco era muito reduzido e a adrenalina muita. Estavam reunidas todas as condições para poder ser um tesouro: Uma boa marca, branco com muitos anos (12) e a preço de... pechincha. Só faltava a prova para tirar as dúvidas e confirmar o tesouro...

Alguns dias depois, foi ao frigorífico tomar a temperatura adequada para acompanhar um peixe assado. Assim que foi aberto libertou um cheiro a “vinho do porto”, o que não augurava nada de bom.

Já me preparava para uma decantação para el cano. Alguns segundos depois, servi um pouco num copo e o vinho já tinha perdido aquele descritor e começava a mostrar todas as virtudes. Muita vida, frescura, vigor, mineralidade, complexidade e uma cor dourada de encantar, ao fim de ... uma dúzia de anos.

Um Tesouro..."








sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sangria de Vinho Tinto

Às vezes a fruta lá em casa começa a iniciar o processo de transformação em "Kunami" ligeiramente fresquinho; antes que fique muito, mas mesmo muito fresquinho, por vezes acaba em salada ou em sangria. Nesta decidi usar vinho tinto (claro que as de espumante são muito mais requintadas, mas o vinho que eu escolhi era suficientemente bom para a sangria e ela ficou bastante boa), frutas, um pouco de agua com gás e (muito) gelo.





quarta-feira, 30 de julho de 2008

Lingua de Vitela à Jardineira

Dá algum trabalho preparar a lingua; aquela parte de escaldar a lingua em água a ferver para retirar a "pele" eu até dispensava, mas vale a pena, pelo menos para quem gostar da textura (eu adoro).

Bem, depois de limpar a língua da vitela, prepara-se uma base de cebola, alho, azeite, pimento, tomate, sal e pimenta e deixa-se estufar a língua já fatiada (pode-se dar uma pré-cozedura); vão-se juntando as cenouras, ervilhas e o que mais se quiser. Deixa-se apurar, rectificam-se temperos e serve-se.
Optei por batatas novas assadas com pele, abri-as, juntei espinafres cozidos e reguei com um fio de azeite.
Acompanhou com um João Portugal Ramos Quinta da Viçosa Touriga Merlot 2003.






terça-feira, 29 de julho de 2008

Galinha Assada no Forno

A galinha no forno é um dos meus pratos preferidos; aqui, ela foi feita inteira, tendo sido"untada" com uma pasta feita com banha de porco, sal, pimenta preta e alhos (mais ou menos o molho do leitão). Vai a forno quente (cerca de 200º C) e vai-se regando com o molho até estar cozida e loura (se necessário, proteger com folha de alumínio para não tostar).
Para ajudar à festa, foi acompanhada por um fantástico Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas de 2003.



segunda-feira, 28 de julho de 2008

As Minhas Dez Preferidas...

A Isabel lançou-me um desafio que consiste em seleccionarmos dez das nossas receitas preferidas e publicá-las, juntamente com um link para a postagem original e para o blogue que nos desafiou. Pede ainda que se lance o desafio a outro cinco blogues, mas eu vou desafiar todas as pessoas que por aqui passam e que ainda não responderam a este desafio...


Espadarte grelhado com esparguete e mozzarella


















Alheiras no forno com pimento e puré de grão


















Uma açorda de Marisco no seu Pão




















Um Rancho




















Vitela mirandesa e Papas Laberças

















Lombo de Atum em Confit de Presunto e Redução de Marinada com Croquetes de Espinafres e Feijão Frade


















Bacalhau no Forno



















Entrecosto de Porco com Morcela da Guarda














Supremos de Porco Preto recheados com Alheira de caça

















Rodovalho Frito com Risotto de Romãs e Sultanas

Bacalhau à Zé do Pipo

Esta forma de preparar o bacalhau é uma das minhas preferidas...

Ingredientes

lombo de bacalhau
cebolas
leite
azeite
louro
sal e pimenta
maionese
batatas em puré
azeitonas pretas

Preparação

Depois de bem demolhado, corta-se o bacalhau em postas.
Leva-se a cozer com leite.
Entretanto, picam-se as cebolas e levam-se a estalar com o azeite, o louro, sal e pimenta e um pouco de leite de cozer o bacalhau.
A cebola deve ficar branca e macia e nunca loura.
Depois de cozido, escorre-se o bacalhau e coloca-se num recipiente de barro.
Deita-se a cebola sobre as postas de bacalhau, que depois se cobrem completamente com a maionese.
Contorna-se com o puré de batata e leva-se a gratinar.
Enfeita-se com azeitonas pretas.

Uma receita tradicional do Porto, que harmonizou muito bem com um Casa de Santar Reserva Branco 2006.